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1G, 2G, 2,5G, 3G. Que sopa de letrinhas é essa?
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Atualizado em 21/09/2008

Desde o surgimento dos celulares, a tecnologia se aprimorou e, o que antes não passava de um telefone móvel, agora é praticamente um computador de mão, com capacidade de transferência de dados maior do que a melhor das conexões por ADSL. A partir da substituição da primeira geração (os famosos tijolões) pelos de segunda, passou-se a designar a rede de telefonia móvel por um número, seguido da letra G. Mas o que de fato é um celular de 1G, 2G, 2,5G ou 3G?

Basicamente, o que muda é a tecnologia do aparelho. Os celulares de primeira geração (hoje chamados de 1G), que surgiram nos anos 80, utilizavam padrões analógicos, o que gerava distorções na voz e instabilidade na rede. Essa rede foi gradualmente substituída pela de segunda geração, que digitalizou o tráfego, possibilitando a introdução de serviços básicos de troca de dados, como os torpedos. Além disso, com a introdução da 2G, o sistema multiplex ? que divide a banda, permitindo que várias informações trafeguem sem que interfiram uma na outra ? foi bastante aprimorado. A 2G não tem, no entanto, capacidade de transmissão de dados avançada. Ou seja: não pode rodar softwares ou receber/enviar e-mails.

Os padrões da segunda geração baseiam-se nas tecnologias TDMA e CDMA. A tecnologia GSM é baseada no padrão TDMA. Outro padrão baseado no TDMA é o D-AMPS, genericamente chamado simplesmente de TDMA no Brasil. O principal padrão CDMA é o IS-95, conhecido também como cdmaOne ou, simplesmente CDMA.

A grande difusão do GSM, que atualmente tem mais de 1,5 bilhão de clientes em 200 países, deve-se, em grande parte, ao vasto número de operadoras que adotaram essa tecnologia, possibilitando facilidades no roaming internacional, por meio de acordos. O D-AMPS é considerado o primeiro sistema de 2G e foi o pioneiro em casar sinais digitais e analógicos. O CDMA tem como sua principal bandeira, o avançado sistema de multiplex.

Apesar de se falar bastante em 2,5 e 3G, a rede 2G não será substituída facilmente. O professor da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), Paul Jean Etienne Jeszensky, crê que isso não acontecerá nunca: ?Ainda que essa revolução toda esteja acontecendo e muitas novidades estejam sendo anunciadas, a maior parte da receita das operadoras vem de conversas telefônicas normais e isso vai perdurar por muito tempo. Outros serviços são um plus e isso nunca substitui o principal?, opina.

E a tal da 3G?

Apesar de o termo 3G povoar outdoors e propagandas de televisão, o Brasil ainda não tem rede de telefonia celular de terceira geração. ?Estamos no denominado 2,5G (transição de 2G para 3G)?, explica Jeszensky. Isso significa que, apesar de já termos alguns serviços avançados, eles ainda trafegam pela freqüência 2G, não têm uma rede específica. Oficialmente, a 2,5G sequer existe. Há operadoras que ofercem serviços chamados de 3G - como transferência de dados e reprodução de vídeos. No entanto, não podemos dizer que temos 3G pois esses serviços não trafegam na velocidade que uma rede 3G propiciaria.

Quanto à 3G, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) já reservou sua faixa de freqüência, mas ainda resta hesitação quanto à sua implementação na prática. Ou seja, existe a infra-estrutura, mas o modelo de negócios permanece em aberto. Na Europa, houve grande euforia com o surgimento da 3G e as operadoras compraram licenças no espectro muito antes de haver qualquer perspectiva de lucro com a tecnologia, o que causou prejuízo no curto prazo. No Brasil, há dúvidas por parte de operadoras que investiram em redes GSM convencionais e que, por enquanto, têm gerado a receita esperada.

?Você considera ?um benefício? assistir a um programa de TV no seu celular? Pode ser inusitado num primeiro instante, depois de um mês, verá que não foi tão útil assim. Essa evolução deve ser entendida como mais recursos técnicos disponíveis e, neste sentido, é ótima. Quanto mais, melhor. O que será feito desse recurso dependerá do ?negócio??, explica o professor. O que se sabe é que a rede 3G potencializaria a capacidade de transmissão de dados para até 2MB por segundo. Downloads de músicas e vídeos têm destaque entre os de serviços que surgiriam aproveitariam essa velocidade.

Atrasados?

Executivos do setor de telecomunicações, principalmente ligados ao padrão CDMA e fornecedores de infra-estrutura, dizem que o Brasil está atrasado em relação a outros países quanto à adoção de 3G. O professor da USP, no entanto, discorda: ?O mundo usava 1G quando já se discutia 3G e, adicionalmente, sem ninguém ter ainda a 2G implantado! Isso é normal?.

Do ponto de vista técnico, já se discute o padrão seguinte ao 3G, o 4G, que elevaria a capacidade de transmissão de dados a 20 MB. No entanto, falta ainda começar a pensar na nova rede e no modelo de negócios adequados para esse avanço tecnológico. ?A 4G é uma solução para um problema que ainda não existe, mas não tem problema, o pessoal de marketing certamente achará uma aplicação que, no futuro, consideraremos indispensável!?, ironiza Jeszensky.

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