Um dos sentimentos mais frustrantes para os fãs de games é bater perna em uma infinidade de lojas e não encontrar aquele jogo esperado há meses e meses. Além da decepção natural, o tempo perdido na busca é bastante considerável. Mas, e se em um futuro próximo, não precisarmos mais sair de casa para adquirir aquele título tão desejado, bastando realizar um download para tê-lo? É o que a Internet já proporciona aos gamers e que promete se popularizar mais rápido do que você imagina. Atualmente, o mercado de download de jogos já atinge números apenas razoáveis para duas das três plataformas mais populares para games: o PC e o celular. Para os videogames ainda falta muito para que esse recurso seja mais usado, mas a nova geração de consoles ? Wii pela Nintendo, Playstation 3 da Sony e o Xbox 360 da Microsoft ? promete acelerar esse processo consideravelmente. E, para as desenvolvedoras e distribuidoras de jogos essa é uma evolução muito bem-vinda. Isso porque há um corte considerável de custos ? pode chegar a 50% do valor de um game normal, vendido em lojas - diminuição dos riscos de pirataria, maior segurança, comodidade e, claro, rapidez.
?Para que esse mercado cresça de forma definitiva, é necessário que os serviços de banda larga também apresentem uma expansão considerável?, diz Marcelo Carvalho, presidente da ABRAGAMES (Associação Brasileira de Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos). ?Os jogos para PC, por exemplo, com exceção dos casuais, são muito pesados e exigem uma conexão respeitável. Acho que a tendência é o investimento tanto no download quanto na área de jogos online?. Confira nas próximas linhas como a anda essa evolução nos três sistemas de jogos mais usados: Celulares
Das três plataformas citadas, os celulares são os que sem dúvida oferecem maior facilidade para quem quer fazer download de games. As maiores operadoras do país já oferecem essa modalidade há algum tempo e um bom exemplo do seu crescimento está na chegada da Tec Toy Mobile ao setor, fruto de uma parceria entre a Tec Toy - famosa por distribuir no Brasil os lendários consoles Master System e Mega Drive da Sega ? e a Level UP! (responsável pela distribuição do MMORPG Ragnarök).
A companhia oferece, até o momento, uma gama de 50 jogos, entre eles, alguns bem-vindos clássicos como ?Sonic?, ?After Burner?, ?Age of Empires II? e ?Quake?, sendo oferecidos, gradativamente, em seu site e nas páginas das principais operadoras do Brasil. Não por acaso, ela espera faturar cerca de R$ 14 milhões no biênio 2006/2007 e prevê que daqui cinco anos, 80% da base de telefones móveis em território nacional esteja apta a rodar jogos.
Segundo Reinaldo Normand, gerente-geral da companhia, há motivos de sobra para se empolgar com o mercado de games para celulares: ?As pessoas estão acostumadas a pagar por conteúdo no mercado mobile e o ringtone é um bom exemplo disso, sendo mais fácil realizar cobranças no celular do que na Intetnet. Além disso, os celulares estão com as pessoas o tempo todo e eles evoluem cada vez mais. Sem contar que as chances de pirataria nesse setor são muito pequenas?. E por falar em evolução, Normand diz que os games para esse tipo de plataforma estão longe de explorar seu potencial máximo: ?Em oito anos, passamos do jogo da 'Cobrinha' para jogos 3D, com qualidade similar ao do PSOne. E os videogames tradicionais demoraram 25 anos pra isso. A partir do ano que vem, comercializaremos jogos que terão qualidade próxima do PS2. No entanto, temos que respeitar o andamento do mercado brasileiro, acompanhando a limitação dos aparelhos que existem por aqui.
Nesse quesito, ainda estamos muito atrás de países como os EUA, Japão e Coréia do Sul. Mas uma boa notícia é que esses dispositivos vão adquirir funções de videogame, mas sem repetir os erros do NGage (aparelho da Nokia voltado para games que acabou não dando certo, devido a sua falta de praticidade). Teremos celulares que sejam bons videogames, sem competir com os portáteis?. Quanto à possibilidade de recursos multiplayer, Reinaldo adota mais cautela: ?Já existem jogos do gênero, mas em escala reduzida. Para que essa função vá adiante depende-se muito da velocidade da rede da operadora. Quando o padrão 3G for implementado definitivamente, certamente haverá um boom de jogos multiplayer?. Computadores
Casuais Outro nicho de games para celulares que apresenta um potencial constante, é o dos chamados jogos casuais. São títulos que incluem modalidades como puzzles, tabuleiros, entre outros e que fazem mais sucesso principalmente entre o público adulto, com idade entre 35 e 60 anos, sendo que cerca de 70% dos usuários são mulheres. Estes jogos nasceram na Web em versões mais simples e evoluíram para versões com mais recursos.
Uma empresa que merece destaque nesse setor é a Atrativa Games, que realiza esse serviço para PCs, mais especificamente para Windows. A um preço médio de R$ 25 por jogo, a companhia oferece primeiramente os títulos no modo online para que o usuário o conheça. Depois, ele realiza um download sem compromisso, para jogar durante 60 minutos e ao término do prazo, a única forma de voltar a jogar, é realizando o download, cujo pagamento é feito via cartões de crédito, débito ou boleto bancário São feitos entre 600 e 700 mil downloads deste tipo de game por mês apenas na página da empresa, sendo que a cada 200 downloads feitos, três deles são vendidos. ?Nossos jogos são leves, com tamanhos que variam entre 10 MB e 15 MB, o que é um diferencial para aqueles que não têm muita paciência para esperar longos downloads?, diz Luis Eduardo Gonsales, diretor da Atrativa. ?Atuamos neste mercado desde 2000 e percebemos que nos dois últimos anos, crescemos consideravelmente, principalmente por causa da banda larga?. Outras vantagens dos jogos casuais é que eles são atualizados constantemente, o que propicia um interesse constante do internauta, além de contar com recursos anti-pirataria: ?Na média, oferecemos um jogo novo por semana, sendo que todos contam com técnicas de proteção DRM?, diz Gonsales. ?Isso significa que quando o usuário adquire o título, fica protegido contra cópias. O game fica instalado no seu PC e mesmo quando os arquivos são transferidos para um outro computador, ficam bloqueados. Temos um limite para destravamentos em um determinado número de máquinas?. Games tradicionais Além dos jogos casuais, o mercado de games convencionais para PCs é outro que apresenta uma evolução acentuada. No entanto, o crescimento deste setor está ligado diretamente ao aumento de usuários dos serviços de banda larga. Isso porque tais jogos são extremamente pesados e para baixá-los é necessária uma conexão robusta. Mas, na opinião de Gustavo Caetano, CEO da Samba Tech International, empresa responsável pelo portal Combogames, que distribui títulos digitalmente e é parceira do WNews para a comercialização dos mesmos, ir às lojas para comprar jogos será uma atividade cada vez mais rara: ?O jogo por download chega a ser até 50% mais barato que nas lojas, principalmente porque não existe a necessidade de distribuição física e nem mesmo de produção de caixinha, DVD e manual?.
Além do fator preço, Caetano também destaca o fator segurança, para que as pessoas comprem games cada vez mais pela Web: ?Já conversei com várias pessoas que estão com medo de comprar jogos piratas, por mais que sejam mais baratos. Isso porque a quantidade de vírus e adwares inserida nesses jogos é muito grande, e o consumidor começa a aceitar pagar um pouco mais para ter jogos de qualidade e sem vírus?. Para baixar um jogo completo para PC, o usuário leva entre 30 e 150 minutos, de acordo com a velocidade da conexão e o tamanho do game. No caso da Combogames, a companhia conta com um portfólio 1,5 mil itens, com lançamentos semanais. ?Caso tenha necessidade de formatar o HD, os servidores da Combo têm ainda o controle de todas as compras e seus códigos de ativação. Por isso, o usuário sempre terá seu jogo disponível para um novo download?. A empresa conta ainda com títulos dos principais desenvolvedores internacionais, aceita pagamento via cartão de crédito e utiliza recursos de DRM para evitar cópias indevidas dos jogos. É possível ainda baixar demos dos títulos para que o jogador conheça o mesmo mais detalhadamente, antes de comprá-lo. Videogames É nesta plataforma que residem as maiores expectativas quanto ao potencial dos downloads de jogos. Isso porque o uso deste recurso nos atuais consoles ainda é muito incipiente. No entanto, quem pulou na frente nesta corrida foi a Microsoft, que lançou o serviço Xbox Live, direcionado aos usuários do Xbox e do seu sucessor, o Xbox 360. Nele, o gamer pode adquirir bônus para jogos, jogar no modo multiplayer, criar perfis e torneios.
Mas, para se ter uma idéia do que está por vir, a Microsoft lançou recentemente o Xbox Live Arcade, um canal de jogos em que os mesmos podem ser adquiridos via download e que é o primeiro passo para que títulos mais robustos sejam baixados. Ele traz uma lista de games, separados por gênero, com fotos, descrição, entre outros detalhes. Os títulos terão demos que podem ser testados e caso o usuário goste de algum game em particular, pode adquiri-lo via cartão de crédito, caso esteja cadastrado com uma conta no XBox Live (ainda não disponível oficialmente no Brasil). Feito o download, ele poderá jogá-lo mesmo no modo offline. Dentre os games oferecidos, estarão clássicos como ?Street Fighter II ? Hyper Fighting?, ?Pac Man?, ?Contra? ?Galaga?, ?Paperboy?, ?Ultimate Mortal Kombat 3?, entre muitos outros, além de jogos casuais. A Nintendo também utilizará o serviço de jogos online em seu próximo videogame, o Wii, que chega no final deste ano. Com o nome de Virtual Console, o sistema ainda não teve suas especificações divulgadas, mas a desenvolvedora japonesa Sega já anunciou que comercializará muitos de seus títulos ? como ?Shinobi?, ?Sonic? e ?Golden Axe? ? no canal. Já o representante deste setor para o Playstation 3 é ainda mais rodeado de mistérios. Sabe-se que ele tem um nome provisório de Playstation Network Platform e que oferecerá recursos de chat via voz e vídeo, envio e recebimento de mensagens, promoção de partidas, rankings, downloads / uploads de jogos e patches dos mesmos, shopping, gerenciamento de acessos, serviço de micro pagamentos, entre outras funcionalidades. A produção de tais games ficará a cargo dos estúdios internos da empresa, além de programadores independentes.
Quem viver, verá...ou melhor, baixará...
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