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Acústica para salas de áudio
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Atualizado em 06/08/2008





Por Paulo Chachamovich

sala de audição é o elo da cadeia de áudio que praticamente não pode ser duplicado. Cada sala tem sua própria característica. Como resultado, cada sistema de áudio vai soar diferentemente em diferentes salas. Mesmo um sistema considerado ?o melhor? poderá soar pobremente em uma sala mal condicionada sonoramente. Se você estiver construindo ou reformando a casa, o processo de sintonia de sua sala de audição é mais fácil. Você tem o controle total e não fica limitado aos fatores existentes em uma sala já decorada. Mas para os que já têm sua sala e têm que viver com ela, é preciso sintonizá-la e ?domá-la? da melhor forma possível.

Antes de se proceder aos cálculos e tratamentos acústicos da sala, alguns procedimentos simples devem ser efetuados para ter uma idéia da acústica no local. Observando as paredes, o teto e o chão, pode-se ter uma idéia inicial da sonoridade da sala. Superfícies duras e reflexivas não são geralmente adequadas para salas de som. Grandes vidraças, chão de mármore ou granito tendem a transformar as salas em câmaras de eco. Estes materiais são muito duros, lisos e altamente reflexivos, não propiciando a difusão e dispersão das ondas sonoras. Refletem o som, causando problemas na imagem acústica e obscurecendo o palco sonoro, assim como intensificando algumas sonoridades irritantes que alguns sistemas produzem.

Ao invés disso, você deve colocar cortinas, tapetes, carpetes, muitas prateleiras de livros (com bons livros), tapeçarias, além de pendurar muitos quadros. Você precisa de objetos que ajudem a difusão e dispersão das ondas sonoras, prevenindo reflexões e assegurando boa uniformidade sonora na sala. Tapetes são importantes porque ajudam a eliminar as reflexões prematuras no chão. Prateleiras repletas de livros, cortinas e tapeçarias ajudam a difundir e absorver sons que poderiam ser indesejáveis. Verifique, caminhando pela sala, qual o resultado quando bate palmas. Se as mesmas soarem bem agradáveis, certamente esta sala também soará bem musicalmente.

Bater palmas dá uma boa idéia das características de eco da sala. Se as paredes são paralelas, você notará um eco e com isto se tem certamente ondas estacionárias em algumas freqüências. Se as palmas soarem muito alto, certamente a sala é muito ?viva?, com eco e não muito clara. Todas estas indicações lhe darão uma idéia da sonoridade do recinto. Certamente estas observações não devem ser feitas em salas vazias, sem decoração, pois o simples acréscimo de um sofá mudará drasticamente a sonoridade.

Se você tiver a sorte de poder construir uma sala sob medida para seu sistema de som, tudo será mais fácil. Mas se já tiver uma sala pronta, terá então algum trabalho para que ela venha a funcionar bem para você. De maneira geral, as salas existentes são mais ?vivas? do que ?mortas?. Quando a sala é muito viva, você deve achar alguma maneira de domá-la. ?Viva?, neste contexto, significa muito eco, com reflexões diretas fortes e duras, tendo como característica geral um som irritante e ininteligível. Salas vivas têm a tendência de intensificar as altas freqüências, causando fadiga auditiva e fazendo com que longos períodos de audição sejam intoleráveis. Para tratar um sala viva, existem muitas opções. Se você tem chão de mármore ou granito, pode distribuir pequenos tapetes ou capachos para minimizar as reflexões. Lembre-se que quando mais espesso for o tapete melhor serão suas características sonoras.

Para melhor absorver os sons e domar as paredes, você pode colocar prateleiras com livros. Fazendo isto, substitui-se as superfícies lisas das paredes por uma superfície difusa que dispersa as ondas sonoras. Pode ainda adquirir materiais específicos para tratamento acústico de paredes, como os sistemas de difusão das marcas RPG, Sonex, Ultra Systems ou seus similares brasileiros Sonitec e LDA1. O sistema de difusão da RPG faz um tratamento com grupo de pilares de forma quadrada de diferentes alturas e tamanhos distribuídos sobre um substrato. Esses difusores são feitos de madeira ou espuma. Este tratamento quebra as superfícies planas da parede, substituindo-as com muitas formas diferentes de superfícies reflexivas que ajudam a tornar o som difuso.

Este tipo de tratamento acústico é muito eficiente porém muito caro. Seu similar nacional é denominado LDA1. Sonex é um padrão em espuma absorvente de som, sendo muito utilizado por profissionais e audiófilos para ?matar? uma sala (deixá-la acusticamente menos viva, com menos eco) ou somente absorver altas freqüências estranhas. A eficiência deste tratamento depende da espessura da espuma. Sonitec é um similar brasileiro do Sonex. O produto que a Ultra Systems fabrica é chamado de Room Tunes. São uma série de painéis absorventes e almofadas, projetados para serem colocados em áreas problemáticas na periferia da sala. Os painéis e as almofadas são cobertos por tecido e preenchidos geralmente com fibra de vidro em um lado. O lado oposto é um material reflexivo, basicamente algum tipo de chapa. Neste tipo de material, um lado é absorvente e o outro é reflexivo.

Para áreas freqüentemente problemáticas - como as quinas do teto de uma sala - existem almofadas triangulares chamadas ?Corner Tune?. A forma de uso é colocar a face absorvente para o centro da sala e a parte reflexiva virada para as paredes. O propósito deste tipo de absorvente sonoro é minimizar o efeito dos vértices dos recintos. É uma boa técnica tratar todos os vértices das salas acústicas. Quando usados corretamente, o som e o placo tendem a clarear e as imagens tendem a ficar nítidas. A Ultra Systems também produz ?Echo Tunes?, ?Bass Tunes? e pedestais ?Room Tunes?. Todos são similares aos ?Corner Tunes?, diferenciando-se por serem constituídos de painéis e apoiados verticalmente ao chão. São utilizados para controlar as reflexões prematuras e ajudam também no controle do excesso de reflexões das paredes. Você simplesmente coloca o ?Room Tunes? nas áreas onde há excesso de reflexões. Como em tudo, é importante ser parcimonioso e utilizar os materiais de forma comedida. O uso exagerado pode deixar a sala excessivamente morta e sem envolvimento. O segredo é o equilíbrio.

A POSIÇÃO DAS CAIXAS ACÚSTICAS

As caixas acústicas devem sempre estar apropriadamente ajustadas à sala de audição. O correto posicionamento destas tem um efeito dramático sobre a qualidade da reprodução sonora. Uma aproximação inicial para determinar a localização de um par de caixas acústicas em um recinto de audição é deixá-las aproximadamente a um metro das paredes e formando um triângulo equilátero com o ouvinte.

Um metro é uma boa distância entre as caixas acústicas e as paredes, pois esta distância tende a minimizar reflexões sonoras prematuras, ao mesmo tempo propiciando um bom espaço de utilização (móveis, decoração, etc.) do recinto. Além disso, deixando os woofers perto das paredes os graves tenderão a ressoar, devido ao ganho adicional de alguns decibéis causados pelas reflexões das ondas sonoras.

Um ponto básico no posicionamento de caixas acústicas é não se colocar objetos grandes entre elas e o ouvinte. Caso se tenha de interpor um objeto grande às caixas acústicas, é importante que este tenha seu lado mais estreito posicionado perpendicularmente ao plano de audição, a fim de evitar as reflexões sonoras prematuras. Lembre-se que objetos grandes colocados entre as caixas acústicas e o ouvinte obstruem a passagem do som.

As caixas acústicas devem ser colocadas de modo que os alto-falantes de agudos (tweeters) fiquem posicionados na altura dos ouvidos. Isto deve-se ao fato de que a maioria dos tweeters tem sua resposta de freqüência mais plana e oferecem maior detalhamento com este posicionamento. Então, se você possuir caixas pequenas (mini-monitores) ou caixas nas quais os tweeters não estejam posicionados no mesmo plano que seus ouvidos, será necessário elevá-las. Após, deve-se proceder o ajuste fino da localização das caixas acústicas. Isto inclui desde os ajustes de convergência até os de aproximação e afastamento das caixas acústicas em relação ao entorno.

O ajuste de convergência é importante, pois controla a quantidade de altas freqüências que alcançam os ouvidos e também de certa forma o tamanho do palco sonoro. Convergindo os tweeters diretamente aos ouvidos se tem maior concentração de agudos, o que traz como conseqüência um leve estreitamento do palco. Você será capaz de aumentar o palco ajustando o painel frontal das caixas acústicas de tal forma que fique paralelo ao plano que ?corta? horizontalmente sua cabeça. Isto é válido até o ponto em que você perder o palco e o som parecer vir de dois pontos distintos. A aproximação e o afastamento das caixas acústicas das paredes é importante, pois algumas distâncias interagem mais positivamente que outras. As caixas acústicas devem estar posicionadas de forma que as cercanias do canal esquerdo sejam o mais similar às do canal direito, buscando sempre a maior simetria possível. Evitar sempre a proximidade de portas, pois quando estas estão abertas podem causar perdas sonoras.

Muitos audiófilos têm tido boas experiências posicionando as caixas acústicas com um afastamento de cerca de 2m40 entre elas, formando um triângulo equilátero com o ouvinte. A razão deste procedimento é que quanto mais próximas estiverem as caixas do ponto ideal de audição (ponto onde se tem o melhor palco), menor será a interação do ambiente com o som emitido pelas caixas acústicas. Basicamente, se obtém um desacoplamento do som com o ambiente, obtendo um efeito muito similar ao de fones de ouvido. Este efeito é denominado de ?proximidade de campo auditivo? e pode proporcionar grande satisfação e um som muito envolvente.

Todos os fatores citados devem ser experimentados, pois a boa reprodução sonora depende de cada um deles. Se os alto-falantes não estiverem bem posicionados, não importa que o restante do seu sistema seja bom: não se tem uma boa imagem nem palco sonoros. Lembre-se que seu sistema de som é tão bom quanto seu pior componente.



* texto originalmente publicado na revista HOME THEATER







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Palavras-chave: Acústica | Para | Salas | De | Áudio
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