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Agressões provocadas pelo estabilizador em geral às fontes dos PCs.
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Atualizado em 08/06/2009

Algumas das agressões provocadas pelo estabilizador em geral às fonte dos PCs em geral e fontes dos mais diferentes equipamentos eletro-eletrônicos. As três principais agressões feitas pelo estabilizador à fonte de alimentação do PC: Um estabilizador nada mais é do que uma chave seletora de um entre alguns "taps" (tomadas de saída) de um transformador ou de um autotransformador. Assim, pode-se ver que o nome estabilizador não é a melhor definição para o mesmo, sendo que o mais correto seria seletor de tensão, cuja função é escolher dentre as tensões disponíveis a que se encontra mais próximo de 115 Volts AC, por exemplo. Para fazer essa seleção é natural e esperado que essa chave seletora saia de uma posição, e somente depois, passado um pequeno tempo, faça contato com outra posição de saída, pois se não der esse espaço de tempo haverá sobreposição de tensões de diferentes valores que significaria colocar a saída em curto circuito. 1ª Agressão: Ao ter de desligar de uma das saídas para logo depois tomar a outra saída, passado um tempo, o que acontece com a fonte é que ela é desalimentada nesse intervalo de tempo. Por menor que ele seja, os capacitores da fonte iniciarão um período de descarga que se continuado poderá levar a desalimentar seu PC. Esse tempo entretanto é curto o bastante para que a tensão dos capacitores da fonte não chegue a valores tão baixos assim que desarme seu PC. Cai a tensão sim sobre esses capacitores mas não a ponto de desligar seu PC. O famoso ruído "TLEC" nada mais é que uma ausência de tensão dessas numa passagem de seleção típica de um estabilizador. Se olharmos as características de uma fonte qualquer, lá nas especificações, se pode ver que seus capacitores são dimensionados para agüentar o tempo de um ciclo, 16 a 17 mili segundos aproximadamente segurando seu PC tranqüilamente. Este tempo representa mais ou menos cerca de meio ciclo, talvez um pouco menos de distúrbio nessa alimentação da fonte, na hora do chaveamento da seletora do estabilizador, de modo que os capacitores não estarão descarregados totalmente, mas a ponto de ficar. Até ai nada tão grave, a chave seletora está trocando de posição para busca de uma tensão melhor um pouco, enquanto isso sua fonte está sem escada e pendurada no pincel. Agora é que vem o problema: Fontes de alimentação, quando são ligadas, têm uma partida estressante demais, pois seus capacitores estarão completamente descarregados. Essa corrente de carga dos capacitores eletrolíticos tem um nome, se chama "inrush current", ou corrente de partida. As fontes possuem obrigatoriamente um dispositivo destinado à limitação dessa corrente de partida para que elas, essas correntes de partida, não assumam valores catastróficos e danosos para toda a etapa de entrada da fonte. Esse dispositivo se chama termistor, e tem um funcionamento muito simples e fácil de entender. Ele é um NTC (Negative Temperature Coeficient), um componente resistivo que tem um coeficiente de resistência negativo; se a temperatura aumenta, a resistência diminui. Os termistores normais das fontes costumam ter uma resistência de 10 a 20 ohms quando em temperatura ambiente, reduzindo para menos de 1 ohm quando se aquece. Assim, ao ligar a fonte o termistor estará na temperatura ambiente e se tem um resistor de 10 a 20 Ohms em série com a alimentação, que é capaz de limitar a corrente de carga dos capacitores da fonte. Ao passar essa corrente por dentro do termistor ele se aquece e durante o funcionamento normal da fonte ele é na verdade um resistor de menos de 1 Ohm que em nada atrapalha a fonte. Acontece que ele, para esfriar toma um tempo de no mínimo 1 minuto, ou mais. Alguém já ouviu alguma vez a recomendação de que, ao desligar algum aparelho eletro-eletrônico se esperasse, se desse um tempo para somente então ligá-lo novamente. Pois justo esse tempo se destina ao resfriamento do termistor, para que no novo religamento ele possa estar lá cumprindo a função do mesmo. Eis a explicação daqueles "TUUUM" que acontecem ao ligar uma fonte. Se ela estiver alimentada por um estabilizador ou por um no-break vocês sentirão que eles vão certamente "se virar" para fornecer essa corrente dai. O estabilizador, se mais fraco um pouco, vai metralhar alguns tlecs, pois não agüenta essa corrente. Já vi muitos no-breaks mais simples "abrirem as pernas" ou nem sequer partir quando ligada a fonte. Isso tudo por causa da necessidade de carregar os capacitores da fonte, e mesmo com o protetor trabalhando, o termistor, que estava frio, a fonte exige e exige muito na retomada da energia em função da tarefa árdua de carregar os capacitores. Mas voltando à linha de raciocínio da explicação de por que o estabilizador atrapalha a fonte. É fácil concluir agora. Se sabe que os capacitores, na comutação da chave seletora do estabilizador, não se descarregam até o fim (o que é bom, um ponto positivo), mas em compensação tem um outro tremendamente negativo: nosso conhecido termistor, cuja função é limitar a corrente de entrada, que leva mais de minuto para se esfriar e voltar a ser operacional, estará tendo somente 8 mili segundo para tal. Somente 0,008 segundo. Ou seja, o termistor estará fora dessa. A fonte e toda a sua etapa de entrada, seus filtros, seus diodos, tudo isso vai tomar uma corrente muito forte, mas muito forte mesmo, tão logo a chave seletora do estabilizador aportar no tap escolhido para fornecer tensão ao seu PC. É uma "paulada" e tanto. Nem o fabricante especificou a fonte para isso, uma porrada em cada tlec do estabilizador. As fontes agüentam por serem muito boas. É por isso que se queima tantas fontes de PC por ai. Tem um estabilizador na frente. As fontes de TV, do som, do game, não queimam tanto assim. Vai ver se elas tem estabilizador antes delas? É claro que não... Essa é a primeira agressão do estabilizador a fonte de seu PC. Cada Tlec uma porrada fantástica. Alta corrente. 2ª Agressão: Já se viu que a corrente que passa na hora do Tlec do estabilizador é muito mais alta que a corrente normal de uso da fonte, pois se destina a recarregar os capacitores já com tensão bem mais baixa, e sem contar com o prestimoso auxílio do termistor, pois esse estará fervendo (de raiva). Agora se recordem daquilo que vimos na escola pelo nome de FCEM ou Força Contra Eletro-Motriz, que aparecia em um indutor no momento em que se cortasse a corrente elétrica que nele passava. Visualize uma pilha de 1,5 Volts, um indutor e uma campainha qualquer. Abrindo e fechando a corrente em cima do indutor são suficientes para gerar surtos de tensão de 60 a 100 vezes maior que a tensão da pilha. É a FCEM. Lembrem de como é gerada a faísca nas velas do motor do automóvel, é pela abertura de um indutor (bobina) e ai se consegue gerar surtos de tensão da ordem de 15 a 30 Mil volts, a partir dos 12 Volts da bateria do automóvel. Ou seja: corrente, indutor, e abertura de circuito. É tudo isso que é necessário para geração de surtos de tensão. - Mas indutor não é uma bobina de fio enrolada, assim como o transformador do estabilizador? SIM. - E abertura de circuito, não é aquilo que a chave seletora faz? SIM. Necessito dizer mais alguma coisa agora que vocês acabaram de conhecer uma excelente máquina de gerar surtos de tensão? O estabilizador. Se essa alimentação fosse de 220 Volts, o valor instantâneo no exato instante aonde o surto foi gerado seria de 220 x raiz de 2 = 311 Volts. O tamanho do pico gerado tem uma tensão de mais ou menos o tamanho da tensão pico-a-pico da rede de 220 Volts. Desse modo, o valor pico a pico ai seria de 622 Volts que somados aos 311 da tensão da rede dariam lá bem perto dos 1.000 Volts. Direto para a sua fonte de alimentação, sem coisa nenhuma na frente, nem sequer o fusível do próprio estabilizador. Nada, nada, direto para a sua fonte segurar. Esse, os picos de tensão, os surtos de tensão gerados pelo estabilizador, na hora da abertura de sua chave seletora, é a segunda agressão do estabilizador a fonte. 3ª Agressão: A ordem de grandeza de tempo necessário para que um estabilizador corrija a variação que ele porventura tenha sentido na rede elétrica é da ordem de 30 a 50 mili segundos. Vamos ver nas especificações? Veja ai menor ou igual a 3 ciclos de rede. O ciclo de rede de 60 Hz tem um tempo de 1/60 = 0,01666 segundos. Três desses ciclos terão um tempo total de 50 mili segundos. Esse é o tempo necessário para o estabilizador corrigir a tensão de saída, segundo seu processo de escolha e seleção de uma tensão melhor para seu PC. Uma fonte de PC não raramente trabalha na freqüência de 50 kHz e conseguirá retroalimentar e corrigir as suas saídas como devem ser, independentemente de que você tenha ligado um chuveiro, que a luz tenha piscado ou por causa do aumento repentino de corrente pedido pela GPU pois chegou a hora de processar uma grande explosão na tela. O ciclo dessa fonte tem uma duração de 1/50000 = 0,00002 segundos ou 20 micro segundos. Em 20 micro segundos a sua fonte seja ela genérica ou super moderna de marca, recuperará e disponibilizará para seu PC as tensões de modo correto. Então, quando o evento perturbador da energia acontecer, digamos a ligada do chuveiro, a fonte corrigirá tudo ai em seu PC em 20 micro segundos, reajustando a largura dos pulsos aplicados ao transistor de entrada de modo a compensar a queda da tensão provocada pelo ligamento do chuveiro. Isso em 20 micro segundos. Passados outros 2500 tempos iguais a esses mesmos 20 micro segundos, portanto chegando ao tempo de 50 mili segundos após o ligamento do chuveiro, o estabilizador vai lá e retoca a tensão e coloca mais ou menos 6 volts para colaborar com a tarefa que lhe foi atribuída. Ao fazer essa miséria, a fonte, detectando a subida desses 6 volts vai lá, e em 20 micro segundos refaz a correção e tudo fica bem. Desse modo, e de um modo muito simplista, se a fonte estivesse sozinha, no ligamento do chuveiro ela teria que trabalhar uma vez, para corrigir. Com o estabilizador "ajudando", ela terá que trabalhar duas vezes. E assim vai. Essa é a terceira agressão do estabilizador à fonte, ou seja, é decretada que sua fonte terá que trabalhar em dobro necessite ou não. Poderia colocar ai uma série de outros problemas derivados da adoção do estabilizador, mas não de toda a culpa dele. Cito o maior e mais comum deles: A enorme maioria dos estabilizadores que estão por ai no parque de PCs do Brasil são estabilizadores de 300 VA de capacidade de entrega, a alimentar máquinas com fontes comuns de baixa ou média eficiência, em PCs com 200 a 250 watts de demanda. Além do PC colocam lá, no estabilizador o monitor e sei lá mais o que. Se fizer as contas de modo correto estarão demandando mais de 600 VA de um estabilizador que foi projetado para fornecer somente 300 VA. Pronto para atear fogo na casa. Estabilizador é igual a zagueiro gordo: Chega sempre atrasado e quando vai ajudar o goleiro a levantar, após ter tomado o gol, ainda pisa no saco dele. Espero ter dado uma visão clara do que realmente acontece com relação a convivência do estabilizador com a fonte, sem "achismos" e de uma maneira simples e ao mesmo tempo sem deixar de lado a visão técnica da coisa. Quanto a decisão de usar ou não o estabilizador, cabe a cada um, afinal a grana é vossa. Eu, se quiserem saber, tem mais ou menos 15 a 20 anos que não os uso mais. Quanto aquelas histórias de que o tio do primo do vizinho usa e nunca... e coisas do tipo, cada qual sabe de si.

Palavras-chave: Fonte | Alimentação | Estabilizador | No-Break | Eletricidade
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