 |
| A Agricultura no Brasil: Realidade e Perspectivas |
5 de 5 qualificaram esse guia como útil. |
Atualizado em 04/06/2007 |
 |
 |
A Agricultura no Brasil: Realidade e Perspectivas
Gargalos da Agricultura
"Uma nação que destrói o seu solo destrói a sí mesma" Franklin D. Roosevelt, (1882 - 1945)
O agronegócio brasileiro vem caminhando, de uns anos para cá, como um fenômeno propulsor da economia. No início do século XXI, o setor agrícola aumentou consideravelmente sua produção através de vultuosos investimentos e preços imbatíveis. Mas, nesta última safra (2005/06), sentiu-se a crise no setor. Por que esta crise esta ocorrendo agora se a demanda por alimentos só aumentou?
Primeiro, porque, tem-se a taxa de câmbio real, que os antigos bons preços em dólar se transformaram em preços reais declinantes, onde muitas vezes estão abaixo do custo de produção, que cresceram devido ao aumento do uso de fertilizantes, defensivos e óleo diesel. Como resultado disto o produtor diminui o uso da tecnologia perdendo espaço para concorrentes mais eficientes no mercado internacional.
Segundo, tem-se a infra-estrutura. Os custos de frete são altíssimos, pois os modais de transporte e as rodovias existentes no Brasil não são compatíveis com a real necessidade. Os portos para escoamento estão, simplesmente, um caos, que por falta de infra-estrutura acaba encarecendo o valor da carga, fora as perdas.
O terceiro ponto é a falta de recursos e contradições da política agrícola. Os governos, nos últimos anos, negligenciaram irresponsavelmente a agricultura como componente dos seus programas de desenvolvimento econômico. E, para se assegurar a eficiência da produção e seu escoamento têm-se áreas críticas como a defesa sanitária, seguro rural, política de preços mínimos e a pesquisa que vêm perdendo prioridade de recursos. Enquanto isto, programas como o Fome Zero, Bolsa Família, Renda Mínima e Bolsa Escola recebem muito mais recursos para calar o povo e desestimular o trabalho.
O quarto ponto, que não se enquadra somente no âmbito Brasil, pois muitos países, também, praticam, é a poluição do ambiente e o esgotamento dos recursos naturais gerando uma maior necessidade de gasto de energia. Os solos estão cada vez mais empobrecidos pelos métodos convencionais que se tornam mais exigentes em fertilizantes, assim como, algumas pragas, doenças e plantas daninhas desenvolveram resistência aos agrotóxicos, obrigando os agricultores a aplicá-los em quantidades cada vez maiores. O uso abusivo destes insumos significou para os sistemas produtivos não, apenas, a diminuição da eficiência energética, mas, também, o aumento dos custos de produção.
Aprofundando este último tópico, pois, para mim é o mais grave a longo prazo, deparamo-nos com um vertiginoso crescimento do volume de agrotóxico comercializado no Brasil. Segundo dados oficiais, o Brasil é hoje o terceiro maior consumidor de agrotóxicos em todo o mundo, correspondendo a um faturamento anual na casa de bilhões de reais. Tal situação traz como consequência, óbvia e direta, o aumento, inaceitável, dos riscos de contaminação de produtos da agropecuária com resíduos químicos prejudiciais à saúde e o desequilíbrio biológico do agroecossistema.
O quinto ponto, que, também, não é um problema somente brasileiro, ocorre com a incessante procura pela máxima produtividade, seja através do melhoramento genético, seja pelo próprio manejo das culturas, influência, em muitas instâncias, a suscetibilidade das plantas cultivadas, relativamente ao ataque de pragas e agentes de doenças infecciosas. É, hoje, amplamente aceita, a teoria de que o desequilíbrio nutricional, pelo uso massivo de adubos minerais de alta solubilidade, e a própria ação dos agrotóxicos aplicados à lavoura, provocam distúrbios fisiológicos capazes de alterar a composição dos tecidos vegetais, tornando-os mais facilmente colonizáveis por uma gama de fitoparasitas.
Estabelece-se, aí, também, para o reino vegetal, o conceito de doenças iatrogênicas, ditadas pelos maléficos efeitos colaterais dos agroquímicos. Ainda o melhoramento vegetal, não obstante haver contribuído marcantemente para incrementar o potencial produtivo da maioria das espécies cultivadas, intensificou, sobremaneira, o grau de vulnerabilidade, na medida em que induziu ao estreitamento da base genética em monocultivos, que chegam, não poucas vezes, ao nível da exclusividade varietal.
Questões cruciais como as abordadas deveriam ser debatidas, assiduamente, pelo governo e por toda sociedade, com total transparência, máxima representatividade, responsabilidade política, econômica, sócio-ambiental e visão estratégica. Esperar, passiva e pacientemente, que os governantes decidam investir na agricultura, ou que recursos sejam distribuídos de forma sensata por um governo decente e consciente, ou que a agricultura orgânica se eleve à condição de um grande e pujante agronegócio, substituindo de forma integral ou, pelo menos, significativa o modelo agroquímico convencional, é, no mínimo, um exercício de conformismo. Quantos males serão provocados até uma mudança efetiva? Qual o preço social e ambiental que será pago por nós e pelas futuras gerações?
Como perspectiva, para alterar este quadro sombrio da atual agricultura, a única maneira de reverter a situação é começando pela reconstrução dos solos agrícolas. Infelizmente, não existem soluções rápidas ou mágicas. Reconstruir os solos, através da microvida, com adequada remineralização e aumento da fração húmica ativa, por intermédio das diversas práticas agrícolas auto-sustentáveis. O movimento de Agricultura Ecológica é o embrião dessas novas mudanças.
Isto não significa que devemos mudar todo o sistema de produção brasileira para o sistema de produção orgânico da noite para o dia, mas, sim, que devemos olhar, com total isenção de ânimos e imparcialidade estes sistemas e aprender com eles e começar a reduzir, gradual e continuamente, os impactos e a destruição do meio ambiente.
O primeiro estágio para que se efetue uma mudança objetiva e expressiva é o estudo e a divulgação de conceitos novos, como a difusão, adoção e implementação sistemática de princípios holísticos para compreendermos a realidade sistêmica na qual estamos inseridos, e que assegura a sustentabilidade do planeta Terra, ao invés de um enfoque reducionista no tratamento dos fenômenos naturais.
Fonte: Priscila Terrazzan - Graduanda da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ/USP |
5 de 5 qualificaram esse guia como útil.
| O autor assume total responsabilidade pela publicação desse guia. Você acha que este guia é contrário às políticas do MercadoLivre? Informe aqui. |
| Nesta seção serão encontradas informações publicadas por Usuários, sob sua própria responsabilidade. O MercadoLivre não exerce controle do conteúdo das Guias e não responderá por informações imprecisas, errôneas ou difamatórias, tampouco pelo uso que se faça delas. O ingresso às Guias é uma decisão voluntárias do internauta, que aceita a possibilidade de encontrar material que possa afetar sua suscetibilidade . |
| Seu voto ajudará a destacar os melhores manuais da comunidade. |
| Seu voto ajudará a eleger as melhores guias da comunidade. |
|
|
|
| |
Guias Relacionados |
|
|
 |
|
 |
|
|
| |
Anúncios no ##SITE## |
|
|
 |
|
 |
|
|