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A alimentação na época medieval
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Atualizado em 31/03/2007

 

Falar de alimentação na Idade Media significa enfrentar um aspecto fundamental da sociedade do período, onde a curtas fases de abundancia, seguiam grandes períodos de carestia.

A grande insegurança, de precariedade e de medo que cerca esta fase histórica, cria atitude muito particular em relação à comida.

De fato ela torna-se um verdadeiro status ? symbol: que come tem poder, e comer para quem é faminto significa ações exageradas, vorazes, quase violentas.

Os religiosos podem comer, mas são sujeitos a auto penitencias, segundo a doutrina cristã que estigmatiza a gula entre os pecados.

Durante a época medieval, não apenas a comida, mas a fome também torna um objeto de privilégio.

 

 

A comida dos camponeses

 

É após o 1000 que a procura da comida torna-se mais complicada, a diminuição das áreas destinadas às plantações, a sempre maior invadente presença no território de banalidades nobiliárias, como reservas de pasto, de caça ou de pesca, torna a vida dos trabalhadores da terra cada vez mais dura.

A carne, sempre mais valiosa e escassa, é considerada sinônimo de prosperidade e abundancia.

Os poucos animais domésticos são considerados bichos de fatiga, essenciais para desenvolver o trabalho nos campos e não carne para comer.

Aumenta por isso o consumo de cereais como o centeio e o trigo sarraceno, utilizados pela preparação de simples pães.

O pão é presente em toda refeição, de vario tipo: de cevada, de centeio, de castanha.

Em muitos casos a cor do pão indica a pertença de uma precisa faixa social, ou de uma determinada área geográfica.

Nas cidades invés se amplia à utilização de pão de grano duro, bem mais claro e de maior qualidade se comparado a aquele produzido na roça.

O vinho segundo a tradição grego-romana fica um alimento difundido até nas classes mais pobres: é nutriente, doa alegria, pode ser utilizado como anestésico, todos bons motivos para o favorecimento do consumo por parte dos ricos.

A mesa de quem vivia dos produtos da terra previa também a presença de verduras e legumes.

Couve, abobrinhas, cebolas, espinafres eram ótimos quando preparados em sopas e acompanhados com grão de bico, favas, lentilhas.

Os legumes, ricos de proteínas, eram fáceis de conservar, e muitas vezes eram as lógicas substituições da carne.

Essa, na grande prevalência branca, era destinada apenas para os dias de festas; frangos, galinhas, alguns coelhos, representavam a única variante mais substanciosa para os trabalhadores da agricultura.

As ervas aromáticas, já bastante conhecidas, como o timo, o alecrim e o manjericão, junto ao pouco lardo e azeite de oliva, enriqueciam essas simples refeições que estavam na base da alimentação camponês.

 

 

A comida dos poderosos

 

Uma das representações típicas da sociedade senhoril medieval era o momento do banquete.

Na mesa cheia de comida, diversas qualidades de carnes assadas significavam a refeição preferida dos nobres e dos potentes que julgavam uma autentica fraqueza a abstenção voluntária, sinal de humilhação e de perda do próprio valor social: um pouco como a obrigação de depor as armas com conseguinte perda da identidade.

Charle Magne era um enorme consumidor diário de assados ao ponto que, quando em idade avançada sofria de gota, os médicos particulares dele aconselharam de moderar as refeições.

Os banquetes eram organizados com carnes brancas ou vermelhas ( galinhas, frangos, capões, gansos, perus, porcos, bezerros ), grande preferência tinha a caça como faisões, patos, veados e javalis, e acompanhamentos de pães brancos, ovos cozidos e queijos variados.

As verduras e os legumes eram colocados marginalmente nas mesas dos ricos, de fato os médicos não aconselhavam muito estas pobres refeições, consideradas na época poucos digeríveis para os estômagos dos poderosos.

O mel, único adoçante conhecido, era consumido a vontade.

As especiarias, raras e caras, tais como a noz moscada, a canela, o cravo e a pimenta do reino, tinham uma presença importante na casa dos nobres.

De fato elas além de conservar carnes por muito mais tempo, quando acompanhadas com pedaços de bacon doavam maior maciez e enriqueciam o sabor dos alimentos.

 

 

A comida dos monges

 

A idéia da privação da comida, um regime alimentar absolutamente essencial e vigiado, está na base da concepção de vida religiosa dos tempos medievais.

Se a abundancia de comida é símbolo de poder das armas, o jejum torna-se sinônimo de espiritualidade e misticismo.

Na cultura medieval, o corpo impede a elevação para Deus, segurando os homens aos desejos e pulsões que mortificavam as almas.

A carne era o primeiro alimento que precisava ser afastado, porque interpretava melhor a força e a potencia dos guerreiros e, conseguintemente, das guerras.

Comer para os monges significava um momento de coletividade, momentos que podiam curtir uma vez por dia, duas vezes nos dias festivos.

O almoço, rigorosamente a meio-dia, previa legumes e sopa de verduras, mais um terceiro prato, um rodízio em dias alternados composto de ovos, peixes, queijos e verduras.

Nos dias festivos as refeições eram duas, visto que o trabalho era maior.

Vinho e pão nunca faltavam.

A janta, bem simples, era baseada nos restos do almoço junto à fruta da época.

De qualquer forma a carne, afastada desde o século X e substituída por peixe, ovos, legumes e queijos, tende a comparecer na metade do século seguinte, quando a presença de aristocráticos entre os religiosos é sempre mais forte.

Nos numerosos dias de festas do século XI, a carne, especialmente de porco, é presente nas refeições dos conventos e cozinhada em varias maneiras.

Após o 1100 os trabalhos religiosos começaram a multiplicarem-se, os patrimônios eram sempre maiores e as propriedades terreiras aumentavam todo dia.

Isto levou o monge a afastar-se da frugalidade das refeições, dando espaço a abundancia e grande variedade de comida.

As cozinhas, cada vez maiores, eram um lugar de prosperidade, de felicidade e de prazer.

A gula se encontra com a luxuria, os dois pecados condenados pelo Cristianismo e que muita vez o imaginário medieval evidencia e torna comum.

 

 

Alguma curiosidade medieval

 

- Como já descrito na Idade Media a alimentação dos nobres era rica de caça e temperada com especiarias caras e especiais, muitas delas importadas dos paises orientais pela então já riquíssima e mais gloriosa republica marinhara: Veneza.

A alimentação dos camponeses era bem mais pobre, baseada em alimentos simples e que substituíam a carne.

Com as melhorias da agricultura, os homens da roça nutriam-se de cereais e sopas variadas, o pão sempre presente era preto e preparado a cada 15 dias.

Para fazer o pão os pobres misturavam farinhas de vários cereais ou também legumes, como centeio, cevada, castanhas, lentilhas, milho, ou bolotas, a comida preferida dos porcos.

Nos tempos de carestia procurava-se fazer pão até com cortiça de arvores, palha, qualquer coisa em suma que podia transformar-se em uma espécie de farinha.

Para os mais ricos também o pão era um alimento diário, mas o preferiam branco, com trigo de qualidade.

Na Idade Media o povo adorava perfumes e sabores um pouco como nos dias atuais, a grande diferença eram as combinações diferentes como azedo-doce, doce-saugada, doce-picante etc., talvez estas esquisitas combinações de colocar pratos na mesa eram devidas ao grande utilizo das especiarias de todo tipo.

No século XIV com a chegada dos primeiros livros de receitas, as famílias nobres começaram criar combinações mais lógicas e digeríveis.

 

 

- Na mesa do banquete a cadeira do Senhor era a mais elevada, todos os outros normalmente sentavam em banquinhos.

Utilizavam-se bandejas de prata e taças de ouro, isso para receber na melhor forma possível inteiros javalis assados, omeletes de centenas de ovos, jarras enormes de vinho e fruteiras cheias de ameixas, cerejas, pêssegos, figos, nozes, pêras, maças, melões e melancias.

Em plena Idade Media chegou também uma esquisita ferramenta chamada na época Bi-dente de ouro, que demorou muitos séculos para conquistar o mundo inteiro até consagrar-se atualmente como garfo.

Este bi-dente como o nome fala, tinha apenas duas pontas, mas era reservado apenas as mulheres, porque para os homens era um sinal de fraqueza.

De fato o sexo forte medieval comia com as mãos, depois as refeições limpava-se em água de rosas ( nas casas mais elegantes ), em um pano especial, na própria roupa, ou até no pelo dos cachorros que rodavam numerosos a mesa, esperando alguns restinhos de comida.

As regras de bom comportamento para participar em um banquete eram varias: não cuspir na mesa, manter as unhas cortadas e limpas, após soprar a nariz limparem-se os dedos não na toalha da mesa, mas na própria roupa.

Outra solução era comer em cima de toalhas gigantescas feitas com farinha de trigo, uma espécie de grande pizza.

No fim do banquete se enrolava esta enorme massa com todos os restos da comida e entregavam-se aos pobres que, pacientemente, aguardavam fora da residência.

 

- Restrições na caça existiam também na época medieval, de fato até naquela época o homem conseguia criar grandes estragos no equilíbrio ambiental.

Essas restrições eram presentes especialmente nos paises com maior densidade de população como a França, a Inglaterra, a Alemanha e a Itália.

Em outros paises como a Espanha ou alguns da Europa oriental não precisou chegar a este tipo de limitações.

As florestas eram cheias de animais caçados impiedosamente, até apenas pelo gosto de matar, mas com o passar do tempo à diminuição da caça levou o homem medieval a criar rebanhos de animais mais comuns como vacas, ovelhas, cabras etc.

A caça por isso tornou-se um esporte destinado apenas para os ricos que podiam enfrentar as despesas, e parou de representar o natural sistema da procura de comida por parte dos habitantes da roça.

 

- A pesca também era muito importante para a população medieval.

Especialmente nos mares do Norte da Europa a pesca e a preparação de peixes salgados ou defumados, constituíam um ótimo negocio para pescadores e comerciantes.

Os marinheiros caçavam baleias, focas, triquegos, para obter peles, banhas e dentes.

Na terra se pescava nos rios ou em pescarias bem realizadas.

A chegada do peixe nas cidades ( normalmente sempre de sexta-feira ) era uma autentica festa, seja para os expertos comerciantes que para os gulosos ricos que gastavam autenticas fortunas.

Por lei, tudo o peixe que sobrava era entregue de graça aos pobres, isso para evitar que as famílias nobres podiam encontrar na semana seguinte, peixe já vencido ou em condições duvidosas.

 

- A diferença entre os dias normais e os festivos era muito grande do ponto de vista alimentar, especialmente nas residências nobres.

Nas casas dos ricos de fato nos dias de comemoração as compras eram feitas de jeito desproporcional: muita mais carne valiosa, quantias enormes de pães, vinho e fruta da época à vontade.

Os poderosos homens medievais começavam a caçar alguns dias ( até semanas ) antes do banquete.

No caso de alguma especifica festa religiosa o consumo era ritual: lasanha no dia de Natal, farro no Carnaval, cordeiro na Páscoa, ovos e queijos na Ascensão, ganso em Todos os Santos.

 

- Um dos testemunhos mais interessantes da época medieval é representada das herbários, manuscritos com as qualidades terapêuticas das ervas ou plantas então conhecidas, promovendo as vantagens que o utilizo delas dava pela saúde.

Vamos ver algum exemplo:

Trigo : indicado para sarar as ulceras;

Centeio : calmante e sedativo ;

Milho : para quem precisa refrescar;

Acelga : o suco dela tira a caspa do couro cabeludo :

Abobrinha : alivia a sede e faz bem aos coléricos ;

Pepino : abaixa a febre;

Melancia : abaixa a febre e sara as vias urinarias;

Cenoura e erva doce : bom para melhorar a vista.

 

- As especiarias mais conhecidas da época eram a canela, o cravo, o gengibre, a noz moscada, o açafrão e a pimenta do reino.

Eram excelentes para saborear os alimentos ( carnes especialmente ) e contribuíam a conservação deles.

Não apenas por isso porém, de fato algumas especiarias como a anis, o zimbro ou junipero e o cominho, eram muito utilizadas na preparação de elixir, tônicos e licores.

A pimenta do reino era conhecida também como ótimo desinfetante intestinal.

Os mercantes da época ganharam muito com as especiarias, porque pelo transporte o peso e o incomodo era baixo, e o lucro era enorme, visto que os ricos eram dispostos a gastar qualquer valor para comprá-las.

As especiarias foram às protagonistas absolutas do comercio marítimo até o século XVII, assim como o sal, muito utilizado na cozinha a nas farmácias desde a época medieval.

Hoje o sal é um produto comum e barato, mas na Idade Media era raro, muito caro e os governos taxavam impiedosamente o consumo.

Veneza tornou-se a cidade mais rica do mundo no século XV, quando a principal atividade dos venezianos era a exploração das salinas e o sal era utilizado como moeda ou como meio de troca.

O sal exaltava o sabor dos alimentos, permitia a conservação das carnes e dos peixes, além disso, era considerado um reconstituinte do sangue, uma substancia capaz de revigorar pele e músculos, e utilizado também na corta de peles animais.

O valor do sal era estritamente ligado também às tradições mágicas e religiosas, tanto que o caráter sacro e mágico do sal é a origem de muitas credencias populares existentes ainda hoje, como aquela de considerar um sinal de sorte ou azar, a segunda dos casos, espalhar ou desperdiçar sal.

 

 

Palavras-chave: Alimentação | Medieval | Idade | Media
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