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A ameaça aos fabricantes de displays
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Atualizado em 07/08/2008







Vários fabricantes de displays estão descobrindo que a batalha nesta competitiva era de preços em queda pode não valer a pena. Nestes tempos de TV high-tech, esta é uma lição já conhecida dos fabricantes de computadores: alinhe-se com os preços baixos, ou caia fora!







Um dos gigantes do setor, a japonesa Fujitsu, acaba de optar pela segunda alternativa. Em fevereiro último, o grupo anunciou que estava vendendo seus interesses na joint-venture Fujitsu Hitachi Plasma (FHP), formada seis anos atrás para a fabricação de painéis de plasma. Além de se desfazer de 30,1% de suas ações no negócio, deixando a Hitachi com 80,1% de tudo, a Fujitsu também transferiu várias de suas patentes de plasma ? ela que foi praticamente a introdutora dessa tecnologia, anos atrás.



Foi mais uma gigante dos eletrônicos a demonstrar como tornou-se desconfortável conviver com a queda vertiginosa nos preços dos TVs high-tech. Ano passado, a NEC também vendeu sua participação num negócio semelhante para a Pioneer, alegando que não conseguia manter linhas de produção competitivas. Foi uma sábia decisão, como se vê agora, quando os preços desse tipo de equipamento têm queda média estimada em 30% ? já se fala que alguns modelos chegarão ao final do ano abaixo dos US$ 1.000 no mercado americano.







Mas será que a decisão da Fujitsu significa que o grupo vai simplesmente jogar a toalha? Não é bem assim. Sua subsidiária, a Fujitsu General, continuará vendendo displays de plasma através de sua rede de distribuidores. Mas os painéis que estão dentro desses TVs agora passam a ser fornecidos por outras empresas. Executivos do grupo dizem que não podem mais conviver com um mercado direcionado pelos preços baixos e margens cada vez mais apertadas. ?A cada trimestre os preços caem 25%?, explicou Nick Hayashi, gerente do escritório da Fujitsu em Nova York.



Os TVs high-tech estão seguindo a mesma tendência que atingiu o segmento de PCs há dez anos. Diversos fabricantes brigavam no mercado, mas o rápido declínio dos preços forçou a maioria deles a sair de cena no final dos anos 90. Hoje, a Dell é a única consistentemente lucrativa. Mesmo a poderosa IBM saiu fora ao anunciar a venda de sua fábrica para a chinesa Lenovo.



Claro que o mercado de TVs high-tech ainda está muito no começo, comparado com o de PCs, mas é claro também que ambos os negócios são similares. Enquanto os preços do plasma caem, os fabricantes se vêem também pressionados pela concorrência com outros dois tipos de TV: LCD e DLP. Fabricar um TV LCD é algo muito parecido com a linha de montagem dos chips de computador. Assim como as fábricas de chips conseguem produzir componentes cada vez mais rápidos pelo mesmo preço de seus antecessores, cada nova geração de fábricas de LCD entrega volumes maiores, com telas maiores, pelas mesmas margens.







Na faixa de preço mais baixa, o sucesso dos chamados microdisplays de retroprojeção foi ?muito além do que todos esperavam?, diz Riddhi Patel, analista de mercado da empresa iSuppli. As vendas de plasmas, que ainda dominam o segmento de 42 polegadas (tido como o ?tamanho ideal? para TVs dessa categoria), estão sendo pressionadas por LCDs menores e TVs de retroprojeção maiores. ?O que antes era falta hoje é excesso?, explica Patel. Acrescente-se aos problemas do plasma o fato de que trata-se de uma tecnologia menos flexível que as concorrentes.



Tudo isso significa uma tempestade no mercado. Entre os fabricantes de plasma, sabe-se que Samsung e LG estão se dando bem. A Fujitsu Hitachi era o principal fornecedor no início de 2004, mas caiu para quarto lugar este ano, de acordo com a iSuppli. As duas coreanas, que agiram agressivamente para aumentar a produção e baixar os preços, hoje lideram o segmento.



?Os modelos da Fujitsu são os mais bonitos já lançados, mas também se tornaram os mais caros?, comenta Bob O?Donnell, analista da IDC. ?E a Fujitsu não deve querer competir num mercado onde tudo gira em torno do preço?. Mas a empresa japonesa não é a única a pular fora do negócio de fabricação de painéis ? e certamente não será a última, conforme esse mercado for se tornando mais e mais acirrado. ?É uma grande aposta das empresas direcionar suas estratégias para o HDTV?, diz Ted Schadler, analista da Forrester, outra empresa de pesquisas de mercado. Vamos ver agora uma consolidação do setor: as empresas que acreditam poder fazer dinheiro continuarão; as demais cairão fora?.



* © CNET







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