O que aconteceria se você pudesse escolher e pagar apenas pelos canais de cabo que você quer em vez de ter de adquirir um pacote? E se você pudesse pedir, apenas a CNN, a ESPN e o Travel Channel, sem ter de adquirir uma dúzia de outros serviços que você não quer e nunca assiste? Dependendo de com quem você conversa, quem assina o seu contracheque, e de que país você é, a resposta que você receberá varia de um simples alerta até à total destruição da indústria do cabo, passando por um apelo apaixonado pelos direitos do consumidor.
Quinze dias atrás, o FCC (Federal Communications Commission, órgão que regula as telecomunicações nos EUA) ouviu um bocado de ambos os lados da questão durante um debate motivado pela discussão, liderada pelo Senador John McCain, que está investigando a possibilidade de oferecer serviços a la carte de seleção de canais nos EUA. O relatório do FCC e as recomendações sobre o tema devem ser discutidos novamente no congresso em novembro.
Dificilmente um tema tão controverso será aprovado em um ano eleitoral.
Mas uma coisa é certa: o tema não sairá das mentes tão cedo. Os consumidores querem a possibilidade da escolha e os defensores dos serviços a la carte dariam aos consumidores a possibilidade de selecionar o que querem e se livrar de pagar tarifas indesejadas.
No coração da disputa, os que se opõem a essa idéia argumentam que a mudança traria custos proibitivos, além do que o modelo de negócio das redes de cabo consiste em duas fontes de recursos: assinaturas e anúncios. Separar os pacotes mudaria drasticamente o modelo publicitário, reduzindo a forma pelas quais as redes vendem seu espaço.
Muito do que se ouviu no FCC quinze dias atrás focou nos problemas tecnológicos dos serviços a la carte, sobre como as empresas deveriam investir bilhões de dólares nos decodificadores para selecionar canais individuais. Mas isso é questionável. Conversei com Jean-Paul Galerneau, gerente de comunicações da Videotron, uma empresa de cabo canadense que oferece serviços de seleção a la carte há dois anos. Ele afirma que a sua companhia não precisou mudar nada na infra-estrutura para oferecer o serviço.
Clientes da Videotron podem mudar sua seleção de canais todos os meses, bastando acionar uma central de serviços ao consumidor ou pelo website da empresa.
Um breve telefonema para a Scientific Atlanta? o fabricante dos decodificadores usados pela Videotron e um dos principais fornecedores nos EUA ? confirmou que a oferta a la carte não traz nenhuma mudança para os decodificadores Claro, mudar para um modelo mais seletivo terá custos de treinamento e marketing, mas bem aquém dos US$ 17 bilhões ou US$ 34 bilhões estimados pela indústria. Outra questão é o modelo de concentração de mídia em grandes conglomerados, o que inibe o interesse empresarial em desmembrar pacotes ou mudar seus modelos de negócio. Mas o que é inegável é que os custos crescentes das assinaturas e o debate pela preferência do consumidor faz a indústria do cabo ficar na alça de mira. E já está claro que o alto custo tecnológico da transição que eles usam como argumento de defesa não é o que parece.
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