Áudio no DVD, um campo minado de formatos
DVD áudio é uma expressão simples, porém com muitos
significados. As gravadoras Chesky e Classic vem oferecendo discos populares com
áudio 96kHz, 24-bit como Hobo de Sara K e Four Marys, de Rebecca Pidgeon já
há algum tempo. Os discos Chesky Super Audio DVD e Classic DAD podem ser
executados em qualquer aparelho de DVD-Video, porém não são discos DVD-Audio...
Para entender as diferenças, nós devemos examinar as diferenças entre os dois
formatos no que se refere a áudio.
Assim como existem vários tipos de Compact Discs (CD-V,
CD-DA, CD-R, etc.), também existem vários tipos de DVD. Para fins de áudio e
vídeo, são basicamente dois formatos: DVD-Video e DVD-Audio.
Todos os DVD players disponíveis no mercado são capazes
de reproduzir discos DVD-Video. Estes discos contém vídeo e áudio porque filmes,
concertos e programas de TV obviamente possuem trilhas de áudio e imagens. Para
confundir ainda mais, os discos DVD-Video podem ter quatro tipos de formatos de
áudio. São eles: PCM, Dolby Digital (um destes formatos é obrigatório em todos
os discos), DTS e MPEG-Audio.
Dolby Digital, DTS e MPEG-Audio são formatos com
perdas, que significa que parte da informação de áudio é perdida na
codificação, que é necessária para fazer com que as trilhas caibam no disco. O
PCM é um formato sem perdas e tem a mesma estrutura que você pode encontrar nos
Compact Discs. Todos os DVD players podem reproduzir trilhas Dolby Digital e PCM.
DTS e MPEG-Audio são opcionais, porém reproduzidas pela maioria dos aparelhos.
Os CDs convencionais são reproduzidos por todos os aparelhos.
O PCM do DVD-Video é diferente do PCM utilizado nos Compact Discs por causa da
amostragem e quantização utilizadas. O CD, segundo as especificações Red Book,
utiliza taxas de 44.1 kHz e 16 bits, enquanto o DVD-Video utiliza 48 kHz a 96
kHz, com quantização de até 24 bits. Ambos, pelo menos teoricamente, oferecem
qualidade de áudio superior a obtida com CDs convencionais. O PCM nos discos
DVD-Video pode oferecer até oito canais, porém com taxas de transmissão de até
6,1 Mb/s, as taxas de amostragem e quantização são limitadas quando utilizadas.
Até hoje não conhecemos discos DVD-Video com mais de dois canais PCM.
Para proteger direitos autorais, as trilhas PCM 96/24 não podem sair dos players
DVD-Video no formato digital. Entretanto é permitido que o player tenha
conversores analógico-digitais internos 96/24. Toda esta resolução está
supostamente disponível através das saídas analógicas. Digo supostamente
porque nenhuma tecnologia de DAC atual é capaz de tirar proveito do alcance
dinâmico de 24 bits. Alguns DVD players contrariam a regra, como os fabricados
pela Pioneer, por exemplo. Segundo ela, 96/24 pode ser obtido nas saídas
digital, ignorando o copyright. Se a informação é correta, não sabemos,
especialmente porque outros fabricantes não seguiram o mesmo caminho.
Além dos players da Pioneer (não consegui encontrar um que disponibilizasse
96/24 digitalmente), existem players 96/24 da Theta (que utiliza transportes OEM
da Pioneer) e pelo menos um modelo da Denon, o DVM-3700. Alguns players podem
receber upgrades da MSB, veja o site da empresa para maiores detalhes :
http://www.msbtech.com.
O DVD-Audio verdadeiro é totalmente diferente.
Normalmente não há vídeo nos discos DVD-A, além dos menus estáticos com
biografias, etc., somente dezesseis gráficos estáticos com transições limitadas
são permitidos em cada trilha. Por isso, concentrou-se na porção de áudio do
sinal. O PCM é obrigatório, com taxas de amostragem entre 44.1 e 192 kHz e
quantização de 16, 20 ou 24 bits, fornecendo até seis canais independentes.
Canais individuais podem ter taxas diferentes. A taxa de transferência máxima é
de 9.6 Mb/s e o áudio gravado em 176.4 e 192 kHz. - ambos raros de encontrar -
está limitado a dois canais. Até sessenta e sete minutos de áudio podem ser
armazenados em cada camada.
Com espaço e taxa de transferência limitados, os discos
DVD-A utilizam um esquema de compressão sem perdas chamado MLP (Meridian
Lossless Packing), um sistema desenvolvido pela Meridian Audio inglesa e agora
licenciado pela Dolby. O MLP remove dados redundantes do sinal de áudio sem
afetar o próprio sinal. Em uma analogia com o mundo da informática, seria como a
compressão ZIP. Uma gravação MLP 96/24 com seis canais pode ter até duas horas e
quinze minutos de duração em um disco de camada simples. Dolby Digital,
MPEG-Audio e DTS são formatos opcionais nos discos DVD-A, mas se o título tem
conteúdo de vídeo associado, o Dolby Digital é obrigatório.
É claro que os discos DVD-Audio devem ser formatados de
forma diferente dos discos DVD-Video, portanto uma nova geração de players
compatíveis é necessária. Além disso, o DVD-Audio está cercado por questões de
copyright e criptografia, portanto é difícil afirmar quando o formato vai
conquistar o mercado.
A incompatibilidade entre os players DVD-Video e DVD-Audio é um assunto que
envolve a criação dos discos, mas também o tipo de portadora de áudio utilizada.
O MLP é um formato totalmente novo, portanto o hardware em um player DVD-Video
não tem a mínima idéia do que é o MLP. O PCM é familiar, mas só com dois canais.
As primeiras gerações de players DVD-Audo não tem saídas universais PCM, para
evitar copias ilegais elas vão ter inicialmente algum tipo de criptografia para
que o player converse com o DAC. Isto significa que, se você comprar um player
Pioneer, você terá que possuir um processador Pioneer...o que não é boa notícia.
O Content Scrambling System (CSS), o esquema de criptografia oficial do DVD
(afetando DVD-V e DVD-A), foi quebrado, atrasando a definição de um padrão de
saída digital para o DVD-A (até hoje utiliza-se conexões analógicas para os seis
canais). Como a interface SPDIF utilizada pelos DVD players e receivers não é
capaz de transmitir os dados do DVD-A, ficou estabelecido que os futuros players
vão utilizar o padrão Firewire de transmissão.
Não esqueça o SACD. Não é um formato oficial de DVD, apesar de parecer um.
Utiliza um esquema de compressão de áudio totalmente diferente.
Em que categorias o discos DAD da Classic Records e os
discos da Chesky estariam? Ambos contém PCM 96/24 em discos compatíveis com
DVD-Video, portanto é claro que são, de fato, DVD-Video, produzidos com os
padrões determinados para este tipo de disco, apenas tirando proveito do
potencial de áudio da mídia. Os títulos da Classic Records contém imagens
estáticas. A Chesky anunciou recentemente que não irá mais lançar discos
DVD-Video PCM 96/24 e só colocará no mercado discos DVD-Audio.
Os discos da Chesky e Classic podem ser reproduzidos de
quatro maneiras diferentes. Aqui estão elas, em ordem inversa de preferência. 1)
Em um player DVD-Video convencional através das saídas analógicas. 2) Em um
player DVD-Video convencional com saída digital convertida para 48kHz (downsample)
e um DAC externo, processador ou receiver. 3) Em um player DVD-Video com DACs
96/24 e saídas analógicas. 4) Em um player DVD-Video capaz de oferecer saídas
com sinal 96 kHz digitalmente e utilizando um DAC externo 96/24, processador ou
receiver. Note que, na opção 3, a maioria dos processadores, receivers e prés
para HT (amaha DSP-A1, Classé SSP-25, Classé SSP-75 e o Bryston SP-1 são
exceções) aplicam conversão A/D nas saídas analógicas seguida de um estágio D/A
final em suas saídas, ambas comprometendo a qualidade de reprodução.
Stuart M. Robinson
Fonte: SMR-Home-Theatre
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