Os sistemas de ignição para motores gasolina/alcool/gas , já utilizam em quase sua totalidade o processo mais conhecido por BOBINA DUPLA . Vou explicar aqui em poucas palavras o que significa isto.
No sistema tradicional (antigo) uma ÚNICA BOBINA de ignição é "chaveada" para emitir a ALTA VOLTAGEM necessária para produzir uma faísca na(s) vela(s) do motor . Neste processo , este sinal de ALTA VOLTAGEM é "direcionado" para a vela adequada (motores de 4 cilindros possuem 4 velas) pelo componente MECÂNICO conhecido por DISTRIBUIDOR , onde um cachimbo giratorio aponta para o cabo de vela próprio . Muitos inconvenientes (desgaste das peças , êrros mecanicos , etc) levaram ao aprimoramento desse sistema mecânico para um sistema ELETRÔNICO , mais preciso e menos sujeito a panes .
Surgiu então os sistemas sem DISTRIBUIDOR !!! . Pergunta: mas quem direciona a ALTA VOLTAGEM para a vela adequada ?? Simples: ao inves de se utilizar uma ÚNICA bobina para produzir a faisca direcionada aos cilindros (normalmente 4) , utiliza-se duas bobinas ou as conhecidas BOBINAS DUPLAS , onde cada uma delas é responsavel pela emissão de 01 (uma) faisca simultanea a 02 (dois) dos cilindros (normalmente 1-3 e 2-4) . Assim ocorre que sempre um dos cilindros (1-3 ou 2-4) estará posicionado no ponto de ignição (ponto morto superior já com a mistura ar+combustivel) . Em contrapartida ... o outro cilindro que "também" vai receber a faisca será "inerte" a ela , pois estara no ponto morto inferior , portanto esta segunda faisca é conhecida como "faisca morta" . Vejam as vantagens desse sistema: não existem mais peças moveis (distribuidor/ cachimbo) , a eficiência aumentou , o ajuste do avanço é inteiramente controlado pelo sistema eletrônico do veículo .
Como cada uma das bobinas (bobina dupla) emite faisca p/ somente 2 cilindros , o sinal corresponde exatamente a METADE das rotações por minuto (RPM) . Para acionar um contagiros externo (não original do veiculo) corretamente , agora é necessario utilizar um TOTALIZADOR de pulsos (conversor de pulsos) , assim como o produto que oferecemos pelo ML .
Como eu identifico uma BOBINA DUPLA ELETRÔNICA ??
Normalmente existem alguns aspéctos técnicos que permitem identificar a bobina eletronica:
1) Ela possue os fios de alimentação (12V da bateria e terra de potencia) bem grossos , enquanto que os 2 fios de comando podem ser finos : total 4 fios no conector.
2) Ela é plastica , mas possue areas metalicas como um dissipador de calor , que permite a troca de calor dos sistemas de chaveamento interno .
3) A bobina dupla eletronica normalmente designada por 2x2E é mais "cara" (maior preço) do que uma bobina dupla 2x2 convencional (plástica).
Quais os problemas mais comuns que podem ocorrer em uma bobina dupla ??
Normalmente , a mais provável ocorrência de problemas internos nas bobinas plásticas convencionais é a QUEIMA DO SECUNDARIO . O enrolamento secundário é constituido por muitas espiras de fio de cobre necessário para gerar a ALTA VOLTAGEM (6.000 volts ou muito mais !!! ) que alimenta a vela de ignição - gerando uma faisca entre os eletrodos . Este enrolamento secundário apesar de todas as precauções do fabricante , é o mais vulneravel a problemas , seja pela perda de isolação , aquecimento , carbonização , etc . Com a queima do secundário , não vai mais existir a faisca em um jogo (2) de cilindros , resultando falha ou mesmo parada total do motor .
É possível "testar" uma bobina dupla ??
Sim , as bobinas plásticas tradicionais (não eletrônicas) pode ser testadas com um simples ohmimetro (multitester) . No primário das bobinas (são dois) a leitura ohmica (resistencia dos fios) sempre será "baixíssima" - da ordem dos 0,50 ohms . Essa medição deve ser feita de cada um dos primários p/ o "positivo" (+12v) . Importante: desconecte o chicote da bobina , ou faça o teste em bancada . Muito improvavel um enrolamento primário "abrir" , pois ele é constituido de fios grossos . A medição p/ o secundario deve ser feita do "pino" de alta voltagem (conector do cabo de vela) p/ o positivo , e vai acusar sempre valores ohmicos ALTOS aprox. 10 kilo-ohms (10.000 ohms !) ou mais . Um secundario aberto vai acusar resistência ohmica infinita . Veja que cada secundário sempre alimenta um PAR DE CABOS de vela .
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