O Brasil subiu um posição no ranking anual que avalia a predisposição de 70 países às oportunidades de negócios baseados na Internet, de acordo com a IBM Corp e a Unidade de Inteligência do Economist. Os Estados Unidos conquistou a liderança neste ano, ultrapassando a Dinamarca, que estava há quatro anos consecutivos como o país de maior e-readiness. Hong Kong vem em segundo colocado e Suécia, em terceiro.
O Brasil ficou em 42º lugar neste ano em relação ao ano passado, quando estava em 43º. O país também melhorou na pontuação geral: tem 5,65 pontos sendo que no ano passado teve 5,45. O aumento de colocação foi conquistado graças à melhoria no item "conectividade e infra-estrutura de tecnologia" e "desenvolvimento cultural e social." Da região, o Brasil superou a Argentina, Peru, Venezuela, Colômbia e Equador.
O gap digital entre os líderes e as camadas mais baixas continua a diminuir, mas de modo mais lento. A pontuação de e-readiness dos 70 países no ranking desse ano subiu para 6,39 (em uma escala de 1 a 10), e era 6,24 em 2007.
Esse progresso geral, entretanto, esconde alguns retrocessos em alguns países, principalmente nos dez primeiros. Depois de quatro anos consecutivos como o país de maior e-readiness, a Dinamarca caiu quatro posições, o que também ocorreu com a Suíça. Os Estados Unidos são agora o líder global de e-readiness, com uma pontuação de 8,95, seguidos de perto por Hong Kong, que avançou duas posições.
Manter o impulso de desenvolvimento digital é obviamente bem difícil. Os líderes de TIC europeus não têm se mostrado capazes, em algumas áreas, de manter o ritmo acelerado de desenvolvimento que eles haviam estabelecido anteriormente.
Tanto a Finlândia quanto a Dinamarca, por exemplo, não foram capazes de manter os níveis anteriores de investimentos em TIC, ou de melhorar o acesso corporativo e público a canais digitais. Em comparação, os países que avançaram nas dez primeiras posições conseguiram isso em grande parte devido a melhorias de conectividade, no acesso à banda larga tanto wireless quanto fixa, bem como em seus ambientes de inovação.
?As economias digitalmente mais desenvolvidas do mundo ? e muitas das menos desenvolvidas ? continuam a registrar ganhos impressionantes na ampliação do acesso a TIC e no oferecimento de serviços digitais para a população?, disse Robin Bew, diretor editorial da Economist Intelligence Unit. ?É um trabalho árduo manter esse progresso, entretanto, e mesmo os líderes têm de se esforçar muito para transformar esses ganhos em efetivos benefícios sociais e econômicos?.
O ritmo de aprimoramentos na conectividade em alguns países em desenvolvimento, particularmente na América Latina, é alarmantemente lento. Entretanto, outros países com posições mais baixas, tais como a Arábia Saudita, Tailândia e Egito, melhoraram suas posições graças, principalmente, ao progresso mais rápido em conectividade.
?Em nossa pesquisa identificamos três camadas de países dentro da classificação de e-readiness: líderes estabelecidos, países que adotam tecnologias mais rapidamente e os retardatários?, disse Peter Korsten, Líder Global do Instituto IBM de Valor de Negócios. ?Esses grupos permaneceram relativamente constantes, mas as melhorias mais impressionantes foram registradas pelos ?retardatários?, conforme exemplificado por países tais como Tailândia, Peru e Romênia, que subiram até 17 posições entre 2001 e 2008?.
Desde 2000, a Economist Intelligence Unit publica anualmente uma classificação de e-readiness das maiores economias do mundo, usando um modelo desenvolvido juntamente com o IBM Institute for Business Value. O ?e-readiness? de um país é uma medida de seu ambiente de negócios eletrônicos: um conjunto de fatores que indica quão aberto é um mercado a oportunidades baseadas na Internet. Cada vez mais, trata-se também de como indivíduos e empresas consomem bens e serviços digitais.
O estudo de 2008 identifica diversos princípios norteadores que os criadores de políticas podem usar para avaliar as oportunidades de avanço de e-readiness em seus países:
Deixe que o mercado se desenvolva - Os competitivos mercados de telecomunicações e de serviços de Internet são mais eficientes do que os governos para desenvolver redes e encontrar preços acessíveis para os consumidores. Os governos e agências regulatórias devem permitir que as forças de mercado determinem o curso da economia digital, e precisam resistir ao impulso de levar a indústria de TIC para direções específicas de tecnologias.
Intervenha quando necessário - Os governos precisam, ao mesmo tempo, garantir que os investimentos cheguem até os membros da sociedade que não têm acesso digital. Comunidades pobres e rurais, por exemplo, tendem a serem deixadas para trás se os provedores de serviços seguirem um caminho puramente direcionado ao mercado.
Lideres pelo exemplo - Nos países mais pobres, os governos devem procurar formas pioneiras de adotar as práticas digitais, que outras organizações e indivíduos possam replicar. Os governos também podem criar demanda por tecnologias e serviços digitais, tanto através de suas próprias compras diretas como pela criação de canais adicionais para compras, declarações fiscais e outras operações.
Não tente fazer tudo sozinho - Os governos precisam defender o desenvolvimento digital, financiar sua própria infra-estrutura de TIC, regularizar de forma discreta e encorajar outros a adotar a tecnologia. Mas eles também precisam atuar modestamente, se quiserem promover a economia digital.
Continue tentando - Como mostra a classificação desse ano, é muito fácil regredir nos objetivos digitais mais estratégicos, e assim perder parte do terreno ganho na construção de redes e comunidades. O mundo de e-readiness é um lugar com alvos em contínuo movimento, em que políticas e práticas precisam ser revisadas e renovadas freqüentemente para atender aos desejos das comunidades atendidas pelos governos.
Como as pontuações foram calculadas
Aproximadamente 100 critérios quantitativos e qualitativos, organizados em seis categorias distintas, são usados no cálculo de classificações de e-readiness. As seis categorias (e seu peso no modelo) são: infra-estrutura de tecnologia e conectividade (20%); ambiente de negócios (15%); ambiente social e cultural (15%); ambiente jurídico e de políticas (10%); visão e política do governo (15%); e adoção por empresas e consumidores (25%).
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