Um professor da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), de Santa Catarina, desenvolveu a bengala eletrônica voltada para deficientes visuais. Equipada com sensores semelhantes a um sonar o dispositivo avisa ao usuário, por meio de vibrações no próprio cabo, a existência e a localização de obstáculos.
Segundo o professor Alejandro Garcia, criador do projeto, a bengala eletrônica brasileira já tem protótipo pronto para ser apresentado a empresas. Há um similar importado que custa cerca de US$1,4 mil. A previsão é que a nacional fique em torno de R$ 500.
O projeto começou em 2003, quando Garcia entrou em contato com a ACIC (Associação Catarinense para Integração do Cego). Lá foram realizados os testes dos protótipos, com a participação de alunos da instituição. Marcilene Alberton Ghisi, coordenadora pedagógica da ACIC e portadora de deficiência visual diz que dois pontos importantes foram passados como orientação para o desenvolvimento da bengala eletrônica: custo e aparência. "Hoje a opção para melhorar a mobilidade é o cão-guia, que é caro de manter e ainda sofre resistências, já que nem todo lugar aceita cachorro. Outra questão é que, no caso de acessórios, eles devem ser discretos, pois o deficiente visual já costuma chamar a atenção", conta Marcilene.
Na primeira versão do projeto, a parte eletrônica ficava separada em uma caixa colocada na cintura do usuário e um fio a conectava à bengala para produzir a vibração. Justamente para tornar o modelo mais amigável, no segundo protótipo a eletrônica é embarcada na pega da bengala, constituindo o diferencial ergonômico e funcional. O projeto recebeu cerca de R$ 30 mil da FINEP, por meio de um edital que selecionou 25 projetos de tecnologias voltadas para a inclusão de portadores de deficiências diversas.
"O apoio da FINEP foi decisivo. Estávamos com um projeto no papel para realizar uma mudança radical de estética e funcionalidade da bengala, mas o processo de criação não era barato. A FINEP deu o apoio que precisávamos" diz Alejandro. O projeto integra diversas áreas do conhecimento, como hardware e design, baseados na tecnologia conhecida como "haptics", ou realimentação tátil com auxílio de sensores e reuniu uma equipe de oito pesquisadores.
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