
No começo da era do DVD, qualquer um de nós que possuísse um aparelho exaltava seus méritos, porém éramos invariavelmente perguntados: Como você não pode gravar um disco?. CDs graváveis estavam se tornando populares na época, especialmente para computadores, então sabíamos que a gravação era possível. As pessoas estavam acostumadas a usar seus videocassetes para gravar programas de TV e para assistir a filmes pré-gravados, assim, parecia lógico que DVDs deveriam ser graváveis. Muitas pessoas diziam que não comprariam um aparelho de DVD enquanto não fosse possível gravar. O que aconteceu? Por que as vendas de DVD dispararam?Aconteceu que poucas pessoas realmente utilizavam seus videocassetes para gravar. Filmes pré-gravados tornaram-se tão abundantes e baratos para alugar ou comprar que não valia a pena o trabalho de gravar um filme da TV, como no início dos VCRs. Os filmes em DVD apareceram com melhor qualidade, mais baratos e com mais possibilidades que as fitas, quando inicialmente lançados. Assim, o DVD se tornou um suceso comercial, apenas como mídia pré-gravada.Em 1997, quando os DVDs foram lançados, fazê-los graváveis para o consumidor comum parecia uma tarefa impossível. Os custos de software e hardware chegavam a US$ 100.000. Também era necessária grande habilidade para rodar corretamente o sistema de compressão MPEG-2 e assim fazer um filme caber inteiro em um disco. Mas na CES (Consumer Electronics Show) de 1998, presenciei uma demonstração de um único chip (da C-Cube) que realizava a compressão MPEG-2 e tornava possível a gravação em PCs por US$500. Nos quatro anos que se passaram, vimos os preços dos gravadores de DVD caírem de $50.000 para $2.000.
Agora, gravadores para PCs custam cerca de $500. Apesar da queda de preços, esses gravadores permaneceram complexos o suficiente para necessitarem de algum conhecimento ou treinamento, como qualquer software. Pessoas com alguma noção técnica e entusiastas desde cedo compraram gravadores de DVD, mas os VCRs ainda têm o preço e a simplicidade a seu favor. Seu valor foi derrubado pelos PVRs (Personal Video Recorders), que usam disco rígido interno. Mas, se você quer gravar shows de TV ou mandar filmes caseiros para seus parentes, nada se compara à universalidade e preço das fitas de vídeo. Fabricantes de eletrônicos perceberam que para os gravadores de DVD realmente superarem o VCR, eles devem ser simples. E acessíveis.Por um preço médio de $999, o Philips DVDR985 foi o primeiro gravador de DVD a romper a barreira dos $1000 no mercado americano. A configuração inicial é mais simples que a de muitos VCRs, uma vez que há um programa especial para primeira instalação.
A maior parte desse processo envolve o escaneamento do sistema de cabo ou antena de TV da residência, através de um controle interno, para achar as estações disponíveis. O sistema até ajusta seu relógio interno através do sinal das redes mais populares (chega de relógios piscando), apesar de que em meu teste isso não foi feito de forma precisa.Depois do ajuste, você insere um disco virgem, sintoniza o canal desejado e aperta o a tecla RECORD, uma vez para cada 30 minutos. Voila! Gravação de um toque, como no VCR. O timer é bem parecido com o dos videocassetes, também. Você pode ajustá-lo para seis diferentes sessões de gravação. Elas podem ser em um horário, uma vez por semana no mesmo horário, ou de segunda a sexta no mesmo horário. Ou você pode ligar uma fonte de vídeo numa das saídas do aparelho e arquivar fitas antigas ou filmes caseiros. Se você é um fanático por estes últimos, pode plugar sua câmera portátil numa das saídas analógicas ou na saída i.
Link (IEEE 1394) digital e transferir seus filmes diretamente para DVD. O software da Philips também cuida da autoria dos discos para você. Ele cria um menu com uma imagem 3x4 dos primeiros segundos de cada gravação e as nomeia com data, hora, velocidade de gravação e duração de cada uma. Uma barra gráfica na lateral da tela mostra quanto do espaço físico do disco foi utilizado e, ar gravar, uma leitura numérica mostra quanto tempo ainda resta na velocidade de gravação corrente. Depois, outros menus simples permitem que você adicione nome para cada disco e sessão (title). Também é fácil dividir uma gravação em duas partes, ou cortar seu fim se for muito longo.Se você utilizar um disco regravável (DVD+RW), pode assisti-lo no Philips ou em alguns outros modelos. Não há um passo necessário para fechar o disco ou prepará-lo para reprodução. Essa é a grande vantagem do formato +RW. Só passei a gostar disso depois de usar o aparelho por algumas semanas e de saber mais sobre como outros sistemas de gravação em DVD funcionam.OUTROS SISTEMAS DE GRAVAÇÃO DE DVD?Se você acompanhar o desenvolvimento do DVD desde 1997, notará que existiam DOIS sistemas (um da Sony/Philips e outro da Toshiba/Time Warner).
Todo mundo achou que era uma história parecida com aquela antiga briga entre as fitas Betamax e VHS e previram um futuro estranho para o DVD. Mas a sensatez prevaleceu e formou-se um consórcio entre as companhias e donos de patentes (o DVD Forum) para se adotar um padrão mundial de DVD. O Forum foi originalmente formado por dez companhias (Hitachi, Matsushita, Mitsubishi, Pioneer, Philips, Sony, Thomson, Time Warner, Toshiba e JVC), mas agora envolve cerca de 230. E o padrão funcionou, de maneira inimaginável. Então, por que há mais de um sistema de gravação em DVD? A resposta longa caberia num livro, ou talvez num grande artigo. Mas a resposta mais simples tem duas partes: política e tecnologia. Política: companhias concorrentes gostariam que seu sistema prevalecesse para ganharem a corrida do ouro. Tecnologia: o padrão corrente de DVD foi projetado apenas para reprodução, sem muita atenção para gravação. Lembrem-se, VCRs começaram como uma tecnologia de gravação, somente depois se tornaram ferramentas de reprodução em maior escala.Existem três grandes sistemas de gravação em DVD atualmente disponíveis. O DVD-RAM é destinado a computadores, no qual os discos, como um HD, têm acesso aleatório e correção de erros em arquivos. A Panasonic utiliza esse sistema para gravação em vídeo e tem a vantagem de, como nos PVRs, você poder assistir a um programa enquanto ocorre a gravação de outro. Infelizmente, esses discos não podem ser reproduzidos em aparelhos de DVD convencionais ou drives DVD de computadores, somente naqueles apropriados para rodar discos DVD-RAM (que também tocam discos convencionais). Este formato é oficialmente aceito pelo DVD Forum (que administra o padrão de reprodução original), mas principalmente para se gravar dados. O DVD-RW (DVD traço RW) é um formato que já tem alguns anos e também é oficialmente sancionado pelo Forum. Possui várias formas de se gravar, duas das quais são compatíveis com a maioria dos aparelhos de reprodução disponíveis. DVD-RW é a forma regravável, assim como CD-RW; DVD-R aceita somente uma gravação, assim como o CD-R. O DVD-R foi projetado para ser compatível com a maioria dos aparelhos DVD-RW.
Este formato (uso o termo DVD-RW de maneira genérica) era mais caro que o primeiro quando lançado e foi mais utilizado por estúdios e para multimídia. Um grande número de companhias apóia este padrão, mas a Pioneer tomou a frente em sua promoção e desenvolvimento. Entre as companhias de computação, a Apple e a Compaq são grandes entusiastas do formato.DVD+RW é o sistema utilizado pela Philips no DVD-R985. DVD+RW é a forma regravável, enquanto DVD+R aceita somente uma gravação, feito para ser mais amplamente compatível. Além da Philips, este sistema é apoiado por Sony, Thomson, Yamaha, Mitsubishi, Ricoh, HP e Dell. Estas oito companhias se auto-intitulam DVD Alliance, e muitas delas também são membros do DVD Forum. Todos os discos gravados neste formato são projetados para reprodução em players convencionais e em computadores.COMPATIBILIDADE?A competição entre formatos de DVD não é como a guerra entre VHS e Betamax, porque um padrão de reprodução já existe. Mas, se você visitar algum forum de discussão na internet (por exemplo, www.avsforum.com), perceberá pessoas preocupadas com qual formato ganhará a guerra. Elas não querem estar do lado derrotado.
Isto causa medo, incerteza e dúvida entre os consumidores, e não é bom para nenhum novo produto. Mas qual, exatamente, é o problema?O problema chama-se compatibilidade. Se você grava um DVD em seu gravador, quer poder reproduzi-lo em outros aparelhos ou computadores. Se grava filmes caseiros, certamente quer mandá-los para a Tia Cotinha e o Tio Zé para que possam vê-los. Se está arquivando esses filmes, quer saber se em 10, 20 ou 30 anos poderá assisti-los, mesmo que o formato de gravação não exista mais. A maior dificuldade é a prensagem. Nem todos os leitores de DVD reproduzirão discos feitos nos dois formatos (DVD-RW e DVD+RW). Mas cerca de 75% dos aparelhos os reproduzirão, e essa porcentagem cresce com novos lançamentos. Esta situação é similar ao lançamento dos primeiros CDs graváveis (CD-R), quando havia apenas um formato disponível. Nem todos CD players ou computadores os liam. Hoje, como aparelhos mais antigos desapareceram, a compatibilidade deixou de ser um problema. Isto acontece novamente com DVD players mais antigos: uns lêem CD-Rs e outros não (e alguns ainda têm problemas com DVDs pré-gravados).
Mas agora muitos dos novos aparelhos de DVD lêem uma variedade de formatos, incluindo CD-R. A mesma coisa acontecerá com os DVD-R. Independente de formatos, muitos players e drives os lerão. E daqui a 10 anos é muito provável que quaisquer drives ópticos usados serão compatíveis com os formatos que temos agora. Lembre-se de que é muito mais fácil fazer com que um leitor óptico seja compatível com formatos ultrapassados do que fitas analógicas. Mas, com a rápida mudança de formatos, nada é certo. Sua mídia pode durar até 100 anos, mas haverá algo que possa reproduzi-la?Se você quiser saber algo mais sobre compatibilidade de discos/aparelhos, recomendo um artigo (DVD Compatibility Test) de Ralph LaBarge, na edição de julho de 2002 da revista DV (disponível em www.dv.com). Uma de suas maiores conclusões é de que os formatos DVD-RW e DVD+RW têm a mesma compatibilidade. O formato de gravação única DVD-R é compatível com a maioria dos players. O DVD+R ainda não foi testado de maneira satisfatória.
Ele também descobriu que a marca da mídia gravável é importante para a compatibilidade, pois há uma possível interação entre marcas e gravadores.Para ver uma lista de players compatíveis, o site www.vcdhelp.com tem um banco de dados onde você pode procurar por todo tipo de compatibilidade óptica, incluindo DVD-RW/R e DVD+RW/R, mas as informações são baseadas em comentários de usuários e podem variar em sua fidelidade. A DVD Alliance mantém uma lista oficial de players testados para compatibilidade DVD-RW/R em www.dvdrw.com, e em www.dvdplusrw.org há uma lista não oficial.
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