Pelo menos três novas tecnologias de tela plana deverão em breve substituir os aparelhos de TV convencionais, com as fabricantes de televisores acelerando os esforços para realizar as maiores mudanças desde o advento da televisão colorida.
Com telas de poucos centímetros de espessura e de no mínimo 40 polegadas, os televisores de cristal líquido (LCD) ou de plasma estão entre os produtos mais aguardados do setor de eletrônicos em anos.
Todavia, o preço salgado, na casa dos milhares de dólares, deverão afugentar os consumidores. Até agora, as TVs de tela plana abocanharam apenas três por cento do mercado mundial, estimado em 31 bilhões de dólares.
As fabricantes de telas acreditam que as vendas deverão dobrar anualmente durante os próximos dois anos.
O que é mais difícil é definir a tecnologia que dominará o mercado: se será o plasma, que controla as telas de grande dimensão atualmente, ou as telas de cristal líquido, que monopolizam o mercado das telas menores, mas que rapidamente estão se tornando maiores e mais baratas.
É muito difícil dizer qual display será o vencedor, disse Lee Kangsuk, vice-presidente de mídia digital da Samsung Electronics.
Para telas de mais de 50 polegadas, o plasma é superior. Para menos de 30 polegadas, o LCD é melhor. Para 40 polegadas, ninguém sabe. Mas a área de 40 polegadas é a que terá a maior demanda.
E ainda há o futuro incerto de uma tecnologia nova, que utiliza diodos orgânicos emissores de luz (Oled, na sigla em inglês), ou plásticos brilhantes.
As telas de cristal líquido são caras demais nos tamanhos grandes usados pelas suas rivais de plasma, então o plasma domina o mercado das dimensões grandes. No entanto, em geral, o cristal líquido ganha do plasma no mercado mundial, graças à demanda por telas pequenas em casas japonesas sem muito espaço.
No entanto, planos de empresas taiwanesas e sul-coreanas de investir 25 bilhões de dólares na produção de LCD poderão reduzir os custos drasticamente da tecnologia.
As companhias que produzem quase 70 por cento das telas de LCD do mundo esperam reduzir os preços das telas maiores para cerca de 2.000 dólares em 2006, ajudando a atrair mais consumidores. Os preços giram atualmente em torno dos 6.000 dólares para as telas de LCD de 42 polegadas, enquanto as telas de plasma podem ser encontradas por pouco mais de 3.000 dólares no mesmo tamanho.
Com a projeção de queda de preços em torno de 26 por cento a cada ano ao longo dos próximos quatro anos, a demanda por TVs LCD deverá explodir, disse a HSBC em pesquisa.
Os principais beneficiários dessa demanda seriam a Sharp, do Japão, maior fabricante mundial de televisores de LCD, e a Samsung Electronics, da Coréia do Sul.
DEMANDA CRESCENTE
As vendas mundiais de TVs de tela plana devem saltar de 4 milhões de unidades no ano que termina em março de 2004 para 13,9 milhões em 2005/2006, respondendo então por cerca de 10 por cento das vendas totais.
Nenhuma das tecnologias de tela plana é perfeita. O LCD dura mais e consume menos energia que o plasma, mas tem menos brilho. As telas também ficam desbotadas quando olhadas de alguns ângulos.
As telas de plasma, que geram imagens com gases retidos entre duas lâminas de vidro, tem uma ângulo de visão mais amplo, mas exigem ventiladores barulhentos para mantê-las frias.
Haveria uma alternativa? Tem gente apostando nas telas finas como papel e dobráveis, as Oleds. Companhias como Seiko Epson, Philips, DuPont e Osram (da Siemens) estão desenvolvendo a tecnologia, tornando-a mais eficiente em termos de energia e ainda mais fina.
Mas os pesquisadores enfrentam um sério desafio em aumentar a vida de materiais que emitem luz, de forma a serem utilizáveis em aparelhos de TV, e os analistas acreditam que as Oleds levarão vários anos até que sejam utilizadas em TVs.
E não dá para dispensar o tubo de raio catódico por enquanto. Embora os DVDs tocados na telas de plasma tenham uma imagem impressionante, alguns especialistas acham que elas ainda não superam as TVs tradicionais.
Para quem quer um definição melhor, ainda recomendamos das TV de tubo de raio catódico, disse Kim Jung-woo, de uma loja de eletrônicos de Seul. Vai levar anos para que as TVs de LCD dominem nossos lares.
Fonte: Reuters
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