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Calda Sulfocálcica: Produto Alternativo na Citricultura
Engª.Agrª. Heloísa Sabino Prates SAA/Coordenadoria de Defesa Agropecuária Campinas/SP
Segundo Harkaly (1999) a Agricultura Orgânica emerge como alternativa para tentar equilibrar os exageros da Agricultura Química. Desde a década de 70, começa-se a questinonar de maneira mais intensa o pacote tecnológico moderno, a revoluçâo verde, as conseqüências do uso de agroquímicos agressivos ao meio ambiente.
De acordo com Primavesi (1999) ,na Agricultura Orgânica tentase substituir agrotóxicos por produtos orgânicos, controlar as pragas e doenças através de inimigos naturais ou utilizar caldas como as Bordalesa e Sulfocálcica (Sulfureto inorgânico).
O uso indiscriminado, irracional e irresponsável de agroquímicos vem intoxicando a população rural, contaminando o meio ambiente, os alimentos e comprometendo a sustentabilídade da vida no planeta.(Abreu Júnior, 1999).
Segundo D' Andrea (1999), na citricultura ainda se realiza um Manejo Agrícola mecanicista, com ações tópicas de agrotóxicos em função dos desequilíbrios biológicos, nos ciclos produtivos. Esse manejo induz a uma grande dependência de agrotóxicos, gerando alta vulnerabilídade técnica, insustentabilidade economica da atividade agrícola e degradação ambiental com contaminação quimíca dos alimentos, animais e o homem.
A prática dos produtos alternativos visa entre outras preservar o equilíbrio natural; entre eles, na citricultura destaca-se pela sua comprovada eficiência a Calda Sulfoelcica sendo crescente o número de citricultores que utilizam o controle de pragas e doenças de importância econômica para a cultura dos citros.
Tradicional produto agrícola, resultado do preparo a quente da mistura de enxofre, cal virgem e água, a Calda Sulfoálcica apresenta ampla ação fungicida, inseticida e acaricida. As vantagens de sua utilização são: praticamente não tóxica (classe IV); custo reduzido para a aquisição e uso; baixa a inócua agressividade ao homem e à natureza; eficiência e segurança de uso; efeito nutricional de cálcio e enxofre; de média toxicidade para insetos predadores; simplicidade quanto ao manejo e aplicação.
Como caracteristicas agronômicas da Calda Sulfocálcica podemos citar sua ação acaricida, inseticida e fungicida, devido principalmente aos polissulfetos de cálcio.
Atualmente, a sua fabricação em nível industrial possibilita obter uma calda de melhor qualidade. Através da reação entre o cálcio e o enxofre (matérias - primas) dissolvidos em água e submetidos à fervura adequada, ocorre um complexo de reações que resultam num conjunto de substâncias, cada qual com sua característica. A Calda Sulfocálcica de qualidade tem como características desejàveis a formação de polissulfetos de cálcio (na quantidade adequada), e a padronização em graus Baumé, sem o que poderá comprometer seu desempenho agronômico.
Temperatura: a mínima adequada é de 18ºC, sendo que abaixo desta é prejudicada a sua ação fumigante.
A faixa de temperatura máxima está entre 28ºC - 3OºC, acima da qual poderá ocorrer injúrias nos tecidos mais sensíveis (brotações novas e frutos em formação). Os frutos de variedades precoces estão mais expostos a esses danos, pois estão em estado de maior sensibilidade em épocas de temperaturas elevadas. Também os frutos de casca fina são mais sensíveis a temperaturas elevadas.
Umidade Relativa do Ar: é limitante quando inferir a 60%, sendo que as aplicações noturnas mais eficientes, pois nesse período a planta por estar respirando e não fazendo fotossíntese, acelera a ação fumigante da calda.
Ventos: quando fortes, poderão deslocar a ação finnigante, portanto deve-se priorizar o uso com brisas e ventos amenos.
Chuvas: ocorrendo até 4 horas após a aplicação da calda alteram a sua eficácia, pois aumenta a quantidade de àgua interferíndo na reação desejada.
Utilizar sempre Calda Sulfocálcica de qualidade comprovada, e boa procedência.
Não misturar a Calda Sulfocálcica (pH 13) com produtos que não tolerem meio alcalino. Fator respeitar intervalo de 15 dias para aplicações subseqüentes com outros acaricidas, fungicidas e inseticidas.
Não misturar com óleo mineral ou vegetal e sais micronutrientes ou fertilizantes foliares.
Antes da aplicação,a calda deve ser bem agitada, mantendo-se boa agitação no tanque do pulverizador, também, durante a sua aplicação.
Não pulverizar com floradas abertas e durante as horas mais quentes do dia, principalmente no verão.
Evitar pulverizações em frutos maduros de casca fina (Hamlin e Westin), pois são mais sensíveis
Não aplicar em plantas murchas.
Armazenar a calda em tanques com sistema de agitação ou em bombonas hermeticamente fechadas, por até 1 ano.
O equipamento de pulverização deverá ser, antes da utilização da calda protegido com óleo diesel, óleo 40 ou similar.
Após o uso, lavar com solução de ácido cítrico anidro a 20%, ou solução de vinagre ou limão a 10%.
Após diluir o produto no tanque de pulverização, deve-se aplicá-lo no mesmo dia.
No período de inverno, Calda Sulfocálcica é recomendada para o "tratamento de limpeza" de tronco e ramos, com objetivo de eliminar fungos de revestimento (algas, musgos, líquens) e controlar cochonilhas e doenças como a rubelose e gomose. No verão podem-se reduzir as dosagens da calda, diminuindo-se o intervalo de tratamento. Em épocas de calor intenso, que dificultam sua aplicação, um tratamento antecipado das pragas-chaves poderá ser realizado, mesmo que os níveis de MEP (Manejo Ecológico de Pragas), não estejam indicando o controle.
Ácaro da leprose: como regra geral tem se obtido na prática de 90 a 120 dias desta praga-chave, com a utilização da Calda Sulfocálcica. A dosagem é de 2 a 4%, dependendo da qualídade da calda, tipo de tratamento, comportamento e da intensidade de ataque e época do ano. Pulverizar até o ponto de escorrimento, com boa penetração nas partes intema e externa da planta e total recobrimento da copa.
Ácaros da ferrugem, branco e purpúreo: recomendase a dosagem de 1,5 a 2% conforme nível de infestação, com boa cobertura externa da copa.
Cochonilhas de folhas: pardinha, ortézia, escamas, vírgula e cabeça-de- prego. Aplicar na dosagem de 2%, recobrindo bem as folhas e frutos.
Cochonilhas de tronco e ramos: escama farinha, parlatórias. Recomenda-se a dosagem de 4 a 5%, aplicando com equipamento adequado (pistola) dirigido ao tronco e partes internas da planta. Segundo Chaboussou, outras pragas e doenças, como a lagarta-minadora dos citros, o bicho- furão, a rubelose, gomose e antracnose, também são controladas pela Calda Sulfocálcica seu efeito trofobiótico.
De acordo com Penteado (1998/99), havendo alta incidência de doenças fuíngicas como a "estrelirha" poderá ser realizada uma aplicação com Calda Sulfocálcica em pré-fIorada.
Para o controle da rubelose aplicar após a poda de limpeza de ramos doentes na diluição de 1% (padrão de 30º Baumé), realizando três aplicações foliares a intervalos de 20 dias.
Citricultor: para o controle das pragas-chaves, iniciar os tratamentos somente quando atingidos os níveís de ação determinados pelo MEP (Manejo Ecológico de Pragas). Consulte o Guia de MEP - Citrus de GRAVENA - Manejo Ecológico de Pragas Agrícolas.
OBSERVAÇÕES: A Calda Sulfocálcica recomendada neste folder para utilização na citricultura corresponde à densidade de 27 a 30º. Baumé, devendo as dosagens aqui indicadas ser rigorosamente obedecidas.
Solicitar do fabricante assistência técnica na aplicação e análise de monitoramento de impurezas.-No manuseio e na aplicação da Calda Sulfocálcica, utilizar o Equipamento de Proteção Individual (EPI). |