DA REPORTAGEM LOCAL O governo federal liberou a instalação de DVDs e TVs na parte dianteira dos veículos no Brasil -com a condição de que tenham mecanismos que os desliguem de forma automática quando os carros estiverem em movimento. A nova regra também passou a permitir os aparelhos que orientam os condutores sobre trajetos -como alguns GPSs (sistema de posicionamento global)- inclusive com os automóveis andando. As mudanças foram fixadas por uma resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) publicada no último dia 1º. As decisões do órgão são tomadas por sete conselheiros representantes do governo Lula (PT). As novas normas são polêmicas entre especialistas, para quem elas podem elevar os riscos de acidentes viários. A resolução 190 do Contran revogou a anterior, 123, de dezembro de 2003, que permitia a instalação de DVDs e TVs de forma que só os passageiros traseiros pudessem visualizar a tela. Embora os motoristas continuem proibidos de ver a imagem quando estiverem dirigindo, técnicos temem instalações indevidas para burlar a fiscalização. A resolução anterior do Contran já permitia a presença dos GPSs, mas os motoristas podiam usá-los só quando estacionados. Eles precisavam ter a tela coberta por uma tampa quando os veículos estivessem em movimento. A partir deste mês, esses aparelhos, que já se difundiram no exterior, podem ser usados mesmo com os carros andando, mas as informações dadas por eles, como as rotas programadas por computador, devem ser passadas para quem estiver no volante por meio de áudio e símbolos, e não mapas -que só podem ser exibidos na tela com os veículos parados. As alterações na legislação do trânsito atendem às reivindicações de fabricantes automotivos, que alegavam atraso tecnológico. Muitos equipamentos foram instalados durante a proibição. Os preços dos DVDs automotivos em duas lojas do centro variavam ontem de R$ 480 a R$ 2.800. Daniel Bispo, gerente de uma, admitia que muitos clientes já apareciam antes pedindo a instalação no painel e para desligar os mecanismos que impedem seu funcionamento em movimento. Para Marco Saltini, representante da Anfavea (associação dos fabricantes de veículos) na câmara temática do Contran que sugeriu a mudança, a liberação não afeta a segurança e é semelhante às normas internacionais.
|