
Fonte: Revista Connect
A ladainha é conhecida de todo viajante freqüente: ?a partir deste momento, todos os aparelhos eletrônicos devem ser desligados, principalmente os celulares?. Boa parte dos gadgets pode ser religada alguns minutos depois, mas o celular é proibido durante todo o vôo, assim como aparelhos de rádio, GPS, mouse sem fio e qualquer outro brinquedo tecnológico que trabalhe com radiofreqüência, deixando centenas de executivos sem contato com a terra firme durante horas a fio.
Desde meados de 2004, no entanto, esse quadro começou a mudar. Há quase dois anos, a Lufthansa estreava na rota Munique-Los Angeles o serviço FlyNet, primeiro a fazer uso da tecnologia Connexion, da Boeing, posteriormente adotada pelas companhias asiáticas ANA, Asiana, China Airlines, JAL, Korean Air e Singapore Airlines, além da escandinava SAS e, em breve, pela Austrian Airlines, a israelense El Al e a Etihad, dos Emirados Árabes Unidos. Pela tabela da Boeing, o acesso ilimitado custa US$ 15 em vôos de até 3 horas, US$ 20, entre 3 e 6 horas, e US$ 30 acima de 6 horas. Também é possível comprar um pacote de meia hora a US$ 8 (até 3 horas de vôo) ou a US$ 10 (acima disso) e pagar US$ 0,25 por minuto extra, ou comprar blocos de 1 ou 2 horas por US$ 10 e US$ 17, respectivamente. Não é barato, mas também não chega nem perto dos telefones de bordo, que chegam a custar US$ 10 por minuto.
Apesar do quase monopólio da Connexion (que pode funcionar tanto em aviões Boeing quanto nos concorrentes Airbus), as empresas aéreas têm uma certa flexibilidade para determinar como prestar o serviço. Na Lufthansa, por exemplo, o acesso ao portal FlyNet, com notícias, entretenimento e informações de viagem, é gratuito ? só se paga para usar a Internet ?aberta? ? e a empresa está estudando trocar milhas de seu programa de fidelidade por acesso ?grátis?.
TV ao vivo no ar.
Não é à toa que uma pesquisa realizada pela Lufthansa com 625 usuários do serviço revelou um índice de satisfação de 93%, sendo que 85% dos passageiros responderam que a existência de conexão com a Internet influenciará suas futuras escolhas de companhia. A Singapore Airlines, por sua vez, quer usar a conexão para exibir TV ao vivo em seus vôos ? uma possibilidade já prevista pela Boeing, que também promove o uso da banda para fins operacionais de cada empresa aérea.
Do lado de cá do Atlântico, nos EUA, a United Airlines foi a primeira a oferecer Wi-Fi a bordo, graças a uma parceria com a operadora Verizon, mais de um ano após a iniciativa da Lufthansa. O serviço, oferecido inicialmente apenas em vôos domésticos, teve de ser aprovado pela conservadora FAA, a Federal Aviation Authority, e ficou restrito aos jatos 757-200, modelo em que os testes de segurança foram realizados.
Em espaço aéreo americano, a Internet alada ainda tem mais um período de turbulência pela frente: o FBI e o departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos pediram recentemente à FCC , espécie de Anatel americana, que permita a ?escuta? de qualquer comunicação realizada a partir de aviões, a fim de facilitar a identificação de terroristas que estejam usando as redes sem fio para coordenar atentados.
Já no Brasil, Varig, TAM e Gol foram consultadas por Connect, mas não têm ou não divulgam planos nessa área ? embora a Varig cite uma iniciativa de oferecer Internet a bordo de seus aviões que teria sido arquivada, cinco anos atrás, por falta de acordo com os provedores de acesso. Não se pode dizer, porém, que não temos Wi-Fi em nossos céus: a rota Frankfurt?São Paulo?Santiago, da Lufhansa, é uma daquelas em que a empresa aérea alemã oferece o serviço.
Como funciona a Internet voadora
Aviões dotados de WiFi têm um ponto de acesso padrão 802.11 (b ou g) muito semelhante aos em terra firme. Dentro da aeronave, notebooks com Wi-Fi comunicam-se com esse ponto de acesso em até 5 Mbps (megabits por segundo). Teoricamente também é possível conectar um PDA Wi-Fi, mas as empresas ainda não dão suporte a esses aparelhos. Em alguns aviões, a conexão também pode se dar por cabos de rede comum.
O próximo passo do tráfego de dados é um satélite de comunicações ?próximo?, de onde as informações são retransmitidas, a 1 Mbps, para uma estação no solo conectada à Internet. Toda a comunicação é protegida por softwares de segurança (firewalls). A lógica é semelhante à que algumas empresas aéreas estão pensando em implementar para permitir ligações de
celulares a bordo. Na Alemanha, as autoridades anunciaram a liberação do uso de aparelhos GSM e EDGE em aviões, após concluir que eles não interferem nos instrumentos de vôo. Como as células de comunicação em terra não teriam alcance para ?falar? com celulares a 30 mil pés de altitude, porém, as companhias terão de instalar estações nos próprios aviões e conectá-las aos satélites.