Se tivesse de fazer uma aposta sobre qual formato de disco de alta definição vai levar a melhor na briga Blu-ray versus HD-DVD, ficaria com o primeiro. Mas é uma aposta mais baseada em intuição do que em informações objetivas, afinal esta é uma disputa apertada e que ainda mal começou. Também não seria uma aposta alta: não há, hoje, elementos que nos levem a dizer qual dos dois formatos vai levar a melhor.
Contudo, independente de quem ganhe a briga, uma coisa podemos dizer: não será num disco Blu-ray ou HD-DVD que iremos gravar nossos vídeos em alta definição, mas sim nas novas gerações de discos rígidos e chips de memória flash que os principais fabricantes destes mercados têm anunciado nos últimos tempos.
Para falar melhor dessa história, deixe-me contar da primeira filmadora com que tive contato, em meados dos anos 90: uma JVC de corpo vermelho, importada, de um amigo que a comprara no Japão. Apesar de usar fitas VHS convencionais, podia ser considerada compacta, uma vez que a maioria dos modelos até então precisavam ser usadas sob o ombro. Nada portátil, claro.
A evolução desde então brindou os usuários de filmadoras com modelos cada vez mais leves e versáteis, onde tivemos as mini fitas e os tapes mini DV. Pouco tempo atrás, tivemos a oportunidade de ver alguns poucos modelos de filmadoras da Sony que gravavam vídeos ou fotos em CDs graváveis e, mais recentemente, em DVDs graváveis e regraváveis, permitindo visualizar o resultado das filmagens diretamente no DVD player mais próximo. Enquanto falamos, no entanto, o debate gira em torno da alta definição, em que a resolução de imagem saltará das 520 linhas do DVD para além de 700 linhas, podendo chegar a 1080 linhas de definição conforme a performance de captação do aparelho e do display que irá exibir esse conteúdo de vídeo. Os formatos que vão abraçar esses vídeos em alta definição você já conhece e acompanha aqui no site da Home Theater e na cobertura da revista, que são dos discos Blu-ray ou HD-DVD. O engraçado é que pode ser que a próxima geração de filmadoras de alta definição não utilize mais mídias para armazenar os vídeos mas os HDs e chips de memória que mencionei no início do texto.
Exemplos disso não faltam. Eu, por exemplo, não vejo a hora de trocar meu home theater por um modelo com HD integrado, mas o duro é encarar a cara feia de esposa quando sugeri trocar um equipamento que tem menos de um ano de uso. HDs são cada vez mais comuns em home theaters integrados e DVD players, isso sem contar os players de MP3 como a linha iPod da Apple ou as filmadoras da família Everio, também da JVC, que conta agora com uma nova linha com os modelos GZ-MG20 e GZ-MG50 (custando respectivamente US$750 a US$ 800). A diferença desta linha em relação a outros produtos da linha Everio que podem ser achadas inclusive no mercado brasileiro é que os HDs são internos, enquanto as antecessoras da linha Everio MC200 usavam unidades removíveis.
A nova linha traz discos rígidos que apresentam capacidades entre 20 e 30 Gigabytes. Ainda não apresentam capacidade de gravar vídeo em alta resolução como algumas filmadoras da Sony já fazem, mas certamente pavimentam um futuro em que o vídeo passará obrigatoriamente pelo PC para algum nível de edição ou que serão transferidos diretamente para servidores de mídia.
O uso de discos rígidos de grande capacidade não só acaba com o aborrecimento de adquirir e transportar mídias virgens mas também significa que o usuário pode ter a liberdade de fazer mais com o mesmo equipamento como tirar fotos e transportar arquivos de qualquer tipo.
Em um movimento para tornar o celular o dispositivo preferencial do indivíduo registrar suas fotos e vídeos, até mesmo alguns celulares passaram a incorporar funcionalidades de filmagem de vídeo e HDs para armazenamento de grande capacidade como os Nokia NSeries, cujos modelos N90 podem se transformar em uma filmadora que capta vídeo no formato MPEG4, salvando-os em cartões de memória ou então o N91 que traz um HD interno com ... GB de capacidade. Mas os discos rígidos não são os únicos páreos nesse mercado. Existem também os fabricantes de memória no estado sólido, onde entram empresas como SanDisk, Kingston, Samsung e outras gigantes que abastecem de cartões de memória filmadoras, câmeras fotográficas digitais, players de MP3 e memórias de computador. Essas empresas fizeram grandes progressos em capacidade nos últimos tempos e hoje já é possível encontrar dispositivos com capacidade igual ou superior a um DVD convencional e que grava informações diretamente nestes chips.
A Samsung, um dos gigantes globais em fabricação de chips de memória já divulgou que é capaz de fabricar modelos com até 32 GB, que podem equipar equipamentos eletrônicos e dispositivos móveis no futuro próximo. Para se ter uma idéia, é espaço suficiente para guardar umas 8 mil músicas em MP3 ou até oito filmes com qualidade de DVD.
Um exemplo recente e importante de memória flash é o iPod Nano, um tocador de MP3 diminuto da Apple que promete ser a nova febre nas vendas do setor para o final do ano no mercado mundial de tocadores de música digital. O modelo não é o primeiro da Apple a usar chips de memória para armazenar músicas e arquivos: o iPod Shuffle, modelo de entrada da marca, já fazia isso. A vantagem do Nano é que ele tem uma capacidade bem maior do que o Shuffle e ainda traz uma pequena tela de cristal líquido colorida que permite visualizar detalhes das canções ou exibir fotos digitais (o Shuffle não trazia nenhuma tela). Quer outra vantagem do Nano sobre outros exemplares da família iPod? Por usar chips de memória em vez de HDs portáteis, ele não tem partes móveis, ou seja, pode ser sacudido, tremido e sofrer até pequenos choques ou quedas sem apresentar dano.
Aqui cabe uma pequena explicação: todo HD traz um disco magnético que gira em altíssima velocidade sobre o qual corre uma pequena cabeça de gravação e leitura de dados. Para se ter uma idéia da precisão desse processo, imagine um Boeing 737 voando a mil quilômetros por hora, a um centímetro do chão, prestes a pegar um grão de arroz no solo. Sim, e nossos computadores e notebooks fazem isso milhares de vezes por segundo todos os dias e achamos isso absolutamente normal. O problema? Se acontecer um pequeno choque ou queda e estas partes que estão separadas umas das outras por frações de milímetro encostarem pode haver um dano irreversível ao dispositivo, com perda de informações.
É claro que os últimos anos nos trouxeram inúmeros avanços em termos de durabilidade e sistemas de proteção que resguardam os HDs de dano, tanto é que passam a integrar os mais diversos tipos de equipamentos. As memórias flash ou de estado sólido, por sua vez, também apresentam falhas de quando em quando, inutilizando completamente os aparelhos que as usam, o que só se resolve por meio de substituição.
Isso pode acontecer tanto por influência de campos magnéticos muito fortes ou então por descargas e mal-funcionamentos internos. A saída para esse tipo de problema se aplica ao presente e mesmo ao futuro: guarde sempre uma cópia de segurança do que for precioso, em seus computador de alta capacidade ou em discos óticos à parte.
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