
Cansados de serem cobrados pelas empresas de que devem ser mais estrategistas que técnicos, CIOs resolveram reagir. Eles querem que os executivos de negócios também mudem o perfil e adquiram conhecimento de tecnologia para saberem como endereçar suas demandas aos departamentos de TI. Eles alertam que a nova geração, que vai comandar o business das organizações, que é a garotada de hoje, tem fascínio pelo computador, celular, iPod, Web 2.0 e outras novidades hightech. Por isso, esse profissional do futuro já chegará ao mercado com essas comptências, ocupando o espaço dos que não seguirem essa tendência.
Esse assunto veio à tona durante seminário realizado na semana passada, em São Paulo, pela consultoria IDC sobre os desafios dos executivos de TI da implantação de projetos baseados na arquitetura de orientação objeto (SOA) nas companhias. Na ocasião, CIOS comentaram sobre as barreiras que enfrentam para convencer as áreas de negócios na hora de propor novos projetos para trazer eficiência operacional, como é o caso de SOA, que não é uma ferramenta, mas sim um conceito.
Regina Pistelli, CIO da Medial Saúde, afirma que a área de TI é vista como lenta pelas áreas de negócios na entrega de novas aplicações para suportar as operações. ?Demoramos porque não podemos correr riscos. Temos que analisar códigos e vários sistemas na hora de desenvolver uma aplicação?, admite a executiva, que acredita que SOA vem para resolver esse problema, já que a arquitetura reduz em 40% o tempo de criação das novas soluções por permitir reaproveitar os programas que estão rodando no sistema legado.
O CIO da BM&F, Sergio da Silva, acrescenta que a maior dificuldade do executivo de TI para emplacar um novo projeto é que ele nem sempre é compreendido pelas áreas de negócios. Ele diz que seus colegas acham que o departamento de tecnologia está sempre querendo comprar ferramentas que oneram o orçamento, o que Silva discorda. "Temos que mostrar que somos capazes de resolver os problemas deles", afirma o executivo, contando como foi sua experiência na hora de vender o projeto de SOA.
Profissional do futuro
Já o professor Adalton Osaki, coordenador do curso de pós-graduação Management of Business Technologies da FIAP (Faculdade de Informática e Administração Paulista), acha que está na hora de os executivos de negócios começarem a estudar TI. ?Assim como o CIO tem de entender de negócios, eles também precisam conhecer tecnologia" afirma, sugerindo que esses gestores façam MBA e cursos especializados para saberem como e o que pedir para os CIOS.
Osaki diz que é comum as áreas de negócios acharem que TI tem solução mágica para tudo e não dividir as responsabilidades sobre o uso das tecnologias. Ele defende uma mudança no perfil desse profissional, que precisa ser antenado com o mundo hightech.
?Felizmente a nova geração de profissionais não deverá se deparar com esse problema?, acredita o professor. Ele obserca que a garotada de hoje gosta de tecnologia e a tendência é termos no futuro homens de negócios com visão de TI.
"TI importa sim"
Osaki observa que a TI é hoje uma ferramenta imprescindível e que traz vantagem competitiva para qualquer empresa. Ele menciona que, diferentemente da reportagem polêmica sobre o tema ?TI Doesn?t Matter?, do jornalista Nicholas Carr, publicada em maio de 2003 pela revista Harvard Business Review, que gerou muita frustração para os CIOs, hoje a tecnogia é a espinha dorsal do mundo dos negócios.
Prova disso, foi um artigo publicado em abril deste ano pelo jornal americano Wall Street Jounal, afirmando que a forma como as companhias estão usando a tecnologia faz a diferença no mercado. Osaki diz que em breve um novo artigo será publicado na revista Harvard Business Review, mostrando que não é verdade que "TI Doesn't Matter".
"A tecnologia tem muita importância sim dentro das empresas", afirma o professor. Tudo dependerá de como a empresa se apoiará nas ferramentas tecnológicas para tornar sua operação mais ágil e eficiente. Os executivos que souberem casar TI e negócios conseguirão atender seus clientes mais rapidamente.