
Dois clientes do Banco Real afirmam ter sofrido nos últimos dias golpes virtuais que resultaram em perdas totais de aproximadamente R$ 14 mil, R$ 7 mil cada. O hoteleiro R.T. percebeu a fraude em sua conta corrente ao acessar o extrato na tarde de ontem. Durante três dias, os hackers teriam feito pagamentos, empréstimos e transferências utilizando sua conta corrente. Ao detectar as fraudes, o banco bloqueou o acesso virtual. Segundo R.T., o ?banco se comprometeu a ressarcir o valor em 24 horas, desde que eu assinasse um termo me comprometendo a não processar a instituição?. Ainda de acordo com R.T., ?eles se comprometeram a ressarcir os juros em até 15 dias?.
Já o empresário J.A. detectou na terça-feira (07/06) alterações em sua conta corrente. "Ao analisar o extrato, percebi em minha conta corrente tanto movimentações de saque quanto transações via Internet. Fiquei apavorado". Como o extrato apresentava também saques, o Real se comprometeu a ressarcir o cliente em até 15 dias.
Com a palavra, o banco
Procurada pelo WNews, a instituição financeira informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ?o Banco Real investe nas mais modernas tecnologias e ferramentas para garantir total segurança ao cliente, citando como recente exemplo, a disponibilização do Módulo de Proteção do Banco Real, um software que trabalha de forma integrada ao Internet Explorer impedindo que possíveis programas maliciosos, instalados no computador do cliente sem seu consentimento, capturem ou solicitem indevidamente dados de acesso ao Real Internet Banking?
Ainda em seu comunicado, a instituição informou que ?constantemente são realizadas campanhas educativas com o propósito de auxiliar o cliente a se precaver contra quaisquer tipos de tentativas de fraudes, sendo que ainda para este ano estão previstas novas implementações de segurança?.
Opinião de especialista
Para analisar o caso, WNews procurou também Marcelo Pettengill, diretor da 3Elos, empresa especializada em Segurança da Informação. Segundo ele, o caso de R.T. foi provavelmente causado por um Phishing (golpe em que o hacker envia um e-mail ao internauta, utilizando a página de determinada instituição e solicitando dados confidenciais da vítima, sob pretexto de algum produto ou notificação de dívida) ou um cavalo-de-tróia (códigos maliciosos que se instalam no PC por meio de spams ou programas ilegais, e que fornecem periodicamente ao hacker, informações sigilosas, inclusive dados bancários).
Para Pettengill, ?é muito mais fácil para o hacker fraudar o correntista por meio de Phishing e trojans do que atacar diretamente o servidor de um banco, que possui inúmeros dispositivos de proteção?. Ainda de acordo com ele, ?nenhum sistema é 100% seguro, mas os sistemas de Internet Banking do Brasil estão entre os três melhores do planeta. E, para o hacker, é mais compensador enviar mil Phishings, sabendo que dez podem cair no golpe, do que tentar burlar diretamente os servidores bancários?.
Já no caso de J.A., o diretor da 3Elos não quis se pronunciar, já que o golpe não foi feito exclusivamente via Internet. "Há indícios de que o cartão teria sido clonado e o golpista teve acesso a todos os dados da tarja magnética. Com isso, ele pode ter trocado minha senha de acesso à Internet. A falha de segurança do banco no acesso à minha senha virtual pode estar aí", supõe J.A. O WNews tentou entrar em contato com algum membro da área de T.I. do Real para avaliar essa questão, mas a assessoria de imprensa do banco optou por enviar o comunicado publicado acima.
Operações bancárias cresceram 50% de 2003 para 2004
De acordo com o relatório anual da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), as transações feitas pela Internet (tanto por pessoas físicas como jurídicas) representam 13% do total das movimentações realizadas no País em 2004, registrando um crescimento médio (de 2003 para 2004) de 50% ao ano.
A pesquisa mostra também que o investimento total dos bancos brasileiros, em 2004, em novas tecnologias foi de R$4,2 bilhões e o gasto total do setor em infra-estrutura de tecnologia e telecomunicações se elevou para mais de R$ 12 bilhões no mesmo período.
Combate aos hackers
A Polícia Federal anunciou ontem, 09/06, a prisão, em Goiânia, de uma quadrilha de hackers que desviava dinheiro de correntistas de todo o País para pagar dívidas de consumidores com empresas públicas do estado de Goiás. Seis pessoas foram presas em flagrante, entre elas um comerciante que se beneficiou do golpe. A quadrilha localizava devedores das companhias de energia, água e telefone e fazia a proposta de quitar o débito em troca de metade do valor da dívida.
A polícia apreendeu ainda uma lista com números de contas e senhas e acredita que pelo menos 200 correntistas tenham sido fraudados. A lista dos beneficiados está sendo analisada. Foram confiscados computadores e disquetes num escritório clandestino. Pelas investigações, o grupo agia desde março deste ano.