
O e-commerce brasileiro espera faturar em 2005 R$ 2,3 bilhões, segundo estudo divulgado pela Camera-e.net (Câmera Brasileira de Comércio Eletrônico), um crescimento de aproximadamente meio bilhão de reais em relação ao ano passado. Esta expectativa, se comparada ao índice de R$ 549 milhões registrado em 2001, ano em que o primeiro estudo foi realizado, representa um crescimento de mais de 300%.
Romero Rodrigues, sócio do Buscapé, site de busca de produtos e preços, conta que o Brasil tem o e-commerce mais significativo da América Latina, com cerca de três mil lojas de varejo online. México e Argentina têm aproximadamente 120 lojas e o Chile, 70. Os Estados Unidos, no entanto, têm quase 20 vezes mais lojas virtuais do que o Brasil. ?O povo latino, ao contrário do norte-americano não tem o hábito de comprar à distância, sem ver ou tocar no produto. Nos EUA, as pessoas sempre compraram muito por catálogos, via telefone. Comprar via Internet é a mesma coisa?, analisa Rodrigues.
Em crescimento
Mas esse panorama vem mudado no Brasil. O estudo da Camera-e.net registrou um crescimento médio de 40% por ano no volume de transações de varejo online no País. ?Hoje as lojas virtuais são responsáveis por boa parte da receita de grupos como Lojas Americanas, Pão de Açúcar, Magazine Luiza e Livraria Saraiva", revela Rodrigues.
A câmara contabilizou 4,3 milhões de compradores online, num universo de 20,3 milhões de internautas. Isso significa que existe ainda uma boa parcela de potenciais e-consumidores a ser conquistada.
Rodrigues explica ainda que uma pessoa só realiza sua primeira compra online dois anos depois de ter se tornado um usuário de Internet. ?Este é o tempo necessário para que o internauta adquira confiança na Web e passe a realizar operações que envolvam dinheiro?.
Mudança de paradigma
Para José Eduardo Ferreira, VP do WebMotors, nesses dez anos de Internet a visão dos investidores sobre o comércio na Rede mudou. ?No principio a Internet era vista apenas como uma oportunidade de ganhar dinheiro. Hoje, está consolidada como mídia, ferramenta de negócio e faz parte da vida das pessoas?.
?Hoje não basta ter uma boa idéia e confiar na venda de publicidade como antigamente. Abrir um negócio na Internet oferece o mesmo risco que em qualquer outro lugar?, completa Rodrigues, do Buscapé.
Futuro
E se o mercado e as empresas de e-commerce amadureceram com as experiências do passado, as expectivas para o futuro vão exigir ainda mais flexibilidade das pontocom. Rodrigues aposta que o futuro do e-commerce brasileiro está na integração da Web com diferentes ferramentas de venda. ?Catálogos offline, telefone, lojas de rua, Internet tudo vai estar integrado?, explica.
O empresário do Buscapé conta que muitas lojas "tradicionais" já trabalham junto com as virtuais. ?A pessoa vai até a loja, vê o produto, mas compra via Internet. Isso poupa o lojista de estocar produtos no local?.
Já Ferreira, do WebMotors, acredita que ainda faltam alguns obstáculos a superar. ?A legislação brasileira, por exemplo, não está preparada para a Internet?. Outro fator que atrapalha a evolução do e-commerce, na opinião, do executivo é a desvalorização da Internet como mídia. ?Depois da bolha os preços dos espaços na Rede caíram muito. Apesar da audiência ser grande, o setor ainda está se recuperando?.