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Como ajustar as caixas acústicas em Home Theater
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Atualizado em 06/08/2008





Muito bem: você comprou os equipamentos certos, ligou todos os cabos, escolheu a posição ideal para as caixas, colocou para tocar seu melhor disco, sentou no sofá e relaxou. Relaxou? Bem, nem tanto. Na primeira cena do filme, deu para perceber que alguma coisa estava errada. Não era exatamente "aquilo" que você queria ouvir, e nem parecia o que o vendedor lhe demonstrou no show-room. Faltava um detalhe essencial: o ajuste correto das caixas acústicas.

De fato, um ajuste mal feito praticamente inutiliza todos os demais esforços na montagem de um bom home theater. Seja em Pro-Logic ou Dolby Digital, sempre é necessário regular o processador que comanda o conjunto. Esse processador pode ser um módulo à parte, ou pode estar embutido no receiver ou num pré-amplificador. Dependendo da sofisticação do aparelho, o ajuste pode ser mais complexo, mas hoje em dia, com boa parte das funções automatizadas, os fabricantes procuram simplificar ao máximo esses procedimentos.

Basicamente, os ajustes fundamentais para a operação correta do equipamento são quatro: tipo de caixas utilizado, delay, nível de cada canal e subwoofer. Alguns receivers e processadores oferecem também a possibilidade de ajuste de faixa dinâmica, permitindo controlar melhor a diferença, em decibéis, entre os sons mais altos e os mais baixos (seu vizinho irá gostar dessa!). Outros ainda permitem que se indique a posição exata das caixas na sala, com as respectivas distâncias entre elas e o ouvinte. Mas, considerando um sistema bem dimensionado, com cabos e conectores de boa qualidade interligando os vários módulos e as caixas acústicas corretamente ligadas ao receiver ou amplificador, os quatro primeiros ajustes bastam para se ter um áudio de boa qualidade.

É bom entender o que significa o termo "bem dimensionado" em home theater. Todo projeto exige, antes de mais nada, a correta adequação entre os equipamentos escolhidos, e entre estes e o ambiente onde serão instalados. Antes de qualquer tipo de ajuste, presume-se que as caixas acústicas são perfeitamente compatíveis com o amplificador utilizado, em termos de potência, impedância etc. Caso não sejam, o ajuste fatalmente estará comprometido.

Na maioria dos receivers e processadores atuais, os ajustes podem ser feitos diretamente na tela, através do controle remoto. Essa realmente é uma comodidade da qual não se pode abrir mão, sob o risco de tornar os procedimentos não só incômodos mas também imprecisos. De olho na tela, o usuário tem muito mais condições de verificar as configurações disponíveis, seus valores e demais dicas que os bons equipamentos sempre fornecem.

Contribui muito também para um ajuste adequado o fato de o controle remoto ser fácil de operar e, de preferência, com teclas iluminadas, o que vem se tornando cada vez mais comum. Infelizmente, alguns receivers não permitem que se refaça os ajustes durante a reprodução de um filme, por exemplo, obrigando às vezes o usuário a acionar a tecla STOP e - depois de feito o ajuste - procurar "aquela" cena de novo. Outra dificuldade comum é que as denominações das funções e o layout das instruções na tela variam conforme a marca do processador. É preciso, portanto, entender bem o que cada função significa.

TIPO DE CAIXAS

É a primeira seleção que normalmente se faz ao entrar no menu on-screen. O processador pede que se identifique que caixas serão usadas e automaticamente programa-se para enviar o sinal adequado a elas. Pode-se optar entre LARGE e SMALL, mas erroneamente alguns fabricantes instruem os usuários a informar se suas caixas são "grandes" ou "pequenas", como se tudo fosse uma questão de tamanho.

Na verdade, LARGE, no caso, refere-se a caixas acústicas capazes de reproduzir bem as freqüências abaixo de determinado nível (usualmente, 80Hz). Essas caixas em geral (mas nem sempre) são maiores e mais caras, e quando se seleciona LARGE o processador envia para elas parte dos sinais graves contidos no áudio dos filmes. A indicação SMALL refere-se a caixas que não têm o mesmo rendimento, embora isso não signifique que o conjunto vá ter pior desempenho. O que acontece é que, selecionando SMALL, o processador passa a enviar os graves, abaixo da freqüência estabelecida, apenas para o subwoofer. Essa freqüência pode (e deve) ser ajustada no menu de acordo com as características do sub. Como se vê, nada disso tem relação com o tamanho das caixas - mesmo porque também existem ótimas caixas pequenas e más caixas grandes.

DELAY

Esta é a denominação, em inglês, para o tempo de atraso (ou retardo) do sinal reproduzido em cada canal de áudio. O delay é identificado na tela (ou às vezes no display do painel frontal do receiver) em milisegundos, começando normalmente em 10ms e chegando até 30 ou 40ms. Esse atraso pode ser necessário para aumentar a sensação de envolvimento do filme, mas sua eficiência depende muito das características da sala. Numa sala com grande índice de reverberação, pode-se acabar ouvindo sons embaralhados mais do que qualquer outra coisa. Mesmo numa sala "normal", o excesso de delay costuma tornar o som pouco natural.

Exatamente por isso, os processadores oferecem ao usuário a possibilidade de ajustar o tempo de atraso ao seu gosto. O ajuste de delay normalmente é feito para os canais surround, levando em conta a distância entre o ouvinte e as caixas traseiras. Se você está muito perto delas, e mais longe das frontais, provavelmente irá preferir um tempo de atraso menor. Há aparelhos que permitem ajustar ainda o atraso da caixa central em relação às frontais direita e esquerda. Seja como for, o certo é que não há uma receita para isso. Tudo depende de seu gosto pessoal e das peculiaridades de sua sala; em caso de dúvida, chame um especialista para dar seu parecer.

NÍVEL DOS CANAIS

Este é um ponto crucial em home theater. Com a evolução da tecnologia digital, ficou mais fácil para o diretor do filme definir exatamente quais sons colocar neste ou naquele canal. Você pode até não concordar, mas é dessa forma que ele quer que você assista ao filme. Assim, determinadas cenas utilizam muito pouco dos canais traseiros, enquanto outras proporcionam uma verdadeira sinfonia de sons os mais variados. Na realização de um filme, são várias as trilhas sonoras envolvidas: diálogos, música, efeitos, som ambiente etc.

Para ouvir tudo isso com clareza, é preciso que o nível de cada canal esteja corretamente ajustado. Em Pro-Logic, o ajuste é relativamente simples, pois são apenas 4 canais analógicos. Já em Dolby Digital ou DTS, com seus 6 canais independentes, as nuances são muito mais sutis. O procedimento inicial, nos dois casos, é fazer o chamado test tone, pelo qual cada canal emite um chiado durante alguns segundos. Esse ruído permite ao usuário saber a intensidade do sinal emitido em cada canal. No menu, ele pode aumentar ou diminuir esse nível (em decibéis) de modo que nenhum dos canais se sobreponha aos demais.

Usualmente, utiliza-se os canais traseiros num nível um pouco mais baixo do que os frontais. Mas os bons equipamentos possuem amplificação suficiente para que se ouça nitidamente todos os canais, mesmo quando ajustados em 0dB, como é comum quando o aparelho sai da fábrica. Se você alterar o ajuste pode refazê-lo depois mas, como já foi dito, nem todos os receivers permitem essa mudança enquanto se está assistindo a um filme.

SUBWOOFER

Também denominado LFE (Low-frequency Effects, ou "efeitos de baixa freqüência"), o canal de subwoofer exige um ajuste à parte. Como se sabe, grande parte dos efeitos dos filmes contém muitos sinais na faixa mais baixa de freqüências, que vai de 20Hz até cerca de 120Hz. A maioria das caixas acústicas não consegue reproduzir fielmente esses sinais, de modo que torna-se necessária uma caixa "dedicada" a essa função.

Como já foi explicado, quando se seleciona o tipo de caixas LARGE, o processador "entende" que as caixas frontais são capazes de reproduzir bem os graves e que, portanto, não há necessidade de subwoofer no sistema. Mas o correto, pelo menos em Dolby Digital e DTS, é utilizar um subwoofer ativo. Portanto, selecione a opção SMALL para que o processador direcione os sinais graves ao subwoofer. Esse direcionamento será feito de acordo com o ajuste LFE, que em alguns aparelhos ganha o nome de bass manager ("gerenciador de graves").

Através do menu, deve-se então indicar qual a freqüência máxima em que o sub irá operar (a chamada "freqüência de corte"). Essa freqüência deve ser a mesma selecionada no painel traseiro do sub, normalmente variando entre 80 e 150Hz. Significa que todos os sons abaixo dessa faixa serão reproduzidos pelo sub, enquanto os demais sairão pelas outras caixas. Isso garante melhor desempenho do conjunto. Caso esse ajuste não seja feito, irá acontecer uma desagradável "mistura" de freqüências entre as caixas acústicas, comprometendo totalmente a reprodução.

OS EFEITOS DSP

Um dos principais atrativos propagados pelos fabricantes de receivers é o número de modos de efeito surround. A maioria deles anuncia a grande quantidade de modos como uma vantagem, quando na verdade isso faz pouca diferença no desempenho do aparelho. Chamados genericamente de DSP, esses modos permitem que o usuário altere a reprodução do sinal de áudio para obter determinados efeitos. Originalmente, a sigla DSP (Digital Signal Processing) tinha outra finalidade. Trata-se de uma metodologia de medição desenvolvida pela Yamaha, empresa que tem longa tradição na área de instrumentos musicais, e que acabou sendo adotada pela maioria dos fabricantes. Os técnicos da Yamaha mediram o comportamento das ondas sonoras em diversos ambientes: igrejas, danceterias, estádios, teatros etc. Essas medições foram analisadas em computador, resultando em circuitos capazes de simular aqueles sons. Assim, os receivers e processadores passaram a ser equipados com circuitos que ganharam o nome genérico de DSP.

Com esses circuitos, pode-se provocar alterações na forma como o som se propaga pela sala, resultando em efeitos que às vezes são agradáveis e às vezes não - tudo, é claro, a critério de quem está ouvindo. Os modos ganharam nomes relacionados aos ambientes onde cada efeito foi produzido: ARENA ou STADIUM, para locais ao ar livre; DISCO ou DANCE, para danceterias; CHURCH, para igreja; HALL ou CONCERT, para salas de concerto; e assim por diante. Os nomes mudam conforme a marca, mas na verdade tudo deriva do mesmo conceito: oferecer variações de efeitos.

O que costuma confundir o usuário é que, quase sempre, esses efeitos alteram muito pouco o sinal que se ouve, quando não pioram sua qualidade. Os mais puristas acham um sacrilégio alterar dessa forma o som, principalmente em música, quando o que se pretende é a maior fidelidade possível ao som original. De qualquer forma, é um recurso a mais oferecido pelos fabricantes.



* texto publicado originalmente na revista HOME THEATER







Palavras-chave: Como | Ajustar | As | Caixas | Acústicas
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