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Como comprar um telescópio e não ser enganado (o que não é fácil).
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Atualizado em 13/08/2006

1. Esteja ciente de que os produtos do mercado não são bons. O fato é que a maioria dos equipamentos que encontramos à venda são de baixa qualidade. Lunetas chinesas com oculares de plástico, espelhos de newtoniano baratos porém defeituosos, Maksutovs de segunda linha etc. Na maior parte das vezes, o comprador tende a confiar nos fabricantes, que muitas vezes não merecem confiança, e geralmente costumam pensar que terão sorte. Por vezes, chegam a perguntar a qualidade do instrumento para o próprio vendedor... adivinhe a resposta!

2. Qualidade ótica é outro patamar, a que pouca gente tem acesso. Nenhum telescópio decepciona, a não ser todo aquele que possui baixa qualidade ótica. A maioria dos compradores não sabe disso - não compreende perfeitamente o que representa dispor de qualidade ótica. A imagem de um telescópio perfeito jamais decepciona, porque ele vale o valor investido.

3. Pode-se falar de 3 níveis de qualidade ótica. 1) os equipamentos excepcionais, que encantam, construídos por astrônomos amadores honestos (cuidado porque é grande o número de picaretas!); 2) equipamentos de qualidade média (geralmente o sub-produto de linhas de produção, que também não decepcionam muito) e 3) os telescópios "fora de foco", que só conseguem ver crateras da Lua, Saturno desfocado e Júpiter sem mais detalhes além das faixas equatoriais.

4. Cuidado com os "óticos de plantão", porém confie nos bons ATMs (Amateur Telescope Makers). Geralmente, o discurso desses amadores "de plantão", uma verdadeira armadilha, é "não compre uma luneta, porém um binóculo - primeiro, você precisa reconhecer as constelações". Ora, um binóculo pode durar para sempre, entretanto ele jamais poderá distingüir detalhes numa superfície planetária. A minha opinião, respeitando a dos demais ATMs, é que se deve comprar um telescópio, ou luneta, e depois complementar as observações com a aquisição de um binóculo.

5. Cuidado com aquele papo teórico sobre abertura ótica e poder resolutivo - o mais importante é a qualidade ótica. Geralmente, a abertura só pode ser pensada a partir do momento que se dispõe de um mínimo de qualidade - uma vez satisfeito esse requisito, aí sim ela faz diferença. Um detalhe vital para os óticos de plantão é esta questão da abertura, a que recorrem todo o tempo, como se todo telescópio fosse confiável. Quase sempre, esse discurso é meio abstrato, recorre a princípios como magnitude-limite, fórmulas de poder resolutivo etc. e para eles todos os telescópios são iguais, desde que disponham da mesma abertura. Fuja disso - eles são verdadeiros homens-bomba. Uma das conseqüencias deste discurso é que se considera fatores como portabilidade, marca e até aparência moderna como determinantes de uma compra, quando na realidade o que importa é a qualidade ótica. Tenha sempre em mente: a ótica de precisão é uma luta na qual saímos em desvantagem, e precisamos compensar tal desvantagem aceitando, quase sempre, lunetas com relação focal f/15 (embora com f/8 para cima também funcione em termos), espelhos de longa relação focal, e especialmente descartando a compra dos tentadores Maks e SCTs de segunda linha.

6. Cuidado, por que apesar de todas as dicas, o comprador TENDE a fazer uma compra errada (até parece que ele QUER fazer uma compra errada). Pare para pensar, principalmente se encontrar um ATM disposto a fornecer bons conselhos. Afinal, mais do que nunca você está diante da Lei de Murphy - sugestões equivocadas, mercado repleto de equipamentos obsoletos, material de segunda linha, etc.

7. Numa linha de produção normal, os telescópios refratores são mais confiáveis que os refletores, apesar da aberração cromática residual. Telescópios com longa f/D, sistemas óticos de superfícies esféricas (All-Spherical Optics) e sistemas óticos com menor número de superfícies costumam ser melhores que aqueles telescópios compactos de aparência moderna. Entretanto, nada competirá com um bom newtoniano Hand-Corrected de verdade (não somente alegado). Cuidado com anúncios que prometem 1/10 de onda, ótica Hand-Figured, etc. - na maior parte das vezes são um embuste. Maior cuidado ainda com espelhos finos, com 1/10 de espessura, que apresentam astigmatismo e baixa qualidade ótica (proporcional ao baixo custo) - espelhos, em particular, são extremamente sensíveis a qualquer irregularidade.

8. Oculares são importantes - muitas vezes, o problema de um telescópio está no astigmatsmo da ocular, mais do que nas aberrações da superfície de uma objetiva.

9. Não compre sem pesquisar muito sobre o modelo em vista, ler diversos reviews e, de preferência, encontrar fotos tiradas com aquele modelo específico. Se possível, localize o site do fabricante e atenção - cuidado porque muitos telescópios chineses são vendidos com diferentes nomes por empresas fantasmas, como se tivessem sido produzidos no local.

10. Vidro não envelhece - portanto, nada há de errado em comprar equipamento usado. Geralmente, os telescópios mais antigos apresentam maior qualidade (o que não significa que todo equipamento antigo seja bom) - como já citei, qualidade ótica é tudo.

11. A única compra segura é aquela em que você testa antes de comprar. E esse teste deve ser com um planeta visível - de modo algum com a Lua, a não ser que você seja observador lunar. Geralmente, a Lua apresenta detalhes de relevo até com telescópios "picaretas".

12. Antes de comprar um espelho, conheça bem o fabricante, a partir de diversas fontes. QUALQUER fabricante trata bem, e cem por cento deles se torna amigo - porém, com tudo isso, apenas uma minoria merece confiança. Procure referências, pergunte nos grupos da Internet (mas cuidado porque virou praxis elogiar cada fabricante, mesmo que produza espelhos "desfocados") - se encontrar qualquer relato negativo, confira - se possível, localize imagens da internet tiradas com equipamentos dessa origem. Especialmente, verifique se existe alguma coisa errada na parte mecânica: espelhos muito finos (com espessura de 1/10), porta-oculares de plástico, ausência de informação sobre as oculares (p. ex. - no caso de pequenas lunetas, se elas são de vidro) - enfim, procure defeitos e jamais acredite que terá sorte - desconfie antes de confiar, porque o mercado, infelizmente, está saturado de equipamentos obsoletos.

13. Por fim, não compre lunetas de curta relação focal, mesmo se tratando de lunetas acromáticas. Algumas lunetas são curtas e de boa qualidade, porém seu custo é elevadíssimo e seu sistema ótico é de outro tipo - que se denomina APOCROMÁTICO e é indicado pela discriminação ED - observe que se trata de uma categoria de instrumento totalmente diversa, noutra faixa de preço.

14. Evite comprar lunetas chinesas baratas - sabe, ainda não inventaram o telescópio chinês barato e ao mesmo tempo bom, independente do tamanho, da abertura... principalmente em se tratando de instrumentos modernos. Existem bons fabricantes na China, porém seus telescópios são muito raros, muito difíceis de achar no mercado.

15. O fato de que um telescópio possui Autostar, ou qualquer sistema computadorizado, não significa que apresente imagem sequer satisfatória - antes, pode acontecer justamente o contrário. Muito cuidado com aqueles telescópios de aparência moderna, compactos, catadióptricos (os Maksutov e Schmidt) - eles dificilmente competiriam com um bom e velho newtoniano feito à mão (hand-corrected) por um astrônomo amador. O melhor telescópio geralmente não recebe muitos lances, está quase invisível, sua aparência é simples e antiquada, ele é usado, é antigo (de preferência uns vinte anos ou mais)... uma luneta antiga, branca, um newtoniano artesanal (de boa origem, não qualquer um!!)... enfim, jamais compre um telescópio só porque está recebendo mais lances (aquele que todo mundo compra).

 

Palavras-chave: Telescópio | Luneta | Refrator | Espelho | Ocular
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