Uma das principais decisões de quem
monta um home theater é sobre a tela a ser colocada no ambiente.
Até 71?, muitas opções de TVs podem ser encontradas,
desde os modelos comuns (de tubo) até os chamados retroprojetores
(a partir de 40?). Quem quer tela maior, porém, deve escolher cuidadosamente
o projetor e, é claro, o tipo de tela mais adequada. E, convenhamos,
para estar mais próximo do envolvimento de uma sala de cinema, nada
melhor do que uma tela grande.
Parece simples. Escolhe-se um projetor,
uma tela, calcula-se a distância ideal e pronto: tudo certo para
sua primeira sessão de cinema em casa. Errado. A escolha correta
da tela exige cuidados. As opções no mercado são diversas,
dependendo das características da sala e do projetor utilizado,
e uma tela mal escolhida pode prejudicar bastante o funcionamento do home
theater.
Primeiro passo: definir o uso que se fará
da tela. Só para assistir filmes no escuro, ou também no
claro? Desta decisão virá a escolha do material: uma superfície
que ofereça ganho de brilho (caso para projeções em
locais iluminados), ou uma superfície opaca, que reproduza exatamente
a imagem como enviada pelo projetor. É indispensável, também,
saber a medida exata do ambiente, onde será instalada a tela e em
que local serão colocados sofás e cadeiras.
Segundo dados da Society of Motion Picture
and Television Engineers (SMPTE), dos EUA, o ideal é que a primeira
fila de assentos esteja distante pelo menos duas vezes a altura da tela;
e que os assentos mais distantes estejam localizados, no máximo,
a seis vezes a altura da tela. Vale lembrar que essas medidas são
genéricas e que o acompanhamento de um profissional na hora da instalação
é essencial para um projeto bem feito.
O consumidor pode optar por dois tipos
de tela, de acordo com a forma de projeção utilizada: telas
para projeção frontal e para retroprojeção.
Por projeção frontal entenda-se aquela em que o projetor
é colocado de frente e seu feixe de luz incide na tela, reflete
e volta para o espectador. Na retroprojeção, o projetor é
colocado atrás da tela e seu feixe de luz a atravessa, dirigindo-se
à platéia.
Instalar tela e projetor para projeção
frontal é mais simples, e o espaço necessário, menor.
Já a retroprojeção exige um espaço de pelo
menos três metros atrás da tela para que o projetor seja colocado
de forma correta. Por isso, apesar de o projetor não ficar aparente
e o feixe de luz não sofrer interferência neste caso, telas
de retroprojeção não são tão comuns
em home theater.
Ao contrário, cresce cada vez mais
o número de consumidores que optam por telas para projeção
frontal. A primeira escolha neste caso é entre telas rígidas
ou flexíveis. Estas últimas, é possível deixá-las
ocultas quando necessário (embutidas no teto ou estante, por exemplo),
o que não ocorre com as telas rígidas. Tomada esta decisão,
escolhe-se a tela segundo seu modo de acionamento: manual ou elétrico.
Uma tela elétrica custa, em geral, quase o dobro da manual com as
mesmas características. Se for elétrica, a tela pode ser
acionada por controle remoto ou por botões instalados na parede.
A tarefa seguinte é escolher
o material que reveste a tela. Para esta decisão, é importante
ter em mente a relação entre ganho e ângulo de visão.
Tudo depende do material de que a tela é feita. O ganho indica quanto
a tela confere a mais de brilho na imagem projetada e quanto esta imagem
é concentrada e direcionada ao espectador. O ângulo de visão
determina o campo visual em que os espectadores devem estar posicionados
para ver a imagem sem distorções. Quanto maior o ganho, menor
o ângulo de visão de uma tela.
Explica-se: as telas de maior ganho concentram
os raios de luz e direcionam sua reflexão para o espectador, evitando
a difusão destes raios. A imagem é mais brilhante, mas também
mais concentrada na parte central da tela. Assim, quanto mais se concentram
estes raios, menor o campo de visão do telespectador. Olhando a
tela de lado, a imagem perde brilho.
Por isso, é bom não se iludir
com telas que ofereçam ganhos astronômicos. São produzidas
para uso em ambientes iluminados e, ao potencializarem o brilho da imagem,
diminuem um pouco sua nitidez. E, como em geral as telas que conferem maior
ganho são feitas com materiais metálicos, o espectador mais
crítico pode ficar incomodado com o tom azul da imagem, um pouco
carregado nestes casos.
É o que acontece com as telas aluminizadas
(ou polarizadas). Elas chegam a conferir um ganho na imagem de até
5.0, ou seja, a imagem retorna para o espectador com cinco vezes mais brilho
do que quando incide na tela. Contudo, além da desvantagem de ficarem
sempre expostas no ambiente, seu uso é limitado aos projetores LCD.
Por um motivo simples: estes projetores emitem um feixe de luz único,
que quando concentrado na tela retorna ao espectador com uniformidade de
cores. Já os projetores CRT possuem três tubos, cada um emitindo
uma cor (vermelho, verde e azul). Ao receber cada um dos feixes de luz,
a tendência é que a tela aluminizada, concentrando esses raios,
devolva-os ao espectador na mesma direção em que foram recebidos.
Assim, nota-se facilmente que a cor da imagem é saturada nos tons
vermelho, verde e azul.
Para quem pretende utilizar o projetor
no claro e não tem problemas em deixar a tela exposta, as aluminizadas
são uma boa opção. E não só elas. Há
outras telas que oferecem ganho em menor nível, mas que igualmente
permitem a projeção de imagens no claro.
Mas como o maior uso de projetores em
home theater é feito mesmo no escuro, as opções de
telas concentram-se nas que não possuem ganho elevado. As mais comuns
são as chamadas Matte White e as Glass Beaded. As três empresas
mais tradicionais no segmento e que têm representantes no Brasil
- Draper, DA-Lite e Stewart - fabricam ambas (além de uma série
de outras com materiais diferenciados).
A tela Matte White é feita de material
plástico opaco e não oferece ganho de imagem. Por isso, seu
ângulo de visão é dos maiores. A imagem projetada neste
tipo de tela não sofre alteração, mesmo olhando de
lado, e as cores são reproduzidas com fidelidade, sem saturação.
Já a Glass Beaded (também conhecida como ?pó de vidro?)
confere um ganho mínimo, da ordem de 1.1 a 1.3. É revestida
com pequenos fragmentos de vidro e, por isso, tem a desvantagem de não
poder ser limpa. Como o ganho de imagem é muito pequeno nestas telas,
as cores não chegam a ficar carregadas. Também não
é recomendável utilizar telas Glass Beaded no claro.
Mas a principal desvantagem das telas
Glass Beaded é que não podem ser utilizadas com projetor
no teto. Ou não devem: a nitidez da imagem é menor do que
quando o projetor é colocado no chão ou sobre uma mesa. Explica-se:
esta tela recebe os feixes de luz e reflete na mesma direção
em que incidiram. Assim, recebendo os feixes de luz do teto, a imagem também
retorna nesta direção, tornando a imagem mais ?lavada?. Por
isso, o projetor deve estar na altura do campo de visão do espectador.
Já com uma Matte White, os raios de luz refletem na tela e são
difundidos em diversas direções.
Outro detalhe a ser observado - e com
cuidado - são os tensionadores: fios colocados manualmente em cada
uma das laterais da tela, para manterem-na esticada. Este simples acessório
pode encarecer em mais de 50% o custo do produto. Por isso, é bom
pesar sua real necessidade. Em telas que oferecem ganho, principalmente
nas que possuem superfícies metálicas, tensionadores são
indispensáveis. Caso a tela sofra ondulações, nestes
pontos vai se formar uma faixa prateada mais intensa, que aparecerá
na imagem.
No caso das telas Matte White e Glass
Beaded (ou de outras opacas ou com pouco ganho), a partir de 80? é
recomendada a colocação de tensionadores, principalmente
naquelas feitas com material mais leve. Com o tempo, a tendência
é este tecido ficar mais flácido, e aí as ondulações
podem ocorrer com mais facilidade.
Todos esses detalhes, que parecem simples,
devem ser discutidos com um profissional especializado. E o mais importante
é ter parâmetros de qualidade para poder escolher a tela que
mais lhe agrade. É essencial visitar mais de um show-room e testar
pelo menos três telas feitas com materiais diferentes. Comparar as
imagens é a melhor maneira de perceber as diferenças entre
os modelos e quais realmente atendem às suas expectativas.
* Este texto foi publicado originalmente na revista HOME THEATER (agosto de 1998)
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