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Como escolher uma tela para Home Theater
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Atualizado em 06/08/2008





Uma das principais decisões de quem monta um home theater é sobre a tela a ser colocada no ambiente. Até 71?, muitas opções de TVs podem ser encontradas, desde os modelos comuns (de tubo) até os chamados retroprojetores (a partir de 40?). Quem quer tela maior, porém, deve escolher cuidadosamente o projetor e, é claro, o tipo de tela mais adequada. E, convenhamos, para estar mais próximo do envolvimento de uma sala de cinema, nada melhor do que uma tela grande.

Parece simples. Escolhe-se um projetor, uma tela, calcula-se a distância ideal e pronto: tudo certo para sua primeira sessão de cinema em casa. Errado. A escolha correta da tela exige cuidados. As opções no mercado são diversas, dependendo das características da sala e do projetor utilizado, e uma tela mal escolhida pode prejudicar bastante o funcionamento do home theater.

Primeiro passo: definir o uso que se fará da tela. Só para assistir filmes no escuro, ou também no claro? Desta decisão virá a escolha do material: uma superfície que ofereça ganho de brilho (caso para projeções em locais iluminados), ou uma superfície opaca, que reproduza exatamente a imagem como enviada pelo projetor. É indispensável, também, saber a medida exata do ambiente, onde será instalada a tela e em que local serão colocados sofás e cadeiras.

Segundo dados da Society of Motion Picture and Television Engineers (SMPTE), dos EUA, o ideal é que a primeira fila de assentos esteja distante pelo menos duas vezes a altura da tela; e que os assentos mais distantes estejam localizados, no máximo, a seis vezes a altura da tela. Vale lembrar que essas medidas são genéricas e que o acompanhamento de um profissional na hora da instalação é essencial para um projeto bem feito.

O consumidor pode optar por dois tipos de tela, de acordo com a forma de projeção utilizada: telas para projeção frontal e para retroprojeção. Por projeção frontal entenda-se aquela em que o projetor é colocado de frente e seu feixe de luz incide na tela, reflete e volta para o espectador. Na retroprojeção, o projetor é colocado atrás da tela e seu feixe de luz a atravessa, dirigindo-se à platéia.

Instalar tela e projetor para projeção frontal é mais simples, e o espaço necessário, menor. Já a retroprojeção exige um espaço de pelo menos três metros atrás da tela para que o projetor seja colocado de forma correta. Por isso, apesar de o projetor não ficar aparente e o feixe de luz não sofrer interferência neste caso, telas de retroprojeção não são tão comuns em home theater.

Ao contrário, cresce cada vez mais o número de consumidores que optam por telas para projeção frontal. A primeira escolha neste caso é entre telas rígidas ou flexíveis. Estas últimas, é possível deixá-las ocultas quando necessário (embutidas no teto ou estante, por exemplo), o que não ocorre com as telas rígidas. Tomada esta decisão, escolhe-se a tela segundo seu modo de acionamento: manual ou elétrico. Uma tela elétrica custa, em geral, quase o dobro da manual com as mesmas características. Se for elétrica, a tela pode ser acionada por controle remoto ou por botões instalados na parede.

A tarefa seguinte é escolher o material que reveste a tela. Para esta decisão, é importante ter em mente a relação entre ganho e ângulo de visão. Tudo depende do material de que a tela é feita. O ganho indica quanto a tela confere a mais de brilho na imagem projetada e quanto esta imagem é concentrada e direcionada ao espectador. O ângulo de visão determina o campo visual em que os espectadores devem estar posicionados para ver a imagem sem distorções. Quanto maior o ganho, menor o ângulo de visão de uma tela.

Explica-se: as telas de maior ganho concentram os raios de luz e direcionam sua reflexão para o espectador, evitando a difusão destes raios. A imagem é mais brilhante, mas também mais concentrada na parte central da tela. Assim, quanto mais se concentram estes raios, menor o campo de visão do telespectador. Olhando a tela de lado, a imagem perde brilho.

Por isso, é bom não se iludir com telas que ofereçam ganhos astronômicos. São produzidas para uso em ambientes iluminados e, ao potencializarem o brilho da imagem, diminuem um pouco sua nitidez. E, como em geral as telas que conferem maior ganho são feitas com materiais metálicos, o espectador mais crítico pode ficar incomodado com o tom azul da imagem, um pouco carregado nestes casos.

É o que acontece com as telas aluminizadas (ou polarizadas). Elas chegam a conferir um ganho na imagem de até 5.0, ou seja, a imagem retorna para o espectador com cinco vezes mais brilho do que quando incide na tela. Contudo, além da desvantagem de ficarem sempre expostas no ambiente, seu uso é limitado aos projetores LCD.

Por um motivo simples: estes projetores emitem um feixe de luz único, que quando concentrado na tela retorna ao espectador com uniformidade de cores. Já os projetores CRT possuem três tubos, cada um emitindo uma cor (vermelho, verde e azul). Ao receber cada um dos feixes de luz, a tendência é que a tela aluminizada, concentrando esses raios, devolva-os ao espectador na mesma direção em que foram recebidos. Assim, nota-se facilmente que a cor da imagem é saturada nos tons vermelho, verde e azul.

Para quem pretende utilizar o projetor no claro e não tem problemas em deixar a tela exposta, as aluminizadas são uma boa opção. E não só elas. Há outras telas que oferecem ganho em menor nível, mas que igualmente permitem a projeção de imagens no claro.

Mas como o maior uso de projetores em home theater é feito mesmo no escuro, as opções de telas concentram-se nas que não possuem ganho elevado. As mais comuns são as chamadas Matte White e as Glass Beaded. As três empresas mais tradicionais no segmento e que têm representantes no Brasil - Draper, DA-Lite e Stewart - fabricam ambas (além de uma série de outras com materiais diferenciados).

A tela Matte White é feita de material plástico opaco e não oferece ganho de imagem. Por isso, seu ângulo de visão é dos maiores. A imagem projetada neste tipo de tela não sofre alteração, mesmo olhando de lado, e as cores são reproduzidas com fidelidade, sem saturação.

Já a Glass Beaded (também conhecida como ?pó de vidro?) confere um ganho mínimo, da ordem de 1.1 a 1.3. É revestida com pequenos fragmentos de vidro e, por isso, tem a desvantagem de não poder ser limpa. Como o ganho de imagem é muito pequeno nestas telas, as cores não chegam a ficar carregadas. Também não é recomendável utilizar telas Glass Beaded no claro.

Mas a principal desvantagem das telas Glass Beaded é que não podem ser utilizadas com projetor no teto. Ou não devem: a nitidez da imagem é menor do que quando o projetor é colocado no chão ou sobre uma mesa. Explica-se: esta tela recebe os feixes de luz e reflete na mesma direção em que incidiram. Assim, recebendo os feixes de luz do teto, a imagem também retorna nesta direção, tornando a imagem mais ?lavada?. Por isso, o projetor deve estar na altura do campo de visão do espectador.

Já com uma Matte White, os raios de luz refletem na tela e são difundidos em diversas direções. Outro detalhe a ser observado - e com cuidado - são os tensionadores: fios colocados manualmente em cada uma das laterais da tela, para manterem-na esticada. Este simples acessório pode encarecer em mais de 50% o custo do produto. Por isso, é bom pesar sua real necessidade. Em telas que oferecem ganho, principalmente nas que possuem superfícies metálicas, tensionadores são indispensáveis. Caso a tela sofra ondulações, nestes pontos vai se formar uma faixa prateada mais intensa, que aparecerá na imagem.

No caso das telas Matte White e Glass Beaded (ou de outras opacas ou com pouco ganho), a partir de 80? é recomendada a colocação de tensionadores, principalmente naquelas feitas com material mais leve. Com o tempo, a tendência é este tecido ficar mais flácido, e aí as ondulações podem ocorrer com mais facilidade.

Todos esses detalhes, que parecem simples, devem ser discutidos com um profissional especializado. E o mais importante é ter parâmetros de qualidade para poder escolher a tela que mais lhe agrade. É essencial visitar mais de um show-room e testar pelo menos três telas feitas com materiais diferentes. Comparar as imagens é a melhor maneira de perceber as diferenças entre os modelos e quais realmente atendem às suas expectativas.



* Este texto foi publicado originalmente na revista HOME THEATER (agosto de 1998)







Palavras-chave: Como | Escolher | Uma | Tela | Para
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