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Como funciona o formato D-VHS
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Atualizado em 06/08/2008



O recente lançamento do videocassete D-VHS/D-Theater MV8300, da Marantz, é um importante capítulo na história do home theater no Brasil. O DVD popularizou definitivamente o conceito de "cinema em casa".



É claro que o formato D-VHS não terá a mesma força, porém, a chegada do vídeo digital de alta resolução abre espaço para novos caminhos dentro do mundo do entretenimento doméstico.



Muitos imaginam que o DVD é o máximo em termos de vídeo. Como qualidade nunca é demais, a TV digital de alta resolução, cada vez mais difundida nos EUA, é capaz de conquistar qualquer aficionado por home theater. Quem já teve a oportunidade de assistir a uma boa demonstração de HDTV, como as realizadas durante o Home Theater & DVD Show, evento realizado em maio em São Paulo, ficou impressionado com o que viu.



Abordamos, em edições anteriores, o futuro do DVD. Muitos usuários estão preocupados com o investimento feito em players e discos. Calma: o D-VHS não representa nenhum perigo ao DVD, pois é claramente um formato "de nicho", e suas características vão impedi-lo de alcançar a mesma aceitação conquistada pelo DVD.



Lançado pela JVC como a primeira (e, até hoje, única) solução para armazenamento de HDTV, o D-VHS logo conquistou, como todo novo formato, os "early adopters" - fanáticos que não esperam o amadurecimento da tecnologia para adquiri-la, pois desejam logo experimentá-la.



O D-VHS permitiu armazenar as novas e belas imagens de alta definição num momento em que as transmissões de TV digital davam seus primeiros passos nos EUA. Com isso, os consumidores americanos que puderam comprar TVs de alta resolução passaram a gravar e assistir posteriormente os poucos programas transmitidos em HDTV.Com o tempo, as operadoras de TV por assinatura via satélite começaram a produzir mais atrações em HDTV e passaram a comercializar receptores integrados a gravadores D-VHS.



Outro trunfo do novo formato é a compatibilidade. Como as fitas são praticamente iguais àquelas utilizadas nos velhos videocassetes VHS e S-VHS, os D-VHS players são capazes de lê-las, com uma vantagem para o usuário: a possibilidade de reproduzir as suas gravações do passado num videocassete digital de boa qualidade e tirar proveito das saídas de vídeo componente existentes nesse equipamento.



Para nós, brasileiros, o D-VHS tem algumas limitações. Ainda não temos transmissões de TV digital, portanto, uma das características principais do sistema, que é gravar TV de alta definição, torna-se inútil. E, quando ela chegar, nada garante que vamos seguir o padrão norte-americano ATSC, utilizado pelo formato. Os programas exibidos pelas operadoras de TV via satélite (Directv e Sky), que trazem resolução convencional, podem ser gravados. Porém, não há conectores digitais nos receptores, que resultariam em ganho de qualidade. Por outro lado, as mesmas atrações também podem ser copiadas por qualquer gravador de DVD de mesa, mais versáteis e com resolução suficiente para armazená-las com baixas perdas.



O mesmo vale para gravações de TV aberta. Vários gravadores de DVD oferecem funcionalidades bastante úteis, que não existem nos equipamentos de D-VHS. É o caso das funções de PVR (gravadores de vídeo pessoal), que estão presentes no modelo DMR-E30, da Panasonic, à venda no País. Através desse equipamento, é possível pausar a programação de TV ao vivo e assistir a um trecho anterior de um programa enquanto o final ainda está sendo gravado.



A vantagem do D-VHS, porém, está na capacidade de gravar imagem com compressão muito menor (já no padrão STD - Standard - do D-VHS, 14,1 megabits por segundo, mais do que a utilizada por gravadores de DVD, o que resulta em melhor qualidade da imagem). Além disso, é possível armazenar até 24 horas de programação numa única fita, e mantendo a mesma resolução das transmissões da nossa TV convencional.



Mas você deve estar se perguntando: para que preciso de um videocassete digital? A resposta é a extensão do formato D-VHS. O chamado D-Theater é um padrão que conta com sistemas adicionais de proteção contra cópias. Na verdade, trata-se de um método de proteção criptográfica mais robusto, em que uma série de dados é incluída na gravação para evitar a pirataria. Depois da chegada desse dispositivo, os estúdios de Hollywood aceitaram distribuir seus filmes em fitas de alta resolução.



Com o D-Theater, é possível assistir a filmes pré-gravados com qualidade bem superior à obtida com o DVD e até à da TV digital, seja terrestre ou por satélite. O D-VHS e o D-Theater contam com uma excelente taxa máxima de transmissão de dados de 28,2 megabits por segundo. Com uma taxa dessas, superior à das transmissões de TV digital do padrão americano (ATSC) e bem acima dos 4,5 megabits por segundo normalmente utilizados no formato DVD, o usuário consegue armazenar 4 horas de gravações numa única fita. Essas também armazenam substancialmente mais dados que os DVDs: são 50 gigabytes de informação, contra 9 dos discos de dupla-camada e um lado.



Entre os fabricantes, JVC, Marantz e Hitachi apóiam a novidade. Artisan, Dreamworks, Fox e Universal são os estúdios que apostam no D-Theater. Entretanto, com a ausência da Warner, Disney, MGM e outros, o formato vai demorar mais tempo para "decolar". Outro problema é a quantidade de títulos. Uma recente pesquisa no site svhsmovie.com, que vende fitas no formato, mostrou apenas trinta e três títulos disponíveis, a maioria em D-Theater e já assinada pelos grandes estúdios. Some a esses cerca de 25 lançados pelo canal esportivo HDNet, criado pelo milionário norte-americano Marc Cuban e distribuído pela DirecTV, e mais alguns oferecidos diretamente pelos fabricantes, gravados em D-VHS.



O modelo da Marantz é compatível com D-VHS e D-Theater, reproduzindo fitas de ambos os formatos. O equipamento permite gravar em três diferentes taxas de transferência, que vão dos 4,7 megabits por segundo - modo Low Standard - aos 28,2 megabits por segundo - modo High Standard, inclusive via conexão firewire, para as futuras gravações de programas da TV digital.



Entretanto, voltar a um formato baseado em fita, ao invés de optar por discos, leva a algumas análises. Apesar de gravados digitalmente, os dados não se degradam após várias reproduções simultâneas, já que o "stream" (fluxo) de dados é "traduzido" pelos decodificadores e reproduzido sempre da mesma forma (uma das vantagens de qualquer tecnologia digital). Porém, após um número exagerado de exibições, os sistemas de correção de erro podem não tolerar mais a degradação dos dados armazenados na fita. O travamento e o surgimento de "artifícios" na imagem seriam as indesejáveis conseqüências desse fenômeno.



E ainda temos o mofo e os eventuais problemas mecânicos (fitas "engolidas"), que afetam o VHS há anos. A fita também não traz aquela facilidade de encontrar trechos específicos da gravação imediatamente, como nos DVDs. Por outro lado, os títulos em D-Theater já apresentam algumas funcionalidades, como marcas nas fitas que permitem saltos - não imediatos - na gravação e simulam a divisão em capítulos. Menus e outros recursos audiovisuais e interativos também não fazem parte do mundo do D-VHS. E, é claro, precisamos rebobinar a fita após assisti-la.



Em termos de áudio, há pouco ganho. As fitas D-VHS utilizam Dolby Digital com taxas de transmissão de 640 kilobits por segundo, pouco mais do que obtemos com o DVD (cuja taxa é de 480). Ainda não há DTS para o novo formato, porém, a indústria já cogita essa alternativa. Outro obstáculo para a adoção do D-VHS/D-Theater é a pouca disponibilidade de títulos oficiais no mercado internacional.Os estúdios aceitaram distribuir os títulos inicialmente apenas nos EUA.



Portanto, quem quiser comprar filmes no formato será obrigado a importá-los ou procurar pelas poucas lojas que oferecem as fitas no Brasil. Pelo menos, a curto e médio prazo, não há nenhuma previsão de lançamento de títulos pelas distribuidoras nacionais. Para aqueles com dificuldades em compreender o inglês, é sempre bom lembrar que os títulos disponíveis possuem legendas e áudio no idioma de Shakespeare, raros vêm com legendas em espanhol. O preço médio de cada fita, nos EUA, é de US$ 30.



Mas lembre-se: as características técnicas do D-VHS/D-Theater são invejáveis. O formato oferece o máximo em termos de qualidade de vídeo digital doméstico, e muitos afirmam que é tão bom quanto o cinema digital. Se você tem uma configuração sofisticada, ou seja, com um display (TV, projetor ou plasma) capaz de reproduzir HDTV, o D-VHS/D-Theater proporcionará belas apresentações de cair o queixo.



* Texto publicado originalmente na revista HOME THEATER ©



 





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Palavras-chave: Como | Funciona | O | Formato | D-Vhs
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