O método de codificação
digital usado nos CDs (PCM de 16 bits) apresenta uma faixa dinâmica
total de 96dB, entre o nível sonoro mais alto e o mais baixo. Isso
é conseguido através de amostragens de 16 bits que são
feitas 44.100 vezes por segundo em cada canal, uma quantidade de dados
que é grande demais para ser armazenada ou transmitida, em termos
econômicos, especialmente quando se exige reprodução
multicanais. Como resultado disso, novas formas de codificação
digital de áudio - freqüentemente chamadas de "codificação
perceptiva" - vêm sendo desenvolvidas para permitir o uso de taxas
de amostragem mais baixas com um mínimo de degradação
perceptível na qualidade de áudio.
Dolby Digital é o primeiro
sistema de codificação perceptiva criado especificamente
para áudio digital multicanais. Também é o único
que se beneficia do desenvolvimento de dois outros sistemas de codificação
perceptiva bem sucedidos: Dolby AC-1 e AC-2. E também do desenvolvimento
daquilo que vêm a ser os sistemas de codificação analógicos:
todo o complexo sistema de redução de ruídos criado
pela Dolby Labs para as áreas profissional e de consumo.
De fato, a experiência única
da Dolby Labs com a redução de ruídos em áudio
é essencial para a eficiência do Dolby D igital em termos
de taxa de amostragem: quanto menos bits são usados para descrever
um sinal de áudio, maior o ruído. A redução
de ruídos da Dolby funciona reduzindo o ruído quando não
há nenhum sinal de áudio, ao mesmo tempo em que os sinais
mais fortes cobrem (ou mascaram) o ruído em outras passagens. Ou
seja, o sistema tira proveito do fenômeno psicoacústico conhecido
como "mascaramento auditivo". Mesmo quando os sinais de áudio estão
presentes em certas partes do espectro, o sistema Dolby NR reduz o ruído
nas outras partes para que nenhum ruído seja perceptível.
Isso porque os sinais de áudio só podem mascarar os ruídos
que ocorrem nas freqüências próximas.
O sistema Dolby Digital foi desenvolvido
para extrair o máximo do mascaramento auditivo no ouvido humano.
Ele divide o espectro de áudio de cada canal em estreitas faixas
de freqüência de tamanhos diferentes, otimizadas em relação
à capacidade seletiva do ouvido humano. Isso torna possível
filtrar detalhadamente os ruídos de codificação, para
que sejam forçados a permanecer muito próximos das freqüências
do sinal que está sendo codificado. Reduzindo ou eliminando os ruídos
onde não há sinais de áudio para mascará-los,
a qualidade sonora do sinal original pode ser substancialmente preservada.
Nesse aspecto fundamental, um sistema de codificação perceptiva
como o Dolby Digital é essencialmente uma forma muito seletiva e
poderosa de redução de ruído.
No Dolby Digital, os bits são
distribuídos entre as faixas de filtragem de acordo com cada espectro
particular de freqüências ou com a natureza dinâmica do
programa. Um modelo embutido de mascaramento auditivo permite ao circuito
codificador alterar a seletividade das freqüências (assim como
a resolução) para garantir que um número suficiente
de bits seja usado para descrever o sinal de áudio em cada faixa,
de forma que os ruídos sejam totalmente mascarados. Os circuitos
Dolby Digital também definem como os bits são distribuídos
entre os vários canais, a partir de uma área de bits comum.
Essa técnica permite que canais com maior conteúdo de freqüências
requeiram mais dados do q ue canais que só são ocupados esporadicamente.
Ou, por exemplo, que sons fortes num canal mascarem ruídos em outros
canais.
O sofisticado modelo de mascaramento
do sistema DD e seu método de utilizar uma área comum para
os bits são fatores essenciais para sua extraordinária eficiência.
Além disso, enquanto outros sistemas de codificação
precisam usar considerável (e preciosa) quantidade de dados para
transportar instruções aos seus decodificadores, o DD pode
usar proporcionalmente mais dados para representar o sinal de áudio,
o que significa melhor qualidade sonora.
Tecnicamente falando, o DD pode processar
sinais de pelo menos 20 bits de faixa dinâmica numa faixa de freqüências
que vai de 20Hz a 20KHz x 0.5dB (-3dB a 3Hz e 20.3KHz). Os canais de graves
cobrem de 20 a 120Hz x 0.5dB (-3dB a 3 e 121Hz). Taxas de amostragem de
32, 44.1 e 48KHz são admitidas. A variação das taxas
de dados vai de 32kb/s (kilobytes por segundo) até nada menos que
640kb/s, cobrindo assim uma larga faixa de exigências. As aplicações
típicas incluem formatos de 384kb/s para Dolby Surround Digital
de 5.1 canais, e 192kb/s para áudio em 2 canais.
* texto fornecido pela Dolby
Labs, criadora do sistema Dolby Digital.
|