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Como o Oscar pode mudar a vida de um ator
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Atualizado em 07/08/2008





Existem muitas maneiras pelas quais o Oscar pode transformar a carreira de um ator ou atriz. A premiação pode tornar um ator de teatro, famoso por papéis artísticos, um superstar de filmes de ação. Às vezes, o intérprete é premiado muito cedo na carreira e acaba não encontrando outros papéis do mesmo nível. E há também os veteranos, que tardiamente são reconhecidos com as bênçãos da Academia.



?Para um ator veterano, ganhar o Oscar significa uma homenagem a toda a sua carreira?, diz Johnnie Planco, agente que tem entre seus clientes nomes como Peter O?Toole e Lauren Bacall. Outros ? como Michael Caine, Judi Dench, Morgan Freeman e Tommy Lee Jones, que ganharam Oscar de coadjuvantes ? já fizeram cerca de 60 filmes cada um. Alguns deles se consideram ?character actors?, algo que pode ser definido como atores que gostam de interpretar determinados tipos (a exceção é Judi Dench, que prefere se identificar como ?atriz para qualquer tipo?).



?Sempre me considerei um ator de cinema, e não um astro de cinema?, diz Caine, que só em 2005 apareceu em três filmes. ?Quando um ator recebe um roteiro, ele pergunta ?Como posso me transformar para me adequar a esse script?? Quando um astro recebe um roteiro, pergunta ?Como posso mudar o script para se adaptar a mim??? Para sustentar sua afirmação, Caine cita Christian Bale, que trabalhou mais de vinte semanas em ?Batman Begins?. Para ele, Caine, vinte semanas podem significar quatro filmes!



Apesar de alguns fracassos e de críticas injustas, esses talentosos atores desafiam o paradigma de que, em Hollywood, você é tão bom quanto foi seu trabalho mais recente. ?Se fosse verdade, eu não estaria mais aqui?, ironiza Caine. ?Acho que isso vale apenas quando você é jovem e seu filme mais recente é seu primeiro filme?.



Sem dúvida, os benefícios que emanam de um Oscar são o imediato aumento de salário e a oferta de roteiros classe A. Depois de ser premiado por ?Regras da Vida?, Caine percebeu um aumento de 50% nos cachês que lhe ofereceram. Independente disso, esses atores não procuram se valer de suas performances específicas para ganhar mais poder de negociação; ao contrário, preferem tirar vantagem da premiação para valorizar seus currículos.



Planco lembra que os jovens que ganham um Oscar costumam esperar que seu próximo trabalho seja tão bom quanto o anterior, e isso nem sempre acontece ? esse jogo de espera pode resultar no seu esquecimento perante o mercado. Na maioria dos casos, porém, esses veteranos não hesitaram na hora de escolher seus papéis seguintes.



Aos 68 anos e com quatro indicações no currículo, Morgan Freeman finalmente ganhou seu Oscar, como ator coadjuvante, por seu papel de ex-pugilista em ?Menina de Ouro?. Logo após, sua voz grave foi chamada para a narração de ?Guerra dos Mundos?, de Steven Spielberg, e para a produção independente ?A Marcha dos Pingüins?. Ainda durante o verão passado, Freeman apareceu como um cego em ?Cão de Briga?, de Jet Li; um especialista em armas em ?Batman Begins?; e o parceiro de Robert Redford em ?An Unfinished Life?.



Embora admita que sua vida não mudou tanto assim depois do Oscar, Freeman tenta aproveitar a oportunidade para se livrar dos personagens ?bonzinhos? que tem feito, e evita trabalhos como narrador. Seu próximo papel é o de um assassino que escapa de um seqüestro e pega carona com John Cusack e seu filho numa floresta, em ?The Contract?, de Bruce Beresford, mesmo diretor de ?Conduzindo Miss Daisy?, filme que lhe deu a primeira indicação ao Oscar, em 1989. Aliás, o papel de bandido não é totalmente novo para Freeman, que também fez um assassino em ?A Enfermeira Betty (2000).



17 anos após ?Daisy?, Beresford comenta que Freeman ainda é um intérprete objetivo e sem afetação, além de flexível diante das sugestões do diretor. O cineasta, que também já dirigiu Tommy Lee Jones, diz que ambos os atores são tão pontuais no estúdio ?que você pode até acertar seu relógio a partir deles?. ?Eles lhe passam maior confiança no roteiro. Envolvem-se tão completamente que o diretor tem a certeza de que o projeto irá dar certo. Com atores menos dotados, seria bem diferente?.



A vitória de Judi Dench por seu papel como Rainha Elizabeth em ?Shakespeare Apaixonado? (1998) transformou sua reputação de atriz meramente teatral. Aos 65 anos, ela começou então a receber mais e mais convites para filmes. ?Fiquei 38 anos sem pisar nos EUA após trabalhar na Broadway em 1958-59?, relembra a atriz. ?Ninguem lembrava quem eu era?. Enquanto isso, Caine, depois de ganhar seu primeiro Oscar em 1987, como ator coadjuvante em ?Hannah e Suas Irmãs?, percebeu que teria poucas chances para papéis principais e conformou-se em ser um ?ator de tipos?. Ele reconhece que seu sotaque dificultou a oferta de trabalho para interpretar personagens americanos, até que o diretor sueco Lasse Hallstrom o convidou para viver um médico da Nova Inglaterra que dirige um orfanato, em ?Regras da Vida? (99). Foi a segunda vez em sua carreira que Caine interpretou um americano ? a primeira havia sido em 67, com ?O Incerto Amanhã?. Caine acha que ganhou seu segundo Oscar porque, no mesmo ano, foi muito elogiado como ator principal de ?O American Tranqüilo?.



Embora sejam gratos por seus troféus, esses atores destacam que o Oscar não lhes abriu muitas portas. Apesar do prêmio de coadjuvante em ?O Fugitivo? (93) e do sucesso comercial da série ?Homens de Preto?, Tommy Lee Jones foi cuidadoso ao produzir sua primeira experiência na direção, The Three Burials of Melquiades Estrada, que só pôde ser distribuído no circuito independente ? portanto, fora de Hollywood ? em 2005.



Jones diz que não se importou em ter que vender pessoalmente o filme, pois sabia que a indústria não é lá muito favorável a faroestes. Em vez de esperar pelo apoio em Hollywood, ligou para Luc Besson, importante diretor europeu, em quem confiava plenamente. No final dos anos 90, Jones demonstrou interesse em dirigir Espírito Selvagem? (?All the Pretty Horses), baseado em romance de um escritor que admirava, Cormac McCarthy. Ao bater à porta da Sony, descobriu que o estúdio já havia contratado Billy Bob Thornton para esse projeto. Em compensação, a Sony pediu a Jones que escrevesse um esboço de roteiro para ?Blood Meridian?, outro romance de McCarthy. Mas o filme jamais chegou a ser produzido, tal a quantidade de violência no roteiro.



?Não acredito que um prêmio mude a cabeça de quem financia os filmes?, diz o ator. ?Quantas vezes por dia alguém diz ?Tenho uma idéia, vamos fazer um filme?? Não acho que ganhar um desses troféus facilite conseguir realizar um projeto. Se você tem um bom roteiro, precisa convencer os poderosos de que está preparado para fazê-lo?. Falando especificamente sobre a atual temporada de especulações, que antecede o anúncio dos indicados, no próximo dia 31, Judi Dench ? que é candidata a melhor atriz por seu desempenho em ?Sra. Henderson Apresenta? ? diz que não costuma participar de eventos. ?Essas especulações agitam apenas a imprensa?, diz ela, ?não tenho que ficar preocupada se meu nome vai estar na lista?. Os papéis que esses atores encontram nem sempre revelam todo o seu potencial. Só em 2005, Jones fez um vaqueiro do Texas na fracassada comédia ?O Homem da Casa?, e Caine apareceu como pai de Nicole Kidman em ?A Feiticeira?.



?É comum os atores ouvirem nas entrevistas perguntas estúpidas como ?o que fez você escolher esse papel?? Bem, talvez eles não tenham escolhido?, diz o crítico da revista Time, Richard Schickel, um dos mais respeitados do País, que recentemente lançou o livro ?Elia Kazan: A Biography?. ?Talvez eles precisem do dinheiro, ou talvez fosse aquele o único papel que lhes ofereceram. Todo ator, no meio de um projeto, se pergunta se terá chance de trabalhar de novo. Isso é próprio do ser humano. Essa profissão é insegura?, diz Schickel.



Fazendo um balanço de sua carreira, e de seus fracassos de público e de crítica nos anos 70 e 80 (como Feitiço do Rio and Dramático Reencontro no Poseidon), Michael Caine confirma: ?Fiz todo filme que apareceu, porque achava que nunca mais iria trabalhar outra vez. Eram chances de ouro para ir a Hollywood e trabalhar com diretores como Otto Preminger ou Irwin Allen. Fiz aqueles filmes porque era para eles! Quando você entra num projeto, não sabe se vai ou não ser um sucesso?. Mas como é possível saber se está na hora de parar? ?Acho que se parasse morreria?, diz Judi Dench. ?Aos 71 anos, dificilmente vou dizer chega?. Já Caine relembra que alguém certa vez lhe perguntou quando iria se aposentar. ?O problema é que a indústria te aposenta?, explica ele. ?Chega um momento em que você percebe que não passa de um velho soldado. E então você simplesmente vai desaparecendo?.



* © Variety



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Palavras-chave: Como | O | Oscar | Pode | Mudar
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