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Como tirar o melhor de sua pedaleira
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Atualizado em 27/10/2007

Como tirar o melhor de sua pedaleira É consenso que não existe um som tão puro como o de um amplificador valvulado com uns pedais analógicos. O problema é que muitos querem vários timbres diferentes, e poucos têm capital para ter uns 4 valvulados com uns 20 pedais. É aí que entram as pedaleiras digitais. As pedaleiras mais completas de hoje, como a Boss GT-8, a PodXT-Live e a Digitech GNX-3000, quando bem reguladas, são capazes de prover um som extremamente convincente, que passa facilmente despercebido e engana muita gente. Entretanto, devido à quantidade de variáveis envolvidas ? parâmetros e mais parâmetros ?, não é fácil regular um monstro desses. Os mais preguiçosos são os primeiros a jogar a pedaleira de lado e dizer que "pedaleira não presta". Se você quer uma pedaleira, tem que gostar de cutucar. A partir de observações e experiências próprias e extensa leitura de material nos fóruns especializados, posso dizer que cheguei a algumas conclusões que se aplicam a qualquer pedaleira de grande porte. Ei-las: 1) O som vem dos modeladores de preamp. O preamp é a primeira coisa que deve ser levada em consideração na hora de modelar um efeito, porque ele é o ponto de partida para o som; é o preamp que vai definir a "cara" do timbre. Sempre que for começar um patch, zere todas as outras variáveis ? equalizadores, delays, modulações e etc. ? e somente então comece a mexer no preamp, antes de qualquer coisa, assim você terá o som "puro" do preamp, conforme ele foi modelado pelo fabricante, seja esse preamp limpo ou distorcido. Primeiro, deixe a equalização do preamp flat, depois escolha um preamp, e só então mexa na sua equalização, geralmente bass, middle, treble e presence. E só depois, bem depois, adicione as firulas. 2) Teste diferentes saídas de som. Se você programa sua pedaleira para o seu amp, é pouco provável que ela soe bem em outro amp. Essa informação é completamente óbvia, mas muitos esquecem na hora de levar seu equipamento pra ensaiar num estúdio ou tocar num show. Em casa, ao regular sua pedaleira, teste o som em todas as saídas possíveis: amplificador, fones de ouvido pequenos/grandes direto na pedaleira, as caixinhas pequenas do computador com a pedaleira ligada na placa de som, fones de ouvido pequenos/grandes no computador, o aparelho toca-discos do seu pai que fica na sala, etc. Quanto mais você souber sobre o comportamento do seu som, mais fácil vai ser criar os patches com uma espécie de "equalização coringa", adaptável à situação onde você vai tocar. 3) Compreenda o fenômeno da acomodação auditiva. Quando estiver ouvindo música, experimente colocar os médios no máximo e os agudos no mínimo. O som ficará terrível, irritante, mas continue ouvindo assim. Passado algum tempo, você vai "esquecer" e o som parecerá bom. Então ajuste os médios e agudos e, surpresa: o som parecerá terrível e irritante de novo! Esse é o fenômeno da "acomodação auditiva", natural do ouvido humano, que tende a se adaptar às freqüências recebidas. Trazendo isso para o universo da regulagem de efeitos, é fácil deduzir que o efeito que você começou a mexer agora vai soar diferente daqui a meia hora (mesmo com a mesma regulagem), o que vai tornar a regulagem do patch irreal. Há vários relatos de sujeitos que regulam o efeito à noite e depois vão dormir, e ao acordar no outro dia, com os ouvidos descansados, o efeito soa diferente do que ele lembrava. Moral da história: descanse os ouvidos de tempos em tempos para atenuar a acomodação auditiva. Lembro de ter lido em algum lugar que o tempo médio para a acomodação de freqüências do ouvido humano é de 45 minutos, em média. Assim, bole uma estratégia onde você possa fazer determinadas experimentações, e regule sua pedaleira de forma inteligente dentro de 45 minutos. Após isso, suas regulagens serão irreais. Então descanse por mais 45 minutos, e depois volte. O difícil vai ser conter a ansiedade! 4) Patches da internet raramente vão funcionar bem. A não ser que o sujeito tenha muita, muita sorte, ou seja pouco exigente. Ao baixar um patch, ouça-o com atenção e compare-o, se possível, com um som gravado pelo autor do patch. É provável que você perceba diferenças, nuances de equalização... ou mesmo que o patch soe como uma completa porcaria. Assim, não pense em ter uma pedaleira porque existem muitos patches na internet. Acostume-se a mexer nos patches que baixar, porque sua guitarra e sua percepção são únicas. 5) Pedaleira recém saída da caixa vai soar ruim. A não ser que o sujeito tenha muita, muita sorte, ou seja pouco exigente. Cada guitarra tem suas características, mesmo guitarras de um mesmo modelo, e soam diferente. A pedaleira deve ser moldada para a sua guitarra. Nunca um fabricante explicou o equipamento que ele usou para programar os efeitos que já vêm de fábrica, que têm a finalidade somente de mostrar a versatilidade da pedaleira, um "insight" do que ela é capaz de fazer. Isso implica num fato desesperador: na hora de testar uma pedaleira na loja, todas podem lhe parecer horríveis. É necessário que o sujeito tenha em mente que regular uma pedaleira parruda é um trabalho demorado e delicado. Os mais exigentes às vezes nunca ficam completamente satisfeitos. Assim, antes de ir testar uma pedaleira na loja, se informe antes do que ela é capaz de fazer, e de como dar umas mexidas rápidas. 6) Entre numa comunidade especializada. Você vai descobrir coisas que jamais imaginou, detalhes que fazem uma diferença enorme. Vai encontrar muita gente frustrada e pensando em vender a pedaleira por não conseguir um bom som (talvez como você?). E vai encontrar uns caras que tiram um som inimaginável, de te deixar de boca aberta. Troque experiências, seja cordial com todos, e compartilhe os patches que você programar. Existem vários casos onde um sujeito disponibiliza um patch, um outro vem e o melhora, e o autor passa a usar essa nova versão melhorada, e melhora mais ainda, e outro vem e... enfim, um ciclo positivo de evolução constante, várias cabeças trabalhando num mesmo patch. A união faz a força. 7) Não existe "a melhor" pedaleira. Claro, referindo-me apenas aos modelos mais parrudos ? uma pedaleira de R$ 500 não vai bater uma de R$ 2000. Tendo seus efeitos modelados por diferentes fabricantes que trabalham isolados uns dos outros, cada pedaleira tem sua própria versão de um dado efeito. É como várias pessoas que contam a mesma história: é a mesma história mas cada um conta do seu jeito. Assim, diferentemente do que muitos pensam, a pedaleira X não tem os preamps melhores que a pedaleira Y. Ora, todos os fabricantes sabem que o preamp é o carro-chefe, e eles capricham nesse ponto. Obviamente existem diferenças, uma pedaleira pode soar um pouco melhor que outra sob determinada regulagem... mas a diferença será mínima, desde que ambas estejam bem reguladas. Dessa forma, na hora de escolher uma pedaleira, é fortemente aconselhável que o futuro dono dê uma lida nos manuais e veja a abordagem de cada uma, e escolha a que melhor se adapte ao seu estilo de "enxergar as coisas" ? encare a opinião dos outros apenas como sugestões! Cada um tem sua preferência, e a defenderá com unhas e dentes. Pode-se chegar aonde quiser com qualquer pedaleira. Evite discussões tolas sobre "qual é a melhor". Conclusão: Sou fã confesso de pedaleiras. Desde que comecei a tocar, elas sempre me encantaram mais do que uma montoeira de analógicos. Assim, fica aqui minha humilde contribuição para os que não têm grana para ter todo o equipamento analógico de que precisariam, e sofrem madrugadas adentro por serem insuportavelmente chatos e perfeccionistas com seus timbres... como eu.

Palavras-chave: Pedaleira | Zoom | Boss | Digitech | Korg
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