Olá amigos, hoje darei dicas para obter a maior durabilidade possível numa pele de rebolo, tantam, pandeiro, surdo, tumbadora e bongô empachados com pele animal.
Ao longo da minha caminhada no ramo da música, trabalhando sempre com o público, adquirí muita experiência empachando por longos anos para escolas de samba e artistas em geral do cenário musical. No auge do samba (97 á 99), muitos artistas que frequentavam nossa loja, alguns inclusive ainda frequentam, me pediam para empachar seus instrumentos com pele animal.
Por vários motivos: Maior durabilidade, maior elasticidade e sonoridade eram os principais...
Mas não é somente empachar o instrumento e sair por aí tocando. Inclusive, alguém que compra um instrumento musical com pele animal, pode ficar frustrado com o som estridente, e achar que fez uma péssima compra, ou optou por um tipo de pele errada...
Na grande realidade, o que falta é "tratar" essa pele, pois muitos fabricantes, empacham o instrumento e colocam á venda sem tratar as peles.
Darei então algumas dicas importantes, extremamente fundamentais para que se aproveite ao máximo esta maravilhosa opção de pele... Vamos lá:
Primeiro, a pele animal sofre muitas variações de acordo com o clima e a temperatura. Por exemplo, dias frios, ela fica frouxanecessitando uma leve afinação, e em dias de calor, ela estica sozinha. Por isso que não é bom deixar muito esticada no frio, pois quando esquentar o tempo, algumas fibras podem se romper e com o tempo ela vir á rasgar.
O primeiro passo, é tirar a pele do instrumento, sem tirar o aro em que ela foi empachada, para proceder com o tratamento adequado. Em seguida, pegue um pedaço de algodão, embebede com um pouco de azeite de dendê tanto em cima quanto embaixo da pele. Mas cuidado: Não encharque. Passe pouco, apenas uma camadinha fina, e esfregue bem com o algodão. O azeite de dendê possui propriedades que encorpam a pele, deixando-a mais resistente e com um som mais grave, reforçando as fibras sem agredir o instrumento. Não use azeite de oliva, pois ele quando seca, racha a pele por causa da grande quantidade de iodo (sal), ao contrário do azeite de dendê, que é feito de soja.
Em seguida, deixe descansar no sereno fino da noite. Coloque se possível embaixo de alguma telha, ou uma leve cobertura, para que apenas receba a fina brisa, para que a pele possa encorpar (cozinhar á frio). Mas atenção: Não deixe a água cair direto sobre a pele, pois encharca e ela pode se soltar do aro, estragando todo o processo.
No dia seguinte, coloque de forma indireta sobre o sol (na sombra do sol) para secar. Embaixo de alguma proteção, para que apenas o calor não intenso, seque naturalmente a pele.
Deixe secar por 4 horas...
Pronto. Coloque no instrumento novamente, afinando sempre em x.
Aperte um parafuso com 2 voltas, vá na outra extremidade e dê 2 voltas também, procedendo assim em todos os parafusos. Quando começar á dar o aperto, de meia em meia volta, vá apertando os parafusos, e batendo levemente a mão logo acima deles na pele, observando se em todos os parafusos o som é o mesmo.
Se algum estiver com um som mais grave, vá apertando até dar o tom desejado.
Pronto, seu instrumento está afinado, e com a pele tratada, a qual se for bem cuidada, durará em média 2 anos com um excelente som.
Forte abraço á todos, Eduardo Roz. |