Ouvimos música em três planos, o plano sensível, o expressivo e o plano puramente musical.
O plano sensível nada mais é do que nos entregarmos inteiramente ao prazer de ouvir o som. Sem intelectualismos. O negócio é ouvir sem pensar. Escolha um CD que nunca ouviu talve, por exemplo, Mozart - Ein Musikalischer Spass KV 522. Ligue seu aparelho e deite-se no chão da sua casa e feche os olhos. A percepção do som alterando seu estado mental.
Uma nota percutida violino, quem sabe, no silêncio da sala já altera a atmosfera da sala. Um acorde e o mundo já não é mais o mesmo. ?O elemento sonoro tem poder?. É necessário dizer que o elemento sonoro varia de compositor para compositor. Basta ver (ouvir) a diferença entre Bach e Stravynski. O elemento sonoro varia com o estilo. Notando estas diferenças você será um ouvinte consciente.
O plano expressivo: Stravinsky dizia que sua música era um ?objeto?, uma ?coisa? dotada de vida própria e sem significado a não ser o musical. No entanto a música traz em si uma expressão. Essa expressão é diferente para cada pessoa que ouve ou que produz a música. Isso depende do conteúdo cultural e educacional e existencial de cada ouvinte e de cada compositor.
Agora eu pergunto: A música tem um significado?
R.: Sim. É possível precisar qual significado é esse?
R.: Não.
Mas, as pessoas sempre acham que tudo deve ter um significado bem concreto. Portanto tire da cabeça esse negócio de relacionar a música com alguma coisa material ou específica. Não é esse o caminho.
A música em si não nos diz nada, mas ela tem o poder de nos passar a sensação de que ela esta nos dizendo algo. A música que, sempre que ouvida, ?diz? a mesma coisa, será mais pobre do que aquela em que, a cada audição, ouvirmos uma novidade que estava escondida ou não foi percebida imediatamente. Essa última, provavelmente, durará mais tempo nos ouvidos da humanidade e esta, se tornará um clássico de repertório e o autor dessa música será consagrado.
O plano puramente musical nada mais é o plano das notas e sua manipulação. Tocar nessas notas algo que possa determinar para o ouvinte o timbre, a altura, a harmonia, o colorido, o ritmo, a melodia, a procura da idade em que a peça foi feita, seu contexto histórico. Devemos lembrar que essa divisão em partes é apenas para estudo. Não se ouve musica se parando isso tudo. Ouvir música é somente ouvir música.
De certa maneira o ouvinte está dentro e fora da música ao mesmo tempo. Uma atitude subjetiva e objetiva está implícita na criação e na apreciação da música. Experimente agora mesmo, ouvir Mozart e Philip Glass. Ouça o Réquiem e Metamorphosis. Agora você é alguém, consciente, que está ouvindo alguma coisa. E sabe do que se trata.
Veja menos novela e ouça mais música, o tempo de duração é o mesmo. Treine a audição. Você pode começar com obras solo só piano, só violão, partir para os duetos, trios quartetos para daí seguir a complicações maiores.
Abraços