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A corrida dos atores pelo Oscar
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Atualizado em 07/08/2008



 Vai ser a mais ferrenha disputa entre astros do cinema em muitos anos. A corrida ao Oscar de melhor ator de 2004 promete ser tensa, pois há mais de vinte nomes com boas chances de serem indicados. Nos anos anteriores, qualquer um deles seria aposta certa; desta vez, ninguém pode prever.

Nas demais categorias, inclusive as de melhor filme e melhor atriz, até que está difícil elaborar uma lista de cinco concorrentes fortes. No caso dos atores, há opções até demais. ?Acho que deviam indicar sete ou oito nomes, e não apenas cinco?, diz o crítico de cinema da revista Rolling Stone, Peter Travers. ?E deveriam também deixar apenas duas indicações para as atrizes, pois assim é que foi o cinema este ano?. Claro que a sugestão de Travers não tem chance de ser acatada pela Academia, mas com certeza facilitaria a vida dos atores em geral ? que na verdade são responsáveis pela escolha dos cinco finalistas. Este ano, eles terão que adotar uma postura de Salomão, com tantos bons desempenhos a ser considerados.



A regra da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, de separar os prêmios entre papéis cômicos e dramáticos, provou ser este ano mais do que bem-vinda. Muitos acreditam que, para o prêmio de melhor atriz, há realmente bem poucas concorrentes com chance: Annette Bening, por ?Being Julia?, Imelda Staunton, por ?Vera Drake?, Kate Winslet, por ?Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças?, a jovem Emmy Rossum, de apenas 18 anos, estrela da nova versão de ?Fantasma da Ópera?, e a impressionante Hilary Swank, que já ganhou anos atrás por ?Meninos Não Choram? e agora pode concorrer por ?Million Dollar Baby?, filme de Clint Eastwood.



Surpresas podem surgir entre as atrizes não americanas, como a francesa Audrey Tautou, por seu trabalho em ?A Very Long Engagement?, ou a chinesa Zhang Ziyi, estrela de ?House of Flying Daggers?; ou ainda Catalina Sandino Moreno, de ?Maria Cheia de Graça?. Pode sobrar ainda para Laura Dern, mais uma vez ótima em ?We Don?t Live Here Anymore?, ou Julie Delpy, por ?Antes do Entardecer?.



O caso dos homens é bem diferente. ?Os atores estão em todo lugar?, diz Travers, ?e são tantos vivendo pessoas de verdade, em biografias como as de Jesus Cristo (Jim Caviezel, em ?A Paixão de Cristo?), Ray Charles (Jamie Foxx, em ?Ray?), Howard Hughes (Leonardo Di Caprio, em ?O Aviador?) e Alfred Kinsey (Liam Neeson, em ?Kinsey?)?.



Travers acrescenta entre seus favoritos o espanhol Javier Bardem, por ?The Sea Inside?, e o americano Don Cheadle (?Hotel Rwand?), ambos interpretando personagens reais ? sem falar em Gael Garcia Bernal, que vive Che Guevara em ?Diários de Motocicleta?. Poderíamos citar ainda Kevin Spacey, que estrela a biografia do cantor Bobby Darin; Kevin Kline, que viveu o compositor Cole Porter; e Sean Penn, que fez Sam Bicke, o homem que tentou matar o presidente Nixon. ?É incrível. Nunca vi nada igual?, diz o crítico.







Pelas apostas que circulam, Foxx é o maior favorito, mas Travers lembra ainda de outros dois grandes trabalhos: Paul Giamatti, por ?Sideways?, e Johnny Depp, por ?Finding Neverland?. ?A disputa está difícil. Digo que Foxx é o favorito, mas isso não quer dizer que haja certeza. É o tipo da performance que todo mundo vai gostar, independente do que acharem do filme. Esse também é o caso de Kevin Bacon, que faz um pedófilo em ?The Woodsman?, mas num ano de eleições não sei se a Academia vai querer premiar um pedófilo?.



Incrível é que três monstros sagrados de Hollywood, que nem estavam programados para estrear este ano, tiveram seus pré-lançamentos antecipados, para ganharem o direito de concorrer ao Oscar. Trata-se nada menos do que Clint Eastwood, que dirige e também estrela ?Million Dollar Baby?; John Travolta, por ?A Love Song for Bobby Long?; e Al Pacino, que fez uma versão para cinema da peça ?O Mercador de Veneza?, de Shakespeare. Dois concorrentes do ano passado também podem ser lembrados: Sean Penn, que mais uma vez arrasa em ?O Assassinato de Richard Nixon?, e Bill Murray, que com ?The Life Aquatic With Steve Zissou? pode compensar desta vez a decepção de ter sido derrotado em 2003 (justamente por Penn). Outra aposta gira em torno de Jim Carrey. Seu filme ?Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças? estreou nos EUA em março e provavelmente foi esquecido pela maioria dos membros da Academia. Mas sua produtora, Focus Features, decidiu lançar agora uma grande campanha publicitária para relembrar a todos que o desempenho de Carrey foi exaltado pela crítica. Outro que mereceu campanha desse tipo foi Tom Cruise, cujos cabelos grisalhos em ?Colateral? ganharam muitos elogios. Na campanha, a produtora DreamWorks ressalta o histórico de Cruise em Hollywood e coloca o astro para participar de uma série de eventos na cidade.



Mas nem todo mundo acha que a disputa será tão acirrada assim. ?Todo ano há uma porção de boas performances?, diz Leonard Maltin, crítico do programa de TV Entertainment Tonight. ?Mas quando você deixa de lado o aspecto promocional sobram apenas algumas poucas?. Maltin diz que, se tivesse que escolher cinco, estes seriam Giammati, Foxx, Bardem, Depp e Jeff Bridges. ?Acho que Bridges ? que já foi indicado quatro vezes ? ganhou um dos melhores papéis de sua carreira, em The Door in the Floor. O problema é fazer as pessoas verem o filme, que não fez sucesso?.



Na corrida pelo prêmio de atriz coadjuvante, quatro veteranas se destacam: Cloris Leachman, por ?Spanglish?; Gena Rowlands, por ?The Notebook?; Julie Christie, por ?Finding Neverland?; e Meryl Streep, por ?Sob o Domínio do Mal?. Elas devem competir com Natalie Portman, de ?Closer?, Virginia Madsen, de ?Sideways?, e Laura Linney, de ?Kinsey?. E Kate Winslet pode até ganhar uma segunda indicação este ano, por seu trabalho em ?Finding Neverland?. Já no caso dos atores coadjuvantes, há bem menos opções do que na disputa de ator principal. Surpreendente é que Jamie Foxx aparece também com chances por seu trabalho em ?Colateral? ? Travers e Maltin dizem, aliás, que nesse filme ele tem um papel até mais importante que o de Cruise. Outros citados como possíveis indicados a coadjuvante são o veterano David Carradine, por ?Kill Bill Vol. 2?; Clive Owen, de ?Closer?; e Peter Sarsgaard, elogiadíssimo em ?Kinsey?.



Maltin espera também que a Academia reserve um lugar para outro veteraníssimo do cinema e da TV, James Garner, que aos 76 anos emocionou o público ao viver um marido que tenta desesperadamente salvar a esposa da demência, no pouco visto ?The Notebook?. É provável, porque historicamente a Academia vem reservando a categoria de coadjuvantes para premiar gente como James Coburn e Jack Palance pelo conjunto da obra. Mas Maltin diz que isso nada tem a ver com sentimento. ?Pergunte a Lauren Bacall, que perdeu quando concorria por ?O Espelho Tem Duas Faces?. Garner, que já nos deu fantásticas performances ao longo de sua carreira, nunca esteve melhor do que em ?The Notebook? e certamente mereceria uma indicação?.



Com tantos desempenhos dignos de um Oscar este ano, particularmente na categoria de melhor ator, pode ser que a votação da Academia se divida, abrindo caminho para surpresas quando os indicados forem anunciados, na manhã de 25 de janeiro. O que fatalmente provocaria injustiças, como diz Travers. ?Acho que muita gente boa vai ficar de fora, e isso é péssimo?.



* © Variety





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