O primeiro sutien
No final do século XIX, foi criado na França o precursor do sutien, numa tentativa de oferecer às mulheres mais conforto do que o repressor espartilho. A butique de Heminie Cadolle elaborou um modelo em tecido à base de algodão e seda, semelhante aos modelos atuais. As calcinhas, por sua vez, também sofriam alterações. Modelos justos, até os joelhos, eram confeccionados em novos tecidos no período de 1900 a 1914.
Foi exatamente neste último ano que o sutien foi devidamente reconhecido e patenteado nos Estados Unidos pela socialite nova-iorquina Mary Phelps Jacob. Era feito com dois lenços, um pedaço de fita cor-de-rosa e um pouco de cordão.
Diante da novidade prática e mais higiênica, as amigas de Mary intensificaram cada vez mais seus pedidos. Foi então que ela resolveu vender a patente a uma fábrica de roupas femininas, a Warner Brothers Corset Company, por 15 mil dólares da época. Era o início da industrialização do lingerie.
Os primeiros modelos eram pouco inovadores e, em vez de realçar os seios, os achatavam. Havia poucas opções de tamanho e o ajuste era feito por presilhas nas alças.
A partir da década de 20, a empresa americana Kestos lançou modelos mais próximos dos atuais, com pedaços triangulares de pano presos por um elástico que passava sobre os ombros, cruzava nas costas e abotoava na frente. As calcinhas da época inovavam com tamanhos cada vez mais curtos.
Sensualidade explorada
A reação dos fabricantes de espartilho ao sucesso do concorrente sutien não tardou. Acabaram elaborando um modelo parecido, mas com barbatanas. A concorrência aguçou a criatividade. Nos anos 30, foi inventado o sutien sem alças e com armação de ferro, o tomara-que-caia. As fibras elásticas e a forma convexa passaram a ser adotadas pelos fabricantes.
Na década de 50, a malha de algodão passou a ser utilizado na indústria de lingerie, mais precisamente na confecção de calcinhas. A escassez das sedas durante a Segunda Guerra Mundial também favoreceu a fabricação de tecidos sintéticos, como o nylon. Depois de usado na Guerra, o material começou a ser explorado também pelas indústrias de tecidos.
A partir de 1951, os lingeries passaram a ser fabricados com a nova invenção. Mas não foi só a matéria-prima que mudou. A feminilidade passou a ser explorada mais do que nunca.
Inspirados nas atrizes de cinema de seios generosos, como Jayne Masfield, Marylin Monroe e Gina Lollobrigida, que imortalizaram esse padrão, os sutiãs da década de 50 exploravam a sensualidade exagerando no bojo. Eles recebiam estruturas de arame e tinham a taça costurada em círculos, para enrijecer ainda mais o tecido.
A contrapartida veio no fim da década de 60, quando o movimento feminista por igualdade de direitos ganhava as ruas. Acabara-se a ditadura do recato e do erotismo das décadas anteriores e o padrão da geração "paz e amor" enaltecia os seios pequenos. As mais radicais até queimavam os sutiãs em público numa demonstração de liberdade. |