Quem nunca ouviu algum caminhão passando na rua vendendo aos moradores água sanitária, desinfetantes, amaciantes etc. Vendidos em garrafa PET de dois litros, armazenadas na caçamba dos veículos e, até mesmo em pequenos comércios de bairro, estes produtos de limpeza podem oferecer um sério risco à sua saúde e da sua família. Eles são considerados clandestinos ou piratas, pois não passam pela avaliação do Ministério da Saúde.
Os riscos à saúde vão de problemas respiratórios à irritação no estômago. A preocupação é ainda maior, se considerarmos que a maioria das vítimas de intoxicação é de crianças, atraídas pelas garrafas de refrigerante utilizadas como recipientes, com líquidos coloridos e perfumados.
Um dos grandes problemas dos casos de intoxicação por produtos clandestinos é a dificuldade que os médicos têm para prescrever o tratamento mais adequado, já que esses produtos não têm rótulo, muito menos prescrição da sua formulação química. Outro ponto preocupante é que o produto clandestino não cumpre, eficientemente, sua função de higienizar, limpar e matar bactérias que transmitem doenças. Sendo assim, quem utiliza esses produtos para desinfetar, continua exposto às doenças das quais tenta se proteger.
O barato sai caro
A baixa qualidade dos produtos piratas explica a diferença de preços em relação aos cobrados pela indústria. Além disso, as empresas ilegais, normalmente instaladas em fundo de quintal, não pagam impostos, direitos trabalhistas e outras obrigações legais nem seguem as regras sanitárias, ambientais, de saúde do trabalhador, entre outras. Com tudo isso, todos saímos perdendo. O governo perde ao deixar de arrecadar impostos e ao deixar de criar empregos formais. A indústria perde porque não tem condições de competir com estes produtos, pois a diferença de preço provocada pela ausência de pagamento de impostos é muito grande. E perde os consumidores, que pagam por produtos que põem em risco à sua saúde e da sua família.
Portanto, antes de comprar, pense que o barato pode sair caro!
Preste atenção no rótulo
Siga as dicas da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para não correr o risco de comprar produtos clandestinos.
Só compre produtos que especifiquem no rótulo, de forma clara, para que elas servem. Esta indicação deve estar na parte da frente da embalagem, junto ao nome do produto. Além disso, todos os rótulos devem conter:
- O nome do fabricante ou importador, com endereço completo, telefone e também o nome do técnico responsável pelo produto;
- A frase Antes de usar leia as instruções do rótulo, para que você saiba como usá-lo.
- A frase Produto notificado na Anvisa/MS ou número de registro no Ministério da Saúde;
- Aviso sobre os perigos e informações de primeiros-socorros;
- O número do telefone do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC);
- Caso esteja escrito no rótulo Proibida à venda direta ao público ou Uso Profissional, este produto somente poderá ser utilizado por profissional habilitado;
- O rótulo não pode estar rasgado, descolado da embalagem, manchado ou com letras difíceis de ler.
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