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Cultivo do Camu-camu - 100% mais vitamina C que acerola
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Atualizado em 12/04/2007

Recomendações para o Cultivo do

Camucamuzeiro

O camucamuzeiro, Myrciaria dubia (H.B.K) McVaugh, espécie da família Myrtaceae, foi

descrito pela primeira vez em 1823 por Humboldt, Bompland e Kunth, como Psidium

dubium H.B.K. Em 1963, Rogers McVaugh transferiu essa espécie para o gênero

Myrciaria, passando então a chamar-se Myrciaria dubia (H.B.K.) McVaugh. No Brasil, o

camucamu é conhecido como: ?caçari?, ?araçá d?água? ou ?sarão?.

Originária da Região Amazônica, a planta caracteriza-se pelo porte arbustivo, ocorrendo

naturalmente às margens de lagos e rios. Sua distribuição geográfica estende-se deste a

região central do Estado do Pará, passando pelo médio e alto Rio Amazonas até a parte

ocidental do Peru e extremo setentrião brasileiro, no Estado de Roraima e através do Rio

Casiquiare, e grande parte da alta e média Bacia do Orinoco. Ao sul, no Estado de

Rondônia ocorrem às margens dos Rios Ji-Paraná e Candeias.

O primeiro registro de ocorrência do camucamuzeiro no Brasil data de 1902, quando das

expedições do botânico A. Ducke à Amazônia Brasileira (MPEG exsicata). Atualmente o

camucamuzeiro vem despertando grande interesse à fruticultura, devido o seu potencial

elevado para produzir frutos com alto teor de ácido ascórbico (vitamina C), quantidades

estas que podem variar de 2.400 a 3.000 mg/100g de mesocarpo e a até 5.000 mg/

100g de casca.

A exploração é efetuada em populações naturais distribuídas em rios amazônicos, cujas

produções podem variar de 3 a 25 quilos de frutos frescos por planta. A polpa pode ser

encontrada em países como Japão, França e Estados Unidos, nas formas liofilizadas e

congeladas, para uso na agroindústria e indústria farmacêutica, bem como transformadas

nas formas de dropes e tabletes de vitamina ?C?.

Características botânicas

Classificação Taxonômica

Divisão: Fanerógamos

Subdivisão: Magnoliophyta = Angiosperma

Classe: Magnoliophysida = Dicotiledôneas

Ordem: Myrtales

Família: Myrtaceae

Gênero: Myrciaria

Espécie: Myrciaria dubia (H. B. K.) McVaugh

Morfologia da espécie

O sistema radicular é do tipo cônico, formado por uma raiz principal que alcança 0,50 m

no sentido longitudinal, com raízes secundárias distribuídas horizontalmente em um raio

que varia, proporcionalmente, ao diâmetro da sombra da copa da planta.

O tronco, formado por um caule principal e varias

ramificações laterais, glabros, podendo alcançar alturas

de até 4 m na idade de 20 anos. Alguns ecótipos

apresentam-se como policaúlicos, isto é, com várias

ramificações desde a base, formando caules secundários,

enquanto que outros são monocaúlicos. Sua consistência

é dura porém flexível, daí a necessidade de se tutorar as

plantas, quando estas estão carregadas de frutos, para

evitar a ruptura ou quebra dos caules, por excesso de

peso (frutos).

As folhas são simples e opostas, de forma ovalada,

elípticas ou lanceoladas, medindo, em média, 4 cm de

comprimento por 2,5 cm de largura. O ápice é

acuminado com base arredondada e bordas ligeiramente

onduladas. O pecíolo mede, em média, 5 cm a 6 cm de

comprimento por 1 mm a 2 mm de diâmetro e as plantas

que apresentam de três a sete perfilhamentos contêm,

em média, 170 folhas.

As flores podem se apresentar individualmente ou na

forma de inflorescência, encontrada nas axilas das folhas

em toda a extensão dos ramos superiores. A

inflorescência é formada por flores hermafroditas, em

número que varia de 1 a 5, pedunculadas; com cálice

globoso ou subgloboso, glabro contendo quatro lóbulos

ovalados; corola de quatro pétalas glandulosas, que se

alternam com as sépalas ungüiculadas, ovaladas, com

ápices acuminados e obtusos. As pétalas são geralmente

brancas, com estiletes de 10 mm de comprimentos, com

125 estames medindo de 7 mm a 10 mm de comprimento,

anteras de 0,5 mm a 0,7 mm de comprimento. A

antese ocorre pela manhã, permanecendo até às 10

horas.

Os frutos são do tipo baga esférica de superfície lisa e

brilhante, coloração variando de vermelha a arroxeada,

podendo, ter de 2 cm a 4 cm de diâmetro, e uma a

quatro sementes aplainadas e cobertas por uma lâmina

com fibrilas brancas. A porção comestível tem rendimento

médio de 60% do fruto, 8,5 graus Brix, pH entre 2.9

a 3.1 e ácido ascórbico (vitamina C), variando de 2.400

a 3.000 mg/100g de mesocarpo.

As sementes são reniformes, medindo, em média, 1,2

cm de largura por 8 mm de diâmetro, pesam, em média,

0,4 g e são do tipo ?recalcitrantes?, isto é, perdem a

viabilidade se armazenadas à umidade elevada e a baixas

temperaturas. Por isso, é aconselhável efetuar a semeadura

logo após o beneficiamento dos frutos.

Ecologia

Solo: O camucamuzeiro é encontrado vegetando espontaneamente,

ao longo de cursos d?água, portanto, em

solos inundados com pH neutro de boa fertilidade

natural, permanecendo inundado de 3 a 9 meses por

ano. Contudo, também pode ser cultivado em condições

de terra firme, em solos com pH ácido de baixa fertilidade,

em regiões que apresentam precipitações anuais

variando de 1.700 a 3.000 mm.

Clima: O camucamuzeiro é planta típica do clima tropical

quente e úmido, onde a temperatura média oscila entre 22ºC

a 28ºC, suportando temperaturas mínima e máxima em torno

de 17 ºC e 35 ºC e umidade relativa (UR) de 70% a até 95%.

Em populações naturais, o excessivo sombreamento se

torna prejudicial, pois induz à formação de plantas

fototrópicas, as quais emitem brotações inaptas à

produção de frutos. Em plantações manejadas de

cultivos racionais, a etapa de viveiro requer um

sombreamento de cinco dias logo após a repicagem.

Componentes Energéticos e Químicos

A composição química do fruto de camucamuzeiro em

100 g de polpa, é a seguinte:

As quantidades de vitamina C encontradas em 100

gramas de polpa de camucamu, em comparação a outras

frutas, é a seguinte:

Aspectos Agronômicos

Cultivares

O plantio do camucamuzeiro pode ser efetuado de duas

maneiras a saber:

Produção da muda clonal - Neste processo, o materia

2. Utilizando-se sementes de polinização aberta,

coletadas em plantas que evidenciam, em seu habitat

natural, elevada produtividade, bem como boas características

agronômicas. Para produção das mudas, devem

ser adotados os seguintes procedimentos:

a) Em um plantio de camucamuzeiro, selecionar somente

plantas bem floradas, altamente produtivas, bem desenvolvidas,

e livres do ataque de pragas e de doenças;

b) Por ocasião da colheita dos frutos que se destinem ao

fornecimento de sementes para produção de mudas,

procurar coletar os maiores, sadios e completamente

maduros e;

c) Nos casos em que for adquirir sementes e/ou mudas,

procurar sempre observar a procedência e a qualidade

que pode ser verificada através do poder germinativo das

sementes e formato das mudas.

Preparo da semente

Após o beneficiamento dos frutos (despolpamento,

lavagem e secagem), retirar as sementes e providenciar a

semeadura o mais rápido possível, por se tratar de

sementes tipo recalcitrante. As sementes devem ser

extraídas de frutos maduros (coloração arroxeada), pois,

desta forma, pode-se conseguir maior uniformidade na

germinação.

Depois da retirada dos frutos, as sementes devem ser

lavadas e semeadas imediatamente, uma vez que não

toleram grandes perdas de umidade, sem que sua

viabilidade seja afetada. Nos casos em que forem

armazenadas por aproximadamente seis meses, é

recomendado que depois de lavadas, sejam tratadas

durante 15 minutos em solução feita com uma medida

de ?água sanitária? para quatro medidas de água e, após

nova lavagem, secar à sombra por 24 horas. Em seguida,

as sementes devem ser tratadas com um fungicida

tipo pó seco e então acondicionadas em sacos de

plástico duplos, mantidos a 20 oC ou a temperatura

ambiente.

Semeadura

Preparar canteiros medindo 1,00 m de largura por 12,00

m de comprimento e 0,80 m de altura, com cobertura

que proporcione 50% de sombra. Utilizar como

substrato, uma mistura composta de terra preta e

serragem fina bem curtida, numa proporção de três

partes de terra preta, para uma de serragem.

As sementes deverão ser semeadas em sulcos abertos

no sentido longitudinal dos canteiros, afastados acerca

de 10 cm um do outro, com profundidade, de 2 cm,

sendo utilizadas em torno de 70 sementes por metro

linear. Após a semeadura, cobrir as sementes com uma

fina camada de terra.

A germinação das sementes de camucamu é muito

desuniforme, iniciando-se a partir do 15º dia após a

semeadura, podendo ser obtido cerca de 90% da

germinação, aos 50 dias após a semeadura.

Repicagem

Quando as mudas atingirem em torno de 10 cm de

altura e apresentarem entre seis a oito folhas, devem

ser repicadas para sacos de plástico com dimensões de

12 cm de largura x 25 cm de altura e 0,006 cm de

espessura, contendo furos na parte inferior.

Para enchimento dos sacos de plástico, é recomendável

utilizar substrato composto de: 800 litros de terra de

barranco; 200 litros de esterco de curral; 5 kg de

superfosfato simples; 0,5 kg de cloreto de potássio; 1,5

a 2 kg de calcário dolomítico. Salienta-se que 1m3 de

substrato enche em torno de 1.000 a 1.200 sacolas.

Irrigações periódicas devem ser efetuadas para dar boas

condições de umidade às plântulas. Esta prática é de

grande importância para o sucesso na atividade formação

de mudas

 

Viveiro

Para que se obtenha boas mudas, é necessário que o

sombreamento utilizado no viveiro permita a penetração de,

aproximadamente, 50% de luminosidade. Para se obter esta

luminosidade, pode ser utilizado na cobertura do viveiro,

sombrite 50% ou palha. Os sacos de plástico deverão então

ser arrumados em fileiras, com largura variando de 1,00 m, a

1,20 m, em função da largura do canteiro.

As plântulas devem ser irrigadas diariamente, principalmente

em períodos de baixa pluviosidade. Adubações

foliares devem ser efetuadas, quinzenalmente, com

produtos que contenham N, P, K em sua formulação, na

concentração variando de 0,3% a 0,5%, isto é 300 a 500

gramas do produto comercial para 100 litros de água.

A partir do segundo mês, são recomendadas adubações

nitrogenadas no intervalo de 30 dias, na formulação de 30

gramas de uréia, diluídas em 20 litros de água, até o sexto mês.

Após seis meses, ocasião em que as plantas alcançam

alturas variando de 50 a 60 centímetros de altura, estão

prontas para serem levadas para local definitivo.

Pragas e doenças

Em condições de viveiro, as plantas podem ser atacadas

por um besouro de coloração preta denominado de

Xylosandrus compactus. O controle da praga deve ser

efetuado através da eliminação das plantas atacadas pelo

inseto. Para isso, devem ser efetuadas vistorias freqüentes,

no intervalo de 10 a 15 dias, a fim de evitar que os

ataques alcançem níveis significativos.

A incidência desta praga poderá ser minimizada pelo

aumento da quantidade de luz que penetra no viveiro,

isto é, o viveiro nunca deverá apresentar mais de 50%

de sombra.

.

Preparo da área

O terreno destinado à implantação do pomar de

camucamuzeiro deve ser preferentemente, roçado,

destocado, arado e gradeado a fim de que sejam incorporados

todos os restos de matéria orgânica existentes na

camada superficial do solo.

Na impossibilidade de serem realizadas as operações

citadas, o preparo do solo pode ser efetuado através da

limpeza da área, derrubada, queima e coivara. Para evitar

o destocamento, que é uma operação cara, sugere-se a

escolha de áreas que foram ocupadas com cultivos

anuais, ou aquela área em que a vegetação seja do tipo

?capoeira?.

Espaçamento e número de plantas por

hectare

Na escolha do espaçamento, devem ser levados em

consideração fatores como tipo de solo e sua fertilidade,

o tipo de muda, se de sementes de polinização aberta ou

clonada, o manejo a ser dado no pomar, dentre outros.

Podem ser utilizados espaçamentos de 4,0 m x 4,0 m

(625 plantas/ha); 4,0 m x 3,0 m (833 plantas/ha) e 3,0

m x 3,0 m (1.111 plantas/ha). Estes espaçamentos, se

utilizados, são suficientes para que se obtenha bom

aproveitamento da radiação solar incidente sobre as

plantas, contribuindo para a qualidade, aparência e

sanidade dos frutos.

Sistema de marcação

A marcação deve ser definida em função da declividade

do terreno; podendo ser geométrico, retilíneo ou em

curvas. Assim, quando a topografia é favorável, podem

ser adotados sistemas quadrados, retangulares ou

triangulares.

O sistema quadrado é o mais fácil de ser executado,

satisfazendo plenamente as exigências da cultura. Os

alinhamentos retangulares são mais indicados, tendo em

vista que pode ser dado a cada planta, a mesma área de

terreno que na plantação em quadrado, além de se obter

maior espaço livre em um dos sentidos, o que facilita a

movimentação de máquinas no interior do pomar.

O sistema triangular somente deve ser utilizado quando

se quer ter maior número de plantas por unidade de

terreno. Assim sendo, pode ser utilizado um triângulo

eqüilátero, que proporciona um acréscimo de 15% no

número de plantas se comparado com o sistema retangular.

 

Coveamento

O fruticultor deve ter em mente que quanto maior a

cova, melhores condições terá a muda para se desenvolver.

Assim sendo, é recomendável abrir covas com as

dimensões de 0,30 m x 0,30 m x 0,30 m.

O coveamento deve ser manual ou mecânico. O manual

apresenta a vantagem de redução da compactação das

paredes da cova, bem como permite separar a camada

de terra da superfície, sempre mais rica, daquela do

subsolo.

Abertas as covas, elas são novamente cheias, tendo-se o

cuidado de utilizar para a parte do fundo da cova, a terra

da superfície, com a qual são misturados os adubos

necessários ao suprimento das necessidades da planta na

primeira fase de seu crescimento.

Plantio no local definitivo

Recomenda-se realizar o plantio quando as plantas

alcançarem uma altura em torno de 50 centímetros. A

época mais favorável para plantio varia em função do

clima, utilização de irrigação e método de transplantio,

isto é, se mudas em raiz nua ou torrão. No geral, o

plantio deve ser realizado no início da estação chuvosa,

que na região coincide com a primeira quinzena de

dezembro. Caso as chuvas retardem, procura-se conciliar

o plantio, tendo em vista que a umidade é fator preponderante

no crescimento e desenvolvimento da planta.

As plantas, para estarem aptas ao plantio, devem medir

de 0,60 m a 1,00 m de altura, em torno de 1 cm a 2 cm

de diâmetro do caule e 90% das folhas coriáceas. Desse

modo, será obtida uma homogeneidade no plantio e altas

produções.

As operações de plantio iniciam-se pela abertura de um

orifício no centro da cova, de tamanho suficiente para

conter o sistema radicular da muda. Em seguida, misturase

bem à terra de superfície, 3 litros de esterco de ave

ou 10 litros de esterco bovino bem curtido, mais 200 g

de superfosfato triplo, jogando-se na cova. Em seguida,

a muda é colocada dentro da cova, tomando-se o

cuidado para que o colo fique acima do nível do solo (5

cm). À medida que a cova vai sendo cheia com terra,

deve-se ter o cuidado para que as raízes fiquem bem

distribuídas dentro da cova. Deve ser comprimida a terra

ao redor da muda, a fim de permitir boa aderência às

raízes, além de eliminar o excesso de ar existente na

cova.

Após o plantio, deve ser efetuada uma rega com aproximadamente

20 litros de água. Esta é operação de grande

importância porque garante um maior índice de

pegamento das mudas, tendo em vista que contribuem

para que as raízes fiquem em perfeito contato com a

terra. Finalmente, deve ser efetuada a cobertura morta

em volta da planta, com uma fina camada de palha,

capim seco ou maravalha, visando a diminuição da

evaporação e, conseqüentemente, o secamento da terra

e morte da planta.

Tratos culturais

Os tratos culturais abrangem todas as operações realizadas

no pomar, tais como: adubações, pulverizações,

podas, controle de ervas daninhas, irrigação, dentre

outros. Desse modo, o pomar deve ser mantido livre de

plantas daninhas, podendo o controle ser efetuado

através de gradagens superficiais no verão. Nos meses

de inverno, manter o mato baixo através de roçagens,

que podem ser efetuadas com roçadeira mecânica,

visando controlar a erosão do solo.

Convém ressaltar que no período de seca, a concorrência

do mato com as plantas é mais significativa que no

período chuvoso. Desse modo, no período de estiagem o

pomar deve ser mantido limpo, a fim de que não haja

competição por água entre o camucamuzeiro e as plantas

daninhas.

As plantas devem ser ?coroadas? sempre que houver

infestação de ervas daninhas no raio da copa, principalmente

no inverno, a fim de evitar o contato dessas

invasoras com os frutos, para não inviabilizar sua

comercialização in natura.

Sempre que necessário, realizar podas dos galhos secos,

bem como efetuar a caiação dos caules com calda

bordaleza a 3% ou água de enxofre e cal, a fim de evitar

o aparecimento de cochonilhas.

Sempre que for vantajoso, usar herbicidas quando for

efetuar o coroamento das plantas. Nestes casos, procurar

a orientação técnica, pois é de grande importância

conhecer os tipos de herbicidas a serem utilizados, as

respectivas dosagens e equipamentos que melhor se

adaptam às operações.

Adubação

O camucamuzeiro, quando cultivado em terra firme, é

exigente durante o período de crescimento e desenvolvimento

das plantas. Desse modo, a adubação é de

fundamental importância e deve ser efetuada,

preferentemente, de acordo com as recomendações da

análise do solo.

Nos casos em que não haja recomendações com base

em análise do solo, poderão ser utilizadas, 200 g/planta

de superfosfato triplo, ou outra fonte de fósforo em

quantidade equivalente. Caso não tenha sido efetuada a

calagem em toda a área de plantio, e o solo apresentar

acidez, pode-se adicionar 1 kg de calcário dolomítico por

planta, aplicado em cobertura na faixa de plantio, 20

dias antes.

Após 30-40 dias do plantio, deve ser aplicado em

cobertura, bem espalhadas em volta da muda, 50 g de

uréia e 30 g de cloreto de potássio. A dosagem

nitrogenada deverá ser repetida a cada três meses no

decorrer do primeiro ano do plantio.

As adubações de manutenção deverão ser efetuadas,

preferentemente, tomando-se por base as análises do

solo e da folha, bem como a produção do pomar. No

geral, são recomendadas duas adubações por ano, sendo

a primeira no início e a segunda no final do período

chuvoso. Na primeira adubação, a quantidade total do

adubo fosfatado deverá ser aplicada de uma só vez,

juntamente com a metade do nitrogenado e do

potássico. Na segunda, aplicar a outra metade do

nitrogênio e do potássio.

A partir do segundo ano, é recomendado aplicar nitrogênio

(80 kg/ha), fósforo (60 kg/ha) e potássio (80 kg/ha).

A aplicação deve ser efetuada como segue: nitrogênio e

potássio, aplicados em cobertura preferentemente no raio

da copa e parcelado de duas vezes e o fósforo, aplicado

em drenos abertos no raio da copa, de uma só vez.

Cobertura

Em plantios solteiros, é importante o uso de cobertura do

solo com leguminosa, a fim de evitar a infestação de

plantas invasoras, conservar a umidade do solo, adicionar

nitrogênio ao solo, bem como evitar a erosão. Podem

ser utilizadas leguminosas Arachis sp., Centrosema

macrocarpum, Chamaecrista repens, dentre outras.

Pragas

Diferentes espécies de insetos atacam o camucamuzeiro,

tanto na fase de viveiro, como no local definitivo, dentre

eles citam-se o coleóptero Castalimaita ferruginea da

família Chrysomelidae, que se alimenta das folhas e, de

acordo com a intensidade do ataque, pode destruí-las. O

inseto se localiza na parte ventral das folhas e no broto

apical. O lepidóptero Mimallo amilia, da família

Mimallomidae, cuja mariposa adulta tem cor cinza. A sua

presença é notada pela formação de casulos com três a

quatro centímetros de comprimento, presos aos galhos.

Os casulos são de cor marrom e formado por folhas

secas, excrementos e fios de seda, onde a lagarta se

enclausura, até a sua metamorfose.

Dentre as várias espécies de cochonilhas da ordem

Homóptera, Coccoidea, as principais são: Dysmicoccus

brevipes, cujos indivíduos vivem em colônias densas, no

coleto da planta e também nas raízes. Apresentam

coloração róseo-clara com dois milímetros de comprimento,

não são visíveis, pois são recobertas por areia e

manejadas por formigas-de-fogo, que denunciam a sua

presença. As espécies Parasaissetia nigra e Coccus

viridis são encontradas também atacando a planta. A

primeira é encontrada nos galhos e a segunda nas folhas,

provocando abundante quantidade de fumagina, sendo

bem controlados por fungos entomopatogênicos.

Na fase de viveiro, a praga de maior importância é o

besouro Xylosandrus compactus (Coleoptera,

Scolytidae), de coloração variando de marrom-escura a

preta, cuja fêmea perfura a ramo ou o galho da planta,

causando uma galeria pouco visível a olho nu. A perfuração

é detectada pela formação de serragem, e o ataque

causa a seca e quebra da parte vegetal atacada.

Os plantios devem ser inspecionados periodicamente

para detectar a presença dessas pragas. O controle deve

ser efetuado sempre que os ataques alcançarem níveis

significativos, isto é, entre 10% a 15% de folhas

atacadas por planta.

O ataque de saúvas Atta sexdens causa o corte das

folhas. Para combatê-las, usar qualquer isca granulada à

base de dodecacloro.

Doenças

Em plantios não manejados adequadamente, geralmente

é verificada a presença de ?Fumagina? nas folhas da

planta, que pode ser controlada com pulverizações com

óxidos de cobre com concentrações variando de 0,1% a

0,3 % (100 a 300 g do produto para 100 litros de

água).

Em plantios de três anos, pode ocorrer a enfermidade

conhecida por ?morte regressiva? causada por

Botryodiplodia theobromae, cujo controle consiste em

eliminar a planta atacada, aplicar cal na cova e, após 30

dias, efetuar sua substituição.

Floração e frutificação

Em condições de terra firme, o camucamuzeiro inicia a

floração entre 2,5 a 3 anos após o plantio. Nas condições

de Belém, o camucamuzeiro demonstrou boa

adaptação, com bom desenvolvimento da planta, florindo

praticamente o ano inteiro, com a vantagem do ciclo de

produção se estender durante todo o ano. O pico de

produção vai de novembro a março, sendo verificado

também índices menores de produção, nos meses de

julho e agosto.

Colheita

A colheita do camucamu é feita manualmente, tendo-se

o máximo de cuidado para não danificar o fruto. Pomares

implantados em condições de terra firme iniciam a

produção, dois anos e meio após o plantio.

A colheita inicia, geralmente, a partir de setembro,

estendendo-se até março/abril do ano seguinte, devendo

ser efetuadas duas colheitas por semana.

Os frutos estão aptos a serem colhidos quando no

estádio semimaduros, isto é, apresentando coloração verde

com pintas arroxeadas. Nesta fase, os frutos contêm maior

concentração de vitamina C, além de ser o estágio mais

conveniente para o aproveitamento industrial, pelo fato destes

apresentarem consistência, tornando mais fácil a embalagem e

o transporte dos mesmos para longas distâncias.

Uma vez colhidos, os frutos são colocados em recipientes

de madeira, para evitar perdas por esmagamento,

devendo ser colocados à sombra. Frutos muito maduros

e amassados tendem a se deteriorar mais rapidamente,

devendo ser consumidos de imediato, nas formas de

suco ou ?in natura?.

Para aumentar o período de conservação dos frutos e

melhorar sua aparência, alguns cuidados devem ser

tomados durante a colheita. Assim, devem ser evitados

choque dos mesmos com o solo, a fim de não permitir a

penetração de fungos. Portanto, todos os cuidados

devem ser tomados durante a colheita para que sejam

obtidos frutos com boa aparência, garantindo bons

preços na comercialização.

Rendimento de frutos

Em pomares de camucamuzeiro implantados em condições

de terra firme, no espaçamento de 3 m x 3 m (1.11

plantas/ha) podem ser obtidas produções iniciais de até

de 6 kg de frutos frescos por planta/safra, que

corresponde a 6,7 toneladas de frutos frescos por

hectare/safra.

Beneficiamento

Os frutos depois de colhidos passam por um processo de

limpeza, classificação e embalagem, objetivando, principalmente,

melhorar a aparência dos mesmos para

alcançar melhores preços na comercialização.

Nos casos em que a comercialização for efetuada na

forma de polpa, esta deverá ser processada utilizando-se

tanto a casca quanto a polpa, devido o conteúdo da

vitamina ?C? presente nas duas partes ser considerável,

bem como dar à polpa, uma coloração arroxeada,

característica da casca do camucamu.

Comercialização

A produção de camucamu pode ser efetuada nas formas

de frutos frescos ou polpa concentrada e congelada,

dependendo das condições existentes na propriedade.

Apesar de parecer uma forma de facilitar a

comercialização, a venda de frutos frescos diretamente

na propriedade desestimula o produtor a realizar práticas

de beneficiamento necessárias à melhoria da qualidade, o

que resulta na venda de produto com baixa qualidade e,

em conseqüência, baixos preços.

O ideal seria agregar valor à produção. Assim sendo, o

produtor deverá efetuar o despolpamento dos frutos

recém-colhidos, tendo o cuidado de proceder esta

atividade dentro dos padrões de higiene, para que seu

produto tenha qualidade. Em seguida, a polpa deverá ser

embalada em embalagens de plástico, seguidas do

congelamento, para posterior comercialização.

Palavras-chave: Camu-Camu | Cultivo | Agro-Negócio | Mudas | Mangostão
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