Origem e Distribuição Geográfica
O cupuaçuzeiro ( Theobroma grandiflorum (Willd. Ex.
Spreng.) Schum) é originário da Amazônia Oriental
Brasileira, onde, ainda hoje, pode ser encontrado em
áreas de vegetação primária. No Pará, ocorre, naturalmente,
nas seguintes microrregiões: Itaituba, Altamira,
Portel, Tucuruí, Guamá, Bragantina, Parauapebas e
Marabá. Ocorre, também, ao noroeste do Maranhão, nas
margens do Rio Pindaré. Quando componente da vegetação
primária, o número de indivíduos por hectare se situa
entre dois e três. Nos demais Estados da Amazônia
Brasileira, é encontrado como planta cultivada.
A Planta
O cupuaçuzeiro é uma espécie arbórea, com altura
variando entre 15 e 20 m e com ramificação
tricotômica. Quando cultivado, apresenta porte bem
menor, em função dos tratamentos de podas aplicados.
As folhas são simples, alternas e subcoriáceas, com
comprimento médio de 35,3 cm e largura de 11,4 cm.
As flores são hermafroditas e geneticamente autoincompatíveis.
O fruto é um anfisarcídio, com peso
variando entre 0,7 e 3,0 kg, contendo, em média, 32
sementes.
Propagação
Pode ser propagado por sementes ou por enxertia. O
primeiro processo é de uso mais corrente, porém tem
como grande limitação o fato de que as plantas, assim
propagadas, apresentam grandes variações, devido ser
uma espécie de polinização cruzada. O segundo, é
indicado quando se deseja propagar matrizes que
apresentam características desejáveis, como: elevado
rendimento de polpa, boa produtividade e tolerância a
pragas e doenças, entre outras. Por ser geneticamente
auto-incompatível, o estabelecimento de pomares com
plantas enxertadas deve ser efetuado com o plantio de
diversos clones na mesma área. É importante que os
clones sejam geneticamente compatíveis entre si.
1 Eng. Agrôn., M.Sc., Pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Caixa Postal 48, CEP 66 095-100. E-mail: urano@cpatu.ebrapa.br; hans@cpatu.ebrapa.br;
rafael@cpatu.ebrapa.br; fatima@cpatu.ebrapa.br
2 Cupuaçuzeiro
Clones e Variedades
Em populações naturais e em áreas de cultivo, existem
diferentes tipos que se distinguem entre si pelas características
dos frutos. O cupuaçu sem sementes é um
desses tipos e se caracteriza por apresentar frutos
desprovidos de sementes. O rendimento de polpa do
cupuaçu sem sementes gira em torno de 67%. A
maioria dos tipos com sementes apresenta rendimento
de polpa entre 35% e 40%. O tipo sem sementes é
bastante susceptível à doença vassoura-de-bruxa e
apresenta polpa menos ácida.
A Embrapa Amazônia Oriental, em 2002, lançou e
disponibilizou para o setor produtivo os clones Belém,
Coari, Codajás e Manacapuru, que aliam boa produtividade,
polpa com características agroindustriais superiores
e tolerância à doença vassoura-de-bruxa.
Sistemas de Cultivo
Os sistemas de cultivo mais indicados para o
cupuaçuzeiro envolvem o plantio em áreas com
sombreamento provisório e/ou definitivo. Diversas
espécies semiperenes e perenes podem ser consorciadas
com o cupuaçuzeiro. A distribuição espacial dessas
espécies no pomar e o manejo das mesmas devem ser
de tal forma que não provoquem sombreamento excessivo
para as plantas, uma vez que níveis de
sombreamento superiores a 25% comprometem a
produtividade de frutos. No caso do consórcio envolvendo
o cupuaçuzeiro, a bananeira e uma espécie madeireira,
a primeira espécie é plantada no espaçamento de
5 x 5 m, a segunda ocupa todos os espaços entre e
dentro das linhas dos cupuaçuzeiros, com exceção dos
locais onde serão plantadas as espécies arbóreas
madeireiras, que deverão guardar estabelecidas no
espaçamento de 20 x 10 m. As bananeiras, nas entrelinhas
dos cupuaçuzeiros são plantadas guardando
distância entre si de 2,5 m. Nesse tipo de consórcio
triplo, cada hectare comporta, inicialmente, 400
cupuaçuzeiros, 1.150 touceiras de bananeiras e 50
árvores madeireiras. É de fundamental importância que
cada touceira de bananeira seja manejada com três
plantas (mãe filha e neta). Para permitir boa condição
de luz para os cupuaçuzeiros, recomenda-se que, 3 anos
após a implantação do sistema, o número de touceiras
de bananeiras seja reduzido para 700 e no 4º ano, para
300. Esse procedimento é necessário porque aos 3 anos
de idade, os cupuaçuzeiros já entram em fase de
produção de frutos, sendo necessário menor nível de
sombreamento, para que não haja comprometimento da
produtividade de frutos. A partir do 4º ano, o
sombreamento proporcionado pelas bananeiras é,
aproximadamente, de 22%.
Para o sombreamento provisório, também pode ser
utilizado o maracujazeiro, a macaxeira ou outras
espécies semiperenes. No caso do consórcio com o a
primeira espécie, os maracujazeiros devem ser plantados
em fileiras duplas, com distância entre si de 2 m e
entre fileiras duplas de 3 m. Dentro de cada fileira, a
distância entre duas plantas vizinhas deve ser de 5 m.
O cupuaçuzeiro é plantado no centro das fileiras duplas,
no espaçamento de 5 x 5 m. Entre as filas duplas de
maracujazeiro, podem ser plantadas espécies como o
açaizeiro, a pupunheira ou o coqueiro, no espaçamento
de 10 x 10 m.
Produção e Utilização Atual e
Potencial
Até meado da década de 70, praticamente toda a produção
de cupuaçu era oriunda de atividades extrativistas ou de
pequenos plantios estabelecidos em quintais. Nas 3 últimas
décadas, a área cultivada com essa espécie teve expressivo
aumento. Estima-se que, atualmente, gire em torno de
24.000 ha. A produção brasileira de polpa de cupuaçu se
situa entre de 12.000 t e 15.000 t/ano, sendo que mais
de 80% são oriundas de pomares comerciais.
A polpa de cupuaçu é usada na elaboração de refrescos
e na produção industrial ou artesanal de sorvete, picolé,
néctar, doce, geléia, licor, xarope, biscoito, bombom e
iogurte. Na culinária doméstica, tem larga aplicação,
envolvendo mais de 60 modalidades de consumo, entre
as quais, destacam-se: cremes, pudins, tortas, bolos e
pizzas.
As sementes constituem-se em matéria-prima para
obtenção do cupulate, um alimento com valor nutritivo
e sabor semelhantes ao chocolate, com a vantagem de,
em sua composição, não apresentar cafeína e
teobromina. Para cada tonelada de sementes frescas,
obtêm-se 180 kg de cupulate em pó e 135 kg de
manteiga, que é usada na formulação do cupulate em
tabletes. O óleo extraído das sementes tem larga
aplicação na indústria de cosméticos.
A casca do fruto apresenta razoáveis teores de potássio,
ferro, manganês e outros nutrientes, além de ser
utilizada em mistura com outros resíduos da
agroindústria de frutas, como adubo orgânico. |