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O cupuaçuzeiro
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Atualizado em 14/01/2008

 

Origem e Distribuição Geográfica

O cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum (Willd. Ex.

Spreng.) Schum) é originário da Amazônia Oriental

Brasileira, onde, ainda hoje, pode ser encontrado em

áreas de vegetação primária. No Pará, ocorre, naturalmente,

nas seguintes microrregiões: Itaituba, Altamira,

Portel, Tucuruí, Guamá, Bragantina, Parauapebas e

Marabá. Ocorre, também, ao noroeste do Maranhão, nas

margens do Rio Pindaré. Quando componente da vegetação

primária, o número de indivíduos por hectare se situa

entre dois e três. Nos demais Estados da Amazônia

Brasileira, é encontrado como planta cultivada.

A Planta

O cupuaçuzeiro é uma espécie arbórea, com altura

variando entre 15 e 20 m e com ramificação

tricotômica. Quando cultivado, apresenta porte bem

menor, em função dos tratamentos de podas aplicados.

As folhas são simples, alternas e subcoriáceas, com

comprimento médio de 35,3 cm e largura de 11,4 cm.

As flores são hermafroditas e geneticamente autoincompatíveis.

O fruto é um anfisarcídio, com peso

variando entre 0,7 e 3,0 kg, contendo, em média, 32

sementes.

Propagação

Pode ser propagado por sementes ou por enxertia. O

primeiro processo é de uso mais corrente, porém tem

como grande limitação o fato de que as plantas, assim

propagadas, apresentam grandes variações, devido ser

uma espécie de polinização cruzada. O segundo, é

indicado quando se deseja propagar matrizes que

apresentam características desejáveis, como: elevado

rendimento de polpa, boa produtividade e tolerância a

pragas e doenças, entre outras. Por ser geneticamente

auto-incompatível, o estabelecimento de pomares com

plantas enxertadas deve ser efetuado com o plantio de

diversos clones na mesma área. É importante que os

clones sejam geneticamente compatíveis entre si.

1Eng. Agrôn., M.Sc., Pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Caixa Postal 48, CEP 66 095-100. E-mail: urano@cpatu.ebrapa.br; hans@cpatu.ebrapa.br;

rafael@cpatu.ebrapa.br; fatima@cpatu.ebrapa.br

2 Cupuaçuzeiro

Clones e Variedades

Em populações naturais e em áreas de cultivo, existem

diferentes tipos que se distinguem entre si pelas características

dos frutos. O cupuaçu sem sementes é um

desses tipos e se caracteriza por apresentar frutos

desprovidos de sementes. O rendimento de polpa do

cupuaçu sem sementes gira em torno de 67%. A

maioria dos tipos com sementes apresenta rendimento

de polpa entre 35% e 40%. O tipo sem sementes é

bastante susceptível à doença vassoura-de-bruxa e

apresenta polpa menos ácida.

A Embrapa Amazônia Oriental, em 2002, lançou e

disponibilizou para o setor produtivo os clones Belém,

Coari, Codajás e Manacapuru, que aliam boa produtividade,

polpa com características agroindustriais superiores

e tolerância à doença vassoura-de-bruxa.

Sistemas de Cultivo

Os sistemas de cultivo mais indicados para o

cupuaçuzeiro envolvem o plantio em áreas com

sombreamento provisório e/ou definitivo. Diversas

espécies semiperenes e perenes podem ser consorciadas

com o cupuaçuzeiro. A distribuição espacial dessas

espécies no pomar e o manejo das mesmas devem ser

de tal forma que não provoquem sombreamento excessivo

para as plantas, uma vez que níveis de

sombreamento superiores a 25% comprometem a

produtividade de frutos. No caso do consórcio envolvendo

o cupuaçuzeiro, a bananeira e uma espécie madeireira,

a primeira espécie é plantada no espaçamento de

5 x 5 m, a segunda ocupa todos os espaços entre e

dentro das linhas dos cupuaçuzeiros, com exceção dos

locais onde serão plantadas as espécies arbóreas

madeireiras, que deverão guardar estabelecidas no

espaçamento de 20 x 10 m. As bananeiras, nas entrelinhas

dos cupuaçuzeiros são plantadas guardando

distância entre si de 2,5 m. Nesse tipo de consórcio

triplo, cada hectare comporta, inicialmente, 400

cupuaçuzeiros, 1.150 touceiras de bananeiras e 50

árvores madeireiras. É de fundamental importância que

cada touceira de bananeira seja manejada com três

plantas (mãe filha e neta). Para permitir boa condição

de luz para os cupuaçuzeiros, recomenda-se que, 3 anos

após a implantação do sistema, o número de touceiras

de bananeiras seja reduzido para 700 e no 4º ano, para

300. Esse procedimento é necessário porque aos 3 anos

de idade, os cupuaçuzeiros já entram em fase de

produção de frutos, sendo necessário menor nível de

sombreamento, para que não haja comprometimento da

produtividade de frutos. A partir do 4º ano, o

sombreamento proporcionado pelas bananeiras é,

aproximadamente, de 22%.

Para o sombreamento provisório, também pode ser

utilizado o maracujazeiro, a macaxeira ou outras

espécies semiperenes. No caso do consórcio com o a

primeira espécie, os maracujazeiros devem ser plantados

em fileiras duplas, com distância entre si de 2 m e

entre fileiras duplas de 3 m. Dentro de cada fileira, a

distância entre duas plantas vizinhas deve ser de 5 m.

O cupuaçuzeiro é plantado no centro das fileiras duplas,

no espaçamento de 5 x 5 m. Entre as filas duplas de

maracujazeiro, podem ser plantadas espécies como o

açaizeiro, a pupunheira ou o coqueiro, no espaçamento

de 10 x 10 m.

Produção e Utilização Atual e

Potencial

Até meado da década de 70, praticamente toda a produção

de cupuaçu era oriunda de atividades extrativistas ou de

pequenos plantios estabelecidos em quintais. Nas 3 últimas

décadas, a área cultivada com essa espécie teve expressivo

aumento. Estima-se que, atualmente, gire em torno de

24.000 ha. A produção brasileira de polpa de cupuaçu se

situa entre de 12.000 t e 15.000 t/ano, sendo que mais

de 80% são oriundas de pomares comerciais.

A polpa de cupuaçu é usada na elaboração de refrescos

e na produção industrial ou artesanal de sorvete, picolé,

néctar, doce, geléia, licor, xarope, biscoito, bombom e

iogurte. Na culinária doméstica, tem larga aplicação,

envolvendo mais de 60 modalidades de consumo, entre

as quais, destacam-se: cremes, pudins, tortas, bolos e

pizzas.

As sementes constituem-se em matéria-prima para

obtenção do cupulate, um alimento com valor nutritivo

e sabor semelhantes ao chocolate, com a vantagem de,

em sua composição, não apresentar cafeína e

teobromina. Para cada tonelada de sementes frescas,

obtêm-se 180 kg de cupulate em pó e 135 kg de

manteiga, que é usada na formulação do cupulate em

tabletes. O óleo extraído das sementes tem larga

aplicação na indústria de cosméticos.

A casca do fruto apresenta razoáveis teores de potássio,

ferro, manganês e outros nutrientes, além de ser

utilizada em mistura com outros resíduos da

agroindústria de frutas, como adubo orgânico.

Palavras-chave: Cupuaçu | Mudas | Plantas | Agronogócio | Pó Enraizador
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