 Um consórcio de cinco empresas dinamarquesas, H2 LOGIC, HIRC, HOW:2:FORM, DR, e Metopos, quer construir até 2007, em algum lugar na Dinamarca, uma cidade auto-suficiente que terá toda a sua energia fornecida por células de hidrogênio, painéis solares e turbinas eólicas. As empresas que compõem o grupo são escritórios de arquitetura, institutos de pesquisa, grupos de comunicação e integradores de projetos baseados na exploração do hidrogênio como fonte de energia.
Traduzindo em miúdos, a água será o único subproduto de consumo e produção de energia da cidade do hidrogênio, batizada como H2PIA. A iniciativa nasceu da crescente necessidade de meios limpos de se produzir e consumir energia. Números levantados pela parceria que deu origem à H2PIA mostram que se o crescimento mundial continuar no ritmo em que está hoje, até 2023, a população aumentará em 24%, o número de automóveis em 50%, e a produção de óleo e gás em 66%. Como será a produção de energia O processo de produção de energia na H2PIA começa com a energia elétrica produzida por turbinas eólicas e painéis solares. No entanto, ao invés de usar essa eletricidade apenas como energia para movimentar carros, acender lâmpadas e aquecer refeições, a H2PIA a usa para quebrar uma molécula de água (H20) em hidrogênio e oxigênio.
O oxigênio é devolvido à atmosfera e o hidrogênio é encaminhado a células que podem armazená-lo ou transformá-lo em eletricidade e calor ? tendo como único subproduto água pura. A partir dessa forma básica de se obter energia ? que, na H2PIA é feita, em sua maioria, por uma espécie de usina central chamada de ?Villa Public? ? , organiza-se a cidade auto-suficiente. Esta cidade é divida em pequenos núcleos que tanto consomem quanto produzem energia que é compartilhada por todos os moradores.
Villa Unplugged
Cada núcleo tem características particulares. O primeiro deles é ?Villa Unplugged? ou Vila Desconectada, que, como o próprio diz, não está ligada à ?Villa Public? ou à rede de energia da H2PIA. Ela produz toda a energia de que precisa por meio de painéis solares e turbinas eólicas que por sua vez fornecem energia para o processo de produção do hidrogênio descrito acima. Parte do hidrogênio é armazenada para períodos nos quais não há luz solar ou vento. A idéia é que a ?Villa Unplugged? funcione como uma área de lazer e de escape para famílias que vivem na H2PIA ? uma espécie de casa de campo autônoma. Por ser auto-suficiente, não há precedentes para a liberdade de escolha do local de instalação da ?Villa Unplugged?.
Villa Plugged
Novamente, o nome ajuda a entender o que é a ?Villa Plugged? ou ?Vila Conectada?. Nela, 100% da energia utilizada vem da central da H2PIA ? a Villa Public ?, que converte, no processo descrito no início do artigo, energia solar e eólica em hidrogênio. De acordo com os idealizadores do projeto, a ?Villa Plugged? funciona inserida em uma malha energética parecida com a que se encontra atualmente nas cidades.
Villa Hybrid
Este talvez seja o núcleo mais importante de toda H2PIA por sintetizar o conceito da iniciativa. Nele, misturam-se os princípios da ?Villa Plugged?, ?Villa Unplugged? e ?Villa Public?. Ou seja, esta unidade ? desenhada para ser uma casa de família ? está ligada à rede elétrica da H2PIA e tanto consome quanto produz energia para si e para a comunidade. A ?Villa Hybrid? tem ao mesmo tempo a capacidade de gerar energia ? como a Villa Unplugged ? quanto a necessidade de consumi-la, como a Villa Plugged.
Por exemplo, se um dos membros da iniciativa tem uma casa em um lugar alto onde há muito vento e luz solar, ele muito provavelmente produzirá mais energia do que consome. Com ferramentas que permitem a administração deste excesso, a energia é passada para a comunidade. Ou seja, esta unidade da H2PIA não só não consome energia como produz e repassa o que sobra para outras residências. E se em uma determinada época do ano não há incidência de vento ou sol nesta mesma casa, a luz solar e a força eólica certamente estarão alimentando uma outra Villa Hybrid, que também terá um ?superávit energético? e fornecerá essa sobra para quem, por alguma razão, não consegue produzir toda a energia que consome. Oferta e escassez
Desta forma, administra-se excesso e escassez de energia para que ninguém da comunidade fique sem eletricidade, água quente, televisão, entre outros confortos. Ainda dentro da ?Villa Hybrid?, há uma outra parte importante do sistema: o automóvel. Movido a hidrogênio, este carro é abastecido de gás e enquanto circula, produz eletricidade por meio de um dínamo. E, por incrível que pareça, depois de um dia circulando, o usuário chega em casa e liga o automóvel à rede elétrica da residência para servir energia e não absorvê-la. Como a força usada pelo automóvel para circular vem do hidrogênio, a eletricidade gerada com o girar das rodas é armazenada em baterias e, no final do dia, servem a residência ? e a comunidade, se a casa já estiver devidamente abastecida ? de energia elétrica.
Todo hidrogênio chega às residências por meio de dutos ligados à ?Villa Public?. Vale lembrar que todos os núcleos são concebidos por arquitetos para consumir energia da forma mais eficiente possível. Janelas amplas que garantem iluminação por luz natural e materiais leves e ecologicamente corretos fazem parte de todos os projetos. Soluções simples, baratas e econômicas de comunicação também foram idealizadas. A idéia, na H2PIA, vai além do conceito de auto-suficiência ? o objetivo é produzir e usar a própria energia da forma mais eficiente e econômica possível, mesmo sabendo que ela é limpa e renovável.
Utópico? Para as cinco empresas envolvidas com o desenvolvimento do projeto não. A H2 LOGIC, HIRC, HOW:2:FORM, DR, e Metopos estão prontas para fazer a coisa toda funcionar e aguardam apenas investidores. Como foi dito anteriormente, até ano para o lançamento da primeira H2PIA já foi estabelecido. Alguém se habilita?
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