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Direção defensiva - Estudo p/renovação da carteira de motorista - DOCUMENTO OFICIAL - DETRAN
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Atualizado em 28/08/2006

 

Direção defensiva

Trânsito seguro é

um direito de todos

MAIO 2005

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Presidente da República

MINISTÉRIO DAS CIDADES

OLÍVIO DUTRA

Ministro de Estado das Cidades

ERMÍNIA MARICATO

Ministra Adjunta/Secretária Executiva

INÊS DA SILVA MAGALHÃES

Secretário Nacional de Habitação

RAQUEL ROLNIK

Secretária Nacional de Programas Urbanos

ABELARDO DE OLIVEIRA FILHO

Secretário Nacional de Saneamento Ambiental

JOSÉ CARLOS XAVIER

Secretário Nacional de Transporte e Mobilidade Urbana

JOÃO LUIZ DA SILVA DIAS

Presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos ? CBTU

AILTON BRASILIENSE PIRES

Diretor do Departamento Nacional de Trânsito ? Denatran

MARCO ARILDO PRATES DA CUNHA

Presidente da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre ? Trensurb

Fundação Carlos Chagas

Responsável pelo desenvolvimento dos conteúdos

6 APRESENTAÇÃO

8 INTRODUÇÃO

12 DIREÇÃO DEFENSIVA

14 O VEÍCULO

22 O CONDUTOR

30 VIA DE TRÂNSITO

40 O AMBIENTE

46 OUTRAS REGRAS GERAIS E

IMPORTANTES

52 RESPEITO AO MEIO AMBIENTE E

CONVÍVIO SOCIAL

56 INFRAÇÃO E PENALIDADE

60 RENOVAÇÃO DA CARTEIRA

NACIONAL DE HABILITAÇÃO

6

APRESENTAÇÃO

Em 23 de setembro de 1997 é promulgada pelo Congresso Nacional a Lei no 9.503 que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, sancionada pela Presidência da República, entrando em vigor em 22 de janeiro de 1998, estabelecendo, logo em seu artigo primeiro, aquela que seria a maior de suas diretrizes, qual seja, a de que o ?trânsito seguro é um direito de todos e um dever dos órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito?.

No intuito do aprimoramento da formação do condutor, dados os alarmantes índices de acidentalidade no trânsito, que hoje representam 1,5 milhão de ocorrências, com 34 mil mortes e 400 mil feridos por ano, com um custo social estimado em R$ 10 bilhões, o Código de Trânsito Brasileiro trouxe a exigência de cursos teórico-técnicos e de prática de direção veicular, incluindo

direção defensiva, proteção ao meio ambiente e primeiros

socorros. Estendeu, ainda, essa exigência aos condutores já

habilitados, por ocasião da renovação da Carteira Nacional de

Habilitação (art. 150), de modo a também atualizá-los e

instrumentalizá-los na identificação de situações de risco no

trânsito, estimulando comportamentos seguros, tendo como meta

a redução de acidentes de trânsito no Brasil.

7

Como resultado de amplas discussões no âmbito do Sistema

Nacional de Trânsito, o processo de habilitação foi revisto e

consolidado na Resolução nº 168 do Conselho Nacional de Trânsito

? CONTRAN, que entrará em vigor em 19 de junho de 2005, em

substituição à Resolução nº 50.

Visando à melhora do processo de ensino-aprendizagem nos

cursos de habilitação de condutores, o Ministério das Cidades,

por meio do Denatran, publica o presente material didático sobre

Direção Defensiva.

Esta iniciativa representa uma importante meta do Governo

Lula em relação à Política Nacional de Trânsito, divulgada em

setembro de 2004, tendo como foco o aprimoramento da formação

do condutor brasileiro.

OLÍVIO DE OLIVEIRA DUTRA AILTON BRASILIENSE PIRES

Ministro de Estado das Cidades Presidente do CONTRAN

8

INTRODUÇÃO

Educando com valores

O trânsito é feito pelas pessoas. E, como nas outras atividades

humanas, quatro princípios são importantes para o relacionamento

e a convivência social no trânsito.

O primeiro deles é a dignidade da pessoa humana, do qual

derivam os Direitos Humanos e os valores e atitudes fundamentais

para o convívio social democrático, como o respeito mútuo e o

repúdio às discriminações de qualquer espécie, atitude necessária

à promoção da justiça.

O segundo princípio é a igualdade de direitos. Todos têm a

possibilidade de exercer a cidadania plenamente e, para isso, é

necessário ter eqüidade, isto é, a necessidade de considerar as

diferenças das pessoas para garantir a igualdade o que, por sua

vez, fundamenta a solidariedade.

Um outro é o da participação, que fundamenta a mobilização

da sociedade para organizar-se em torno dos problemas de trânsito

e de suas conseqüências.

Finalmente, o princípio da co-responsabilidade pela vida social,

que diz respeito à formação de atitudes e ao aprender a valorizar

comportamentos necessários à segurança no trânsito, à efetivação

do direito de mobilidade a todos os cidadãos e a exigir dos governantes

ações de melhoria dos espaços públicos.

9

Comportamentos expressam princípios e valores que a sociedade

constrói e referenda e que cada pessoa toma para si e leva

para o trânsito. Os valores, por sua vez, expressam as contradições

e conflitos entre os segmentos sociais e mesmo entre os papéis

que cada pessoa desempenha. Ser ?veloz?, ?esperto?, ?levar

vantagem? ou ?ter o automóvel como status?, são valores presentes

em parte da sociedade. Mas são insustentáveis do ponto de

vista das necessidades da vida coletiva, da saúde e do direito de

todos. É preciso mudar.

Mudar comportamentos para uma vida coletiva com qualidade

e respeito exige uma tomada de consciência das questões em jogo

no convívio social, portanto na convivência no trânsito. É a escolha

dos princípios e dos valores que irá levar a um trânsito mais humano,

harmonioso, mais seguro e mais justo.

10

INTRODUÇÃO

Riscos, perigos e acidentes

Em tudo o que fazemos há uma dose de risco: seja no trabalho,

quando consertamos alguma coisa em casa, brincando, dançando,

praticando um esporte ou mesmo transitando pelas ruas da cidade.

Quando uma situação de risco não é percebida, ou quando

uma pessoa não consegue visualizar o perigo, aumentam as chances

de acontecer um acidente.

Os acidentes de trânsito resultam em danos aos veículos e

suas cargas e geram lesões em pessoas. Nem é preciso dizer que

eles são sempre ruins para todos. Mas você pode ajudar a evitálos

e colaborar para diminuir:

o sofrimento de muitas pessoas, causados por mortes e

ferimentos, inclusive com seqüelas físicas e/ou mentais,

muitas vezes irreparáveis;

prejuízos financeiros, por perda de renda e afastamento

do trabalho;

constrangimentos legais, por inquéritos policiais e

processos judiciais, que podem exigir o pagamento de

indenizações e até mesmo prisão dos responsáveis.

Acidente não acontece por acaso, por obra do destino, ou por azar.

11

Custa caro para a sociedade brasileira pagar os prejuízos dos

acidentes: estima-se em 10 bilhões de reais, todos os anos, que

poderiam ser aproveitados, por exemplo, na construção de milhares

de casas populares para melhorar a vida de muitos brasileiros.

Por isso, é fundamental a capacitação dos motoristas para

o comportamento seguro no trânsito, atendendo a diretriz da

?preservação da vida, da saúde e do meio ambiente? da Política

Nacional de Trânsito.

E esta ocasião é uma excelente oportunidade que você tem

para ler com atenção este material didático e conhecer e aprender

como evitar situações de perigo no trânsito, diminuindo as

possibilidades de acidentes.

Estude-a bem. Aprender os conceitos da Direção Defensiva

vai ser bom para você, para seus familiares, para seus amigos e

também para seu país.

12

DIREÇÃO DEFENSIVA

Direção defensiva, ou direção segura, é a melhor maneira de

dirigir e de se comportar no trânsito, porque ajuda a preservar a

vida, a saúde e o meio ambiente. Mas, o que é a direção defensiva?

É a forma de dirigir, que permite a você reconhecer antecipadamente

as situações de perigo e prever o que pode acontecer com você,

com seus acompanhantes, com o seu veículo e com os outros

usuários da via.

13

Para isso, você precisa aprender os conceitos da direção

defensiva e usar este conhecimento com eficiência. Dirigir sempre

com atenção, para poder prever o que fazer com antecedência e

tomar as decisões certas para evitar acidentes.

A primeira coisa a aprender é que acidente não acontece

por acaso, por obra do destino ou por azar. Na grande maioria

dos acidentes, o fator humano está presente, ou seja, cabe aos

condutores e aos pedestres uma boa dose de responsabilidade.

Toda ocorrência trágica, quando previsível, é evitável.

Os riscos e os perigos a que estamos sujeitos no trânsito estão

relacionados com:

Os Veículos;

Os Condutores;

As Vias de Trânsito;

O Ambiente;

O Comportamento das pessoas.

Vamos examinar separadamente os principais

riscos e perigos.

Atravessar a rua na faixa é um direito do pedestre.

Respeite-o.

14

DIREÇÃO DEFENSIVA

Seu veículo dispõe de equipamentos e sistemas importantes

para evitar situações de perigo que possam levar a acidentes,

como freios, suspensão, sistema de direção, iluminação, pneus

e outros.

Outros equipamentos são destinados a diminuir os impactos

causados em casos de acidentes, como os cintos de segurança, o

?air-bag? e a carroçaria.

Manter esses equipamentos em boas condições é importante

para que eles cumpram suas funções.

Manutenção Periódica e Preventiva

Todos os sistemas e componentes do seu veículo se desgastam

com o uso. O desgaste de um componente pode prejudicar

o funcionamento de outros e comprometer a sua segurança.

Isso pode ser evitado, observando a vida útil e a durabilidade

definida pelos fabricantes para os componentes, dentro de

certas condições de uso.

Para manter seu veículo em condições seguras, crie o hábito

de fazer periodicamente a manutenção preventiva. Ela é

fundamental para minimizar o risco de acidentes de trânsito.

Respeite os prazos e as orientações do manual do proprietário e,

sempre que necessário, use

profissionais habilitados.

Uma manutenção feita em

dia evita quebras, custos

com consertos e, principalmente,

acidentes.

O VEÍCULO

15

Funcionamento do veículo

Você mesmo(a) pode observar o funcionamento de seu

veículo, seja pelas indicações do painel, ou por uma inspeção

visual simples:

Combustível: veja se o indicado no painel é suficiente

para chegar ao destino;

Nível de óleo de freio, do motor e de direção hidráulica:

observe os respectivos reservatórios, conforme manual

do proprietário;

Nível de óleo do sistema de transmissão (câmbio): para

veículos de transmissão automática, veja o nível do

reservatório. Nos demais veículos, procure vazamentos

sob o veículo;

Água do radiador: nos veículos refrigerados a água, veja

o nível do reservatório de água;

Água do sistema limpador de pára-brisa: verifique o

reservatório de água;

Palhetas do limpador de pára-brisa: troque, se estiverem

ressecadas;

Desembaçador dianteiro e traseiro (se existirem):

verifique se estão funcionando corretamente;

Funcionamento dos faróis: verifique visualmente se todos

estão acendendo (luzes baixa e alta);

Regulagem dos faróis: faça através de profissionais

habilitados;

Lanternas dianteiras e traseiras, luzes indicativas de

direção, luz de freio e luz de ré: inspeção visual.

O hábito da manutenção preventiva e periódica gera

economia e evita acidentes de trânsito.

16

DIREÇÃO DEFENSIVA

Pneus

Os pneus têm três funções importantes: impulsionar, frear e

manter a dirigibilidade do veículo. Confira sempre:

Calibragem: siga as recomendações do fabricante do

veículo, observando a situação de carga (vazio e carga

máxima). Pneus murchos têm sua vida útil diminuída,

prejudicam a estabilidade, aumentam o consumo de

combustível e reduzem a aderência em piso com água.

Desgaste: o pneu deverá ter sulcos de, no mínimo, 1,6

milímetros de profundidade. A função dos sulcos é

permitir o escoamento de água para garantir perfeita

aderência ao piso e a segurança, em caso de piso

molhado.

Deformações na carcaça: veja se os pneus não têm

bolhas ou cortes. Estas deformações podem causar um

estouro ou uma rápida perda de pressão.

Dimensões irregulares: não use pneus de modelo ou

dimensões diferentes das recomendadas pelo fabricante

para não reduzir a estabilidade e desgastar outros

componentes da suspensão.

Você pode identificar outros problemas de pneus com

facilidade. Vibrações do volante indicam possíveis problemas com

o balanceamento das rodas. O veículo puxando

para um dos lados indica um possível

problema com a calibragem dos

pneus ou com o alinhamento da

direção. Tudo isso pode reduzir a

estabilidade e a capacidade de

frenagem do veículo.

O VEÍCULO

A estabilidade do veículo também está relacionada com a calibragem correta dos pneus.

17

Não se esqueça que todas estas recomendações também

se aplicam ao pneu sobressalente (estepe), nos veículos em

que ele é exigido.

Cinto de segurança

O cinto de segurança existe para limitar a movimentação dos

ocupantes de um veículo, em casos de acidentes ou numa freada

brusca. Nestes casos, o cinto impede que as pessoas se choquem

com as partes internas do veículo ou sejam lançados para fora

dele, reduzindo assim a gravidade das possíveis lesões.

Para isso, os cintos de segurança devem estar em boas

condições de conservação e todos os ocupantes devem usá-los,

inclusive os passageiros dos bancos traseiros, mesmo as gestantes

e as crianças.

Faça sempre uma inspeção dos cintos:

Veja se os cintos não têm cortes, para não se romperem

numa emergência;

Confira se não existem dobras que impeçam a perfeita

elasticidade;

Teste o travamento para ver se está funcionando

perfeitamente;

Verifique se os cintos dos bancos traseiros estão

disponíveis para utilização dos ocupantes.

Uso correto do cinto:

Ajuste firmemente ao corpo, sem deixar folgas;

A faixa inferior deverá ficar abaixo do abdome, sobretudo

para as gestantes.

18

DIREÇÃO DEFENSIVA

A faixa transversal deve vir sobre o ombro, atravessando

o peito, sem tocar o pescoço;

Não use presilhas. Elas anulam os efeitos do cinto de

segurança.

Transporte as crianças com até dez anos de idade só no banco

traseiro do veículo, e acomodadas em dispositivo de retenção

afixado ao cinto de segurança do veículo, adequado à sua estatura,

peso e idade.

Alguns veículos não possuem banco traseiro. Excepcionalmente,

e só nestes casos, você poderá transportar crianças

menores de 10 anos no banco dianteiro, utilizando o cinto de

segurança. Dependendo da idade, elas deverão ser colocadas

em cadeiras apropriadas, com a utilização do cinto de segurança.

Se o veículo tiver ?air bag? para o passageiro, é recomendável

que você o desligue, enquanto estiver transportando a criança.

O cinto de segurança é de utilização individual. Transportar

criança, no colo, ambos com o mesmo cinto, poderá acarretar

lesões graves e até a morte da criança.

As pessoas, em geral,

não têm a noção exata do

significado do impacto de

uma colisão no trânsito.

Saiba que, segundo as leis da

física, colidir com um poste, ou

com um objeto fixo semelhante, a 80

quilômetros por hora, é o mesmo que cair

de um prédio de 9 andares.

19

Suspensão

A finalidade da suspensão e dos amortecedores é

manter a estabilidade do veículo. Quando gastos, podem

causar a perda de controle do veículo e seu capotamento,

especialmente em curvas e nas frenagens. Verifique

periodicamente o estado de conservação e o funcionamento

deles, usando como base o manual do

fabricante e levando o veículo a pessoal especializado.

Direção

A direção é um dos mais importantes componentes de segurança