De uma hora para outra, as coisas parecem começar a se resolver com a DirecTV. A empresa, que hoje passa por duas situações paralelas (e igualmente complexas) deve ter novidades nas duas frentes, praticamente ao mesmo tempo. A primeira, imediatamente relacionada ao seu futuro no Brasil, diz respeito ao processo de reestruturação pelo Chapter 11 da legislação de falências dos EUA por que passa a DirecTV Latin America (controladora direta da operação brasileira).
A empresa atravessa esse processo desde 18 de março, em decorrência da severa deterioração de sua estabilidade financeira. O vilão das contas da DirecTV chama-se programação. A operadora viu sua contabilidade se deteriorar quando a América Latina passou por uma intensa desvalorização cambial. Mas ao contrário dos demais operadores, seus contratos pan-regionais, em dólares, engessaram muito mais a negociação.
Apenas no final de novembro a empresa, aparentemente, conseguiu resolver esse principal problema. A DirecTV Latin America registrou na Bankruptcy Court de Delaware uma moção solicitando à corte autorização para que alguns compromissos de reestruturação dos acordos de programação possam ser assumidos daqui para frente pela empresa, e para que parte da dívida passada com os programadores seja paga. O pagamento desses compromissos é parte e pré-requisito para a complementação do processo mais amplo de renegociação com os credores. O documento protocolado pela DirecTV junto à corte de Delaware e que traz alguns detalhes do acordo está disponível em www.paytv.com.br/arquivos/drp.pdf.
Programadores
O acordo com os programadores, segundo a DirecTV, representa um grande avanço no sentido de diminuir o custo de programação por assinante, diminuição dos mínimos garantidos em muitos dos contratos e diminuição dos riscos cambiais dos contratos. Se isso efetivamente acontecer (ainda não havia uma posição definitiva até o fechamento desta edição), a DirecTV Latin America pagará US$ 30,9 milhões aos programadores e ficará também autorizada a cumprir com obrigações de cerca de US$ 52,5 milhões com a HBO. Segundo o documento, os valores representam um desconto significativo sobre o que era devido. Se essas condições, já acertadas com os programadores e principais credores, forem aceitas pela corte, diz a DirecTV, um importante passo para que a empresa saia do Chapter 11 terá sido dado.
O pagamento destes compromissos deverá ser feito até o último dia do ano e os programadores beneficiários serão HBO, Turner, ESPN, MTV, Discovery e LAP TV, que representam cerca de 58% dos compromissos de programação da empresa em 2002. Naturalmente, a DirecTV só divulga os números gerais, não detalhando o acerto feito com cada um dos programadores. Em 15 de dezembro a empresa deverá receber o sinal verde para fechar com os canais nas condições propostas.
Com isso, a DirecTV Latin America estará no rumo de resolver com a justiça dos EUA sua reestruturação. Em 20 de dezembro vence o prazo final para entrega de uma proposta de reestruturação geral. Se tudo correr bem, em 18 de fevereiro a empresa recebe o sinal verde para deixar o Chapter 11.
Fusão
É aí que entra a segunda frente de mudanças por que passa a DirecTV: a aquisição de parte de sua controladora Hughes Electronics pela News Corp., de Rupert Murdoch. Só depois que esta operação for aprovada pelas autoridades norte-americanas é que serão tomadas decisões estratégicas sobre o futuro das operações da DirecTV (e possivelmente também da Sky) na América Latina. Mesmo com apenas 34% da Hughes, Murdoch deverá ter influência direta sobre o corpo gerencial da empresa, propondo, portanto, as estratégias a serem seguidas. Nos EUA, tudo caminha bem para que esta operação seja aprovada.
A FCC, ao que tudo indica, dará o sinal verde para que a News Corp. compre, por US$ 6 bilhões, 34% da Hughes Electronics, controladora da DirecTV e da DirecTV Latin America, e isso deve acontecer até o dia 19 de dezembro. Mas a tendência é que sejam colocadas algumas condições para impedir que a News tenha um poder excessivo nas mãos.
Nada que, de acordo com as informações disponíveis, trará conseqüências diretas para a América Latina. A preocupação das autoridades norte-americanas é com o seu mercado local. E lá, nem a DirecTV está em programação; nem a News Corp. está em distribuição. A idéia da FCC é dar aos operadores de cabo a possibilidade de uma arbitragem simplificada nos casos em que sentirem abuso por parte da News ou da Fox.
Fonte: PayTV
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