Apesar da enorme diferença em qualidade
que separa os atuais gravadores e fitas dos primeiros modelos lançados
no início da década de 60, a verdade é que o formato
cassete, como tudo que se baseia em fita magnética, está
com seus dias contados. Assim como no caso dos discos de vinil, essa aposentadoria
por tempo de serviço começou a se desenhar a partir de 1983,
quando foram lançados os primeiros CDs e seus players.
A partir daí, começamos a
ficar acostumados não só com a qualidade, mas principalmente
com a praticidade e durabilidade do novo meio de reprodução.
Finalmente estávamos libertos dos malabarismos que eram necessários
para localizar e colocar a agulha precisamente no início da faixa
que queríamos ouvir. Agora podíamos inclusive nos dar ao
luxo de programar a reprodução somente das músicas
desejadas ou de ouvi-las em ordem aleatória, façanhas fora
do alcance dos discos de vinil e das fitas cassete.
Tantas foram as vantagens trazidas pelo
CD na reprodução da música que era inevitável
que os mais exigentes dentre nós começassem a suspirar pelo
dia em que além de apenas ouvir discos já gravados poderiam
gravar em casa seus próprios discos. Se esse é o seu caso,
o sonho não só já se tornou realidade como surgiu
em dois formatos diferentes: MiniDisc (MD) e CD-R/CD-RW. Com esses novos
discos, além de CDs você pode copiar outras fontes digitais,
como fitas DAT e DCC e fontes analógicas, como discos de vinil.
MINIDISCS
Embora tenha sido lançado pela
Sony em 1992, seguida de outros fabricantes japoneses, o formato MiniDisc
até agora ainda não "pegou" nos Estados Unidos e, quase que
em decorrência, no resto do mundo (com a exceção do
Japão). Os principais motivos foram a desconfiança dos consumidores
diante de mais um formato e os preços elevados dos primeiros gravadores/reprodutores.
Afinal de contas, pelo lado da reprodução os consumidores
estavam mais do que satisfeitos com o CD. Pelo lado da gravação,
apesar das limitações das fitas cassete e dos seus gravadores
eles tinham uma qualidade difícil de ser ignorada: seu preço
acessível.
Diante dessa falta de entusiasmo, os fabricantes
praticamente deixaram de promover o novo formato. Porém, a partir
principalmente da Feira de Las Vegas (CES) realizada em janeiro de 98,
essa situação pode começar a mudar. Os fabricantes
resolveram unir forças em torno da melhor divulgação
do MiniDisc nos Estados Unidos, acompanhada do anúncio e efetivo
lançamento de vários modelos de gravadores e reprodutores
de mesa, portáteis e para uso em automóveis.
Os preços desses produtos também
se tornaram mais convidativos, quase equiparando-se aos dos tape-decks
modulares mais sofisticados, aqueles com comandos IC-Logic e sistemas Dolby
B e C e/ou S de redução de ruído. Essa movimentação
em torno do MiniDisc chegou ao Brasil no segundo semestre de 98.
Mas, o que é o MiniDisc e quais
os motivos que poderiam justificar a compra de um gravador? O nome MiniDisc
é decorrente do seu tamanho reduzido (8 cm) quando comparado com
o CD normal (12 cm). Isso o torna especialmente interessante para uso em
produtos portáteis, que podem ser ainda mais compactos e leves do
que os do tipo discman. Os discos MD são disponíveis em duas
versões ? pré-gravados e graváveis pelo usuário.
Enquanto os primeiros são gravados e reproduzidos através
de um processo semelhante ao utilizado para os CDs normais, os MiniDiscs
graváveis são discos magneto-ópticos. Ou seja, sua
gravação é magnética e sua leitura é
feita por um processo óptico com raio laser.
Os MDs pré-gravados são semelhantes
aos CDs normais, no sentido de que não podem ser regravados pelo
usuário. Já os magneto-ópticos podem ser gravados
e regravados indefinidamente (até 1 milhão de vezes, segundo
as estimativas). Apesar de menores, comportam o mesmo tempo de gravação
dos CDs normais (74 minutos). Para que isso fosse possível, a Sony
desenvolveu um sistema de compactação (ou, melhor dizendo,
redução) de dados chamado ATRAC, que elimina do sinal de
áudio todas as informações consideradas redundantes,
ou seja, que podem passar despercebidas pelo ouvido humano.
Mas, além da possibilidade de ser
gravado, quais as outras vantagens oferecidas pelo MiniDisc? Em uma única
palavra, muitas. Para começar, ele é protegido por um estojo
semelhante ao dos disquetes de computador, com aberturas somente para as
cabeças de gravação magnética e a laser. Isso
o protege contra sujeira e riscos, aumentando ainda mais a sua natural
longevidade. Além disso, é extremamente amigável,
permitindo que o usuário entre com dados de identificação
de artistas e nomes das faixas para sua apresentação no display
do gravador ou reprodutor. Permite até apagar diretamente qualquer
faixa intermediária e substituí-la por outra música
com tempo de duração maior ou menor (desde que o tempo total
de gravação de 74 minutos não seja ultrapassado).
Na hora da reprodução do
disco, é como se nada houvesse acontecido. O próprio gravador
se encarrega de reordenar os dados gravados, de forma que a reprodução
transcorra normalmente. Para evitar saltos e interrupções
causados por solavancos ou choques físicos no momento da reprodução,
players e gravadores MD possuem memória para guardar os últimos
segundos de música captados pela unidade de leitura. Assim, os dados
perdidos no momento do solavanco são instantaneamente buscados nessa
memória, o que elimina as interrupções.
Por último, mas não menos
importante, o MiniDisc oferece elevada qualidade de áudio, chegando
bastante próximo do próprio CD em termos de especificações
técnicas, como resposta de freqüências, nível
de ruído, faixa dinâmica e distorção. Auditivamente,
no entanto, ouvidos mais treinados conseguem perceber certa inferioridade
com relação ao CD, o que é atribuído à
ação do sistema ATRAC de redução de dados.
Porém, para a maioria das pessoas, tais diferenças passam
despercebidas.
Apesar de todas essas vantagens, os MiniDiscs
também apresentam suas limitações. Uma das primeiras
idéias que nos vem à mente quando se fala na qualidade e
versatilidade do MD é a gravação de discos personalizados
para serem ouvidos no automóvel. Lembre-se, no entanto, que um reprodutor
de CDs normais não é compatível com MiniDiscs e vice-versa,
o que leva à necessidade da compra de um MD player para o seu carro.
Quanto a discos pré-gravados, esqueça,
pois a quantidade de títulos lançados sempre foi muito restrita.
Outra limitação, apesar de
praticamente inconseqüente, refere-se à forma como são
feitas as cópias digitais. Um sistema de proteção,
chamado Serial Copy Management System, permite a cópia ilimitada
somente de um disco original e nunca uma cópia a partir de outra
cópia. Finalmente, temos a questão do preço relativamente
elevado dos discos virgens.
CD-RECORDERS
O recurso da gravação de
CDs em casa também não é exatamente uma novidade,
pois os gravadores para aplicações de áudio e os discos
do formato CD-R (CD-Recordable) já estão disponíveis
há alguns anos. Apesar disso, o formato acabou não adquirindo
maior notoriedade devido à falta de divulgação e ao
elevado preço dos gravadores, superior a 1.000 dólares (nos
Estados Unidos).
Durante todos esses anos, somente um fabricante
? a Pioneer ? manteve gravadores em sua linha de produtos. Outro fator
que pode ter desanimado os consumidores é a impossibilidade dos
discos CD-R serem regravados. Além de limitar a versatilidade de
uso dos discos, isso significa que você não pode cometer nenhum
erro no momento da gravação, pois esse erro ficará
gravado para sempre. Essa gravação é feita através
do aquecimento de um corante orgânico e do seu substrato, colocados
abaixo da superfície protetora transparente do disco
Com os lançamentos feitos por Philips,
Pioneer e outras empresas durante o ano passado, essa situação
poderá mudar. Além do preço mais acessível
do gravador, cerca de 600 dólares nos Estados Unidos, os discos
CD-RW (CD-Rewritable) têm a vantagem de poderem ser gravados e regravados
até cerca de mil vezes. A diferença entre o novo disco CD-RW
e o CD-R é que o primeiro contém uma superfície cristalina
cujo estado pode ser alterado quando exposta ao calor do raio laser, num
processo chamado de phase-change (mudança de fase), enquanto no
CD-R a gravação é feita através do aquecimento
de um polímero orgânico.
Uma das grandes virtudes dos discos CD-R
e CD-RW é que os dados gravados são essencialmente idênticos
aos contidos no CD original, não sofrendo nenhum processo de redução
do tipo utilizado na gravação dos MiniDiscs. O que temos
aqui é uma cópia virtualmente fiel do disco original. Tanto
um como outro podem conter até 74 minutos de gravação.
No caso do CD-RW, é possível apagar a última faixa
gravada ou o disco todo, mas não as faixas intermediárias,
como fazem os gravadores MD.
Convém lembrar ainda que os discos
CD-R e CD-RW virgens que podem ser utilizados nos gravadores de áudio
CD-R e CD-R/CD-RW são de um tipo especial (Music) para uso doméstico.
Esses discos são mais caros do que seus similares para uso profissional
e para informática, pois já incluem o pagamento de um royalty
destinado a cobrir os direitos autorais dos artistas cujo material é
copiado. Enquanto os discos CD-R Music podem ser comprados no Brasil até
por cerca de R$6,00 a R$7,00, os do tipo CD-RW custam cerca de R$25,00.
A escolha entre a gravação
de discos CD-R ou CD-RW irá depender, além de quanto você
estará disposto a gastar na cópia, do uso que pretende fazer
do disco copiado. Os discos CD-R oferecem a vantagem de poder ser reproduzidos
em qualquer CD player convencional, como o que você já tem
no seu automóvel, rádio-gravador ou system de áudio.
Quanto aos discos CD-RW, embora sejam regraváveis, só são
reproduzidos pelo próprio gravador original ou por outro gravador
de CD-RWs, pelo menor por enquanto. Futuramente, isso deverá mudar
com o lançamento de CD-players que serão também compatíveis
com os discos CD-RW.
QUAL FORMATO ESCOLHER?
Essa é uma pergunta que você
mesmo terá que responder. Resumidamente, os MiniDiscs oferecem mais
flexibilidade em termos de edição da gravação,
são mais compactos e permitem a inclusão do nome do artista
e das faixas para apresentação no display do gravador ou
reprodutor. Por outro lado, os discos CD-R podem ser reproduzidos nos aparelhos
que você já tem, como CD-players, produtos portáteis,
systems e no player do seu carro. Em um futuro próximo, os CD-players
que vierem a ser lançados poderão ser também compatíveis
com os discos CD-RW. Além disso, se você é do tipo
audiófilo exigente é bom relembrar que o CD-R e o CD-RW são
potencialmente melhores em qualidade de áudio do que o MiniDisc.
Até o final de 1999, deverão
ser seis as marcas oferecendo gravadores CD-R no Brasil. Quanto ao formato
MiniDisc, ele é apoiado por todos os grandes fabricantes japoneses.
De uma coisa, no entanto, você pode ter certeza: qualquer que seja
o formato escolhido, suas gravações nunca mais serão
as mesmas e dificilmente você sentirá saudades das suas fitas
cassete.
* João Carlos Jansen
Wambier é consultor de empresas e colaborador da revista HOME THEATER.
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