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Discos digitais que você mesmo pode gravar
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Atualizado em 06/08/2008







Apesar da enorme diferença em qualidade que separa os atuais gravadores e fitas dos primeiros modelos lançados no início da década de 60, a verdade é que o formato cassete, como tudo que se baseia em fita magnética, está com seus dias contados. Assim como no caso dos discos de vinil, essa aposentadoria por tempo de serviço começou a se desenhar a partir de 1983, quando foram lançados os primeiros CDs e seus players.

A partir daí, começamos a ficar acostumados não só com a qualidade, mas principalmente com a praticidade e durabilidade do novo meio de reprodução. Finalmente estávamos libertos dos malabarismos que eram necessários para localizar e colocar a agulha precisamente no início da faixa que queríamos ouvir. Agora podíamos inclusive nos dar ao luxo de programar a reprodução somente das músicas desejadas ou de ouvi-las em ordem aleatória, façanhas fora do alcance dos discos de vinil e das fitas cassete.

Tantas foram as vantagens trazidas pelo CD na reprodução da música que era inevitável que os mais exigentes dentre nós começassem a suspirar pelo dia em que além de apenas ouvir discos já gravados poderiam gravar em casa seus próprios discos. Se esse é o seu caso, o sonho não só já se tornou realidade como surgiu em dois formatos diferentes: MiniDisc (MD) e CD-R/CD-RW. Com esses novos discos, além de CDs você pode copiar outras fontes digitais, como fitas DAT e DCC e fontes analógicas, como discos de vinil.

MINIDISCS

Embora tenha sido lançado pela Sony em 1992, seguida de outros fabricantes japoneses, o formato MiniDisc até agora ainda não "pegou" nos Estados Unidos e, quase que em decorrência, no resto do mundo (com a exceção do Japão). Os principais motivos foram a desconfiança dos consumidores diante de mais um formato e os preços elevados dos primeiros gravadores/reprodutores. Afinal de contas, pelo lado da reprodução os consumidores estavam mais do que satisfeitos com o CD. Pelo lado da gravação, apesar das limitações das fitas cassete e dos seus gravadores eles tinham uma qualidade difícil de ser ignorada: seu preço acessível.

Diante dessa falta de entusiasmo, os fabricantes praticamente deixaram de promover o novo formato. Porém, a partir principalmente da Feira de Las Vegas (CES) realizada em janeiro de 98, essa situação pode começar a mudar. Os fabricantes resolveram unir forças em torno da melhor divulgação do MiniDisc nos Estados Unidos, acompanhada do anúncio e efetivo lançamento de vários modelos de gravadores e reprodutores de mesa, portáteis e para uso em automóveis.

Os preços desses produtos também se tornaram mais convidativos, quase equiparando-se aos dos tape-decks modulares mais sofisticados, aqueles com comandos IC-Logic e sistemas Dolby B e C e/ou S de redução de ruído. Essa movimentação em torno do MiniDisc chegou ao Brasil no segundo semestre de 98.

Mas, o que é o MiniDisc e quais os motivos que poderiam justificar a compra de um gravador? O nome MiniDisc é decorrente do seu tamanho reduzido (8 cm) quando comparado com o CD normal (12 cm). Isso o torna especialmente interessante para uso em produtos portáteis, que podem ser ainda mais compactos e leves do que os do tipo discman. Os discos MD são disponíveis em duas versões ? pré-gravados e graváveis pelo usuário. Enquanto os primeiros são gravados e reproduzidos através de um processo semelhante ao utilizado para os CDs normais, os MiniDiscs graváveis são discos magneto-ópticos. Ou seja, sua gravação é magnética e sua leitura é feita por um processo óptico com raio laser.

Os MDs pré-gravados são semelhantes aos CDs normais, no sentido de que não podem ser regravados pelo usuário. Já os magneto-ópticos podem ser gravados e regravados indefinidamente (até 1 milhão de vezes, segundo as estimativas). Apesar de menores, comportam o mesmo tempo de gravação dos CDs normais (74 minutos). Para que isso fosse possível, a Sony desenvolveu um sistema de compactação (ou, melhor dizendo, redução) de dados chamado ATRAC, que elimina do sinal de áudio todas as informações consideradas redundantes, ou seja, que podem passar despercebidas pelo ouvido humano.

Mas, além da possibilidade de ser gravado, quais as outras vantagens oferecidas pelo MiniDisc? Em uma única palavra, muitas. Para começar, ele é protegido por um estojo semelhante ao dos disquetes de computador, com aberturas somente para as cabeças de gravação magnética e a laser. Isso o protege contra sujeira e riscos, aumentando ainda mais a sua natural longevidade. Além disso, é extremamente amigável, permitindo que o usuário entre com dados de identificação de artistas e nomes das faixas para sua apresentação no display do gravador ou reprodutor. Permite até apagar diretamente qualquer faixa intermediária e substituí-la por outra música com tempo de duração maior ou menor (desde que o tempo total de gravação de 74 minutos não seja ultrapassado).

Na hora da reprodução do disco, é como se nada houvesse acontecido. O próprio gravador se encarrega de reordenar os dados gravados, de forma que a reprodução transcorra normalmente. Para evitar saltos e interrupções causados por solavancos ou choques físicos no momento da reprodução, players e gravadores MD possuem memória para guardar os últimos segundos de música captados pela unidade de leitura. Assim, os dados perdidos no momento do solavanco são instantaneamente buscados nessa memória, o que elimina as interrupções.

Por último, mas não menos importante, o MiniDisc oferece elevada qualidade de áudio, chegando bastante próximo do próprio CD em termos de especificações técnicas, como resposta de freqüências, nível de ruído, faixa dinâmica e distorção. Auditivamente, no entanto, ouvidos mais treinados conseguem perceber certa inferioridade com relação ao CD, o que é atribuído à ação do sistema ATRAC de redução de dados. Porém, para a maioria das pessoas, tais diferenças passam despercebidas.

Apesar de todas essas vantagens, os MiniDiscs também apresentam suas limitações. Uma das primeiras idéias que nos vem à mente quando se fala na qualidade e versatilidade do MD é a gravação de discos personalizados para serem ouvidos no automóvel. Lembre-se, no entanto, que um reprodutor de CDs normais não é compatível com MiniDiscs e vice-versa, o que leva à necessidade da compra de um MD player para o seu carro.

Quanto a discos pré-gravados, esqueça, pois a quantidade de títulos lançados sempre foi muito restrita.

Outra limitação, apesar de praticamente inconseqüente, refere-se à forma como são feitas as cópias digitais. Um sistema de proteção, chamado Serial Copy Management System, permite a cópia ilimitada somente de um disco original e nunca uma cópia a partir de outra cópia. Finalmente, temos a questão do preço relativamente elevado dos discos virgens.

CD-RECORDERS

O recurso da gravação de CDs em casa também não é exatamente uma novidade, pois os gravadores para aplicações de áudio e os discos do formato CD-R (CD-Recordable) já estão disponíveis há alguns anos. Apesar disso, o formato acabou não adquirindo maior notoriedade devido à falta de divulgação e ao elevado preço dos gravadores, superior a 1.000 dólares (nos Estados Unidos).

Durante todos esses anos, somente um fabricante ? a Pioneer ? manteve gravadores em sua linha de produtos. Outro fator que pode ter desanimado os consumidores é a impossibilidade dos discos CD-R serem regravados. Além de limitar a versatilidade de uso dos discos, isso significa que você não pode cometer nenhum erro no momento da gravação, pois esse erro ficará gravado para sempre. Essa gravação é feita através do aquecimento de um corante orgânico e do seu substrato, colocados abaixo da superfície protetora transparente do disco

Com os lançamentos feitos por Philips, Pioneer e outras empresas durante o ano passado, essa situação poderá mudar. Além do preço mais acessível do gravador, cerca de 600 dólares nos Estados Unidos, os discos CD-RW (CD-Rewritable) têm a vantagem de poderem ser gravados e regravados até cerca de mil vezes. A diferença entre o novo disco CD-RW e o CD-R é que o primeiro contém uma superfície cristalina cujo estado pode ser alterado quando exposta ao calor do raio laser, num processo chamado de phase-change (mudança de fase), enquanto no CD-R a gravação é feita através do aquecimento de um polímero orgânico.

Uma das grandes virtudes dos discos CD-R e CD-RW é que os dados gravados são essencialmente idênticos aos contidos no CD original, não sofrendo nenhum processo de redução do tipo utilizado na gravação dos MiniDiscs. O que temos aqui é uma cópia virtualmente fiel do disco original. Tanto um como outro podem conter até 74 minutos de gravação. No caso do CD-RW, é possível apagar a última faixa gravada ou o disco todo, mas não as faixas intermediárias, como fazem os gravadores MD.

Convém lembrar ainda que os discos CD-R e CD-RW virgens que podem ser utilizados nos gravadores de áudio CD-R e CD-R/CD-RW são de um tipo especial (Music) para uso doméstico. Esses discos são mais caros do que seus similares para uso profissional e para informática, pois já incluem o pagamento de um royalty destinado a cobrir os direitos autorais dos artistas cujo material é copiado. Enquanto os discos CD-R Music podem ser comprados no Brasil até por cerca de R$6,00 a R$7,00, os do tipo CD-RW custam cerca de R$25,00.

A escolha entre a gravação de discos CD-R ou CD-RW irá depender, além de quanto você estará disposto a gastar na cópia, do uso que pretende fazer do disco copiado. Os discos CD-R oferecem a vantagem de poder ser reproduzidos em qualquer CD player convencional, como o que você já tem no seu automóvel, rádio-gravador ou system de áudio. Quanto aos discos CD-RW, embora sejam regraváveis, só são reproduzidos pelo próprio gravador original ou por outro gravador de CD-RWs, pelo menor por enquanto. Futuramente, isso deverá mudar com o lançamento de CD-players que serão também compatíveis com os discos CD-RW.

QUAL FORMATO ESCOLHER?

Essa é uma pergunta que você mesmo terá que responder. Resumidamente, os MiniDiscs oferecem mais flexibilidade em termos de edição da gravação, são mais compactos e permitem a inclusão do nome do artista e das faixas para apresentação no display do gravador ou reprodutor. Por outro lado, os discos CD-R podem ser reproduzidos nos aparelhos que você já tem, como CD-players, produtos portáteis, systems e no player do seu carro. Em um futuro próximo, os CD-players que vierem a ser lançados poderão ser também compatíveis com os discos CD-RW. Além disso, se você é do tipo audiófilo exigente é bom relembrar que o CD-R e o CD-RW são potencialmente melhores em qualidade de áudio do que o MiniDisc.

Até o final de 1999, deverão ser seis as marcas oferecendo gravadores CD-R no Brasil. Quanto ao formato MiniDisc, ele é apoiado por todos os grandes fabricantes japoneses. De uma coisa, no entanto, você pode ter certeza: qualquer que seja o formato escolhido, suas gravações nunca mais serão as mesmas e dificilmente você sentirá saudades das suas fitas cassete.



* João Carlos Jansen Wambier é consultor de empresas e colaborador da revista HOME THEATER.







Palavras-chave: Discos | Digitais | Que | Você | Mesmo
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