A incrível popularidade do MP3 não tem limites. Tomou de assalto os lares equipados com micros, chegou através de players portáteis, ajudou a vender muitos gravadores de CD e, finalmente, chegou a casa dos aficionados por Home Theater das mais diversas formas: DVD players, players de mesa ou até pelo bom e velho microcomputador. O MP3 no Home Theater é uma realidade e, além disso, é um estímulo para que muitos passem a ter mais contato e interesse por melhores sistemas de áudio e pela idéia do ?cinema em casa?, da mesma forma que o DVD tem sido.
Mas o mundo da informática não trouxe contribuições só para o mundo do áudio. Na época que antecedeu o gravador de DVD, o micro computador era uma das únicas formas de criar vídeos digitais, através dos formatos VideoCD e Super VideoCD. Porém, nenhuma iniciativa teve mais impacto que a quebra do sistema de proteção do DVD, com o surgimento do DeCSS.
Uma grande parte dos gastos com o desenvolvimento do DVD foi direcionada para sistemas de proteção anti-cópia. A mídia mais utilizada na época, o VHS, era facilmente copiada. O Laserdisc era um produto de nicho, pouco utilizado. Os CDs graváveis, ainda raros e caros, não tinham espaço para abrigar duas horas de gravação com qualidade. Para que Hollywood abraçasse o DVD, a indústria teria que evitar, a qualquer custo, cópias digitais idênticas de seus valiosos filmes. Entre os mecanismos de defesa adotados para tentar barrar os piratas digitais estão o Macrovision, o CSS (Content Scrambling System) e o CGMS (Copy Generation Management System).
Com a popularização dos drives de DVD-ROM e, é claro, com a enorme facilidade de troca de informações obtida pela Internet, os piratas digitais passaram a ter em mãos todas as ferramentas para quebrar as proteções criadas. Em 1998, um programador conhecido como Dezzy começou a trabalhar num projeto de engenharia reversa para ?quebrar? um DVD player para Windows e criar uma versão para Linux. Só que, com isso, conseguiu também remover o CSS e, tempos depois, um jovem norueguês, Jon Johansen, acabou levando a fama pelo feito. Independente de quem foi o autor, a maior proteção do DVD estava criada e inúmeros softwares para ?ripar? (termo utilizado para copiar ou ?extrair? o conteúdo de um CD ou DVD, do inglês ?rip?) surgiram. Porém, não bastava copiar o filme do DVD para o disco rígido. Para solucionar o problema, o compressor MPEG-4 foi a solução. Utilizando o MPEG4, o formato DiVX surgiu e, com isso, tornou-se possível armazenar o conteúdo de um DVD no espaço de um CD.
Não pense, porém, que isso foi feito sem que se sacrificasse qualidade. Apesar de muitos dizerem que o DiVX tem a mesma qualidade de um DVD, isso não é verdade. Utilizando uma janela menor, numa tela de micro, a compressão é visível e inúmeros ?artefatos? (defeitos resultantes de compressão e outros fatores) surgem. Se exibirmos estas imagens em uma TV maior ou projetor, as falhas serão ainda mais evidentes. Apesar de muito mais eficiente que o MPEG-1 utilizado pelo velho VideoCD, o MPEG-4 foi desenvolvido para permitir o uso em dispositivos portáteis, como celulares e computadores de mão. Mas a qualidade ainda deixa a desejar, especialmente se você tem como parâmetro de qualidade um Home Theater montado, com tela grande. Não podemos deixar de lembrar que um possível novo formato de DVD com alta-definição poderá utilizar o MPEG-4, mas com profundas modificações. Entretanto, ainda estamos muito distantes de produtos reais, que só devem surgir daqui há alguns anos.
Além de poder criar DiVX a partir de seus próprios DVDs, também é possível obter filmes via Internet. Os meios são os mesmos em que obtemos MP3: softwares de compartilhamento de arquivos. A troca de filmes pela rede tem algumas dificuldades. O tamanho dos arquivos é uma delas. Como dissemos, um filme DiVX de duas horas ocupa cerca de 700 MB, que é o conteúdo de um CD completo. Através de conexões discadas seriam necessários vários dias para ?baixar? um filme. Uma conexão banda larga também não costuma ajudar muito, especialmente se a pessoa que disponibilizar o filme não possuir este tipo de acesso. A questão da qualidade também é crítica: como um CD-R armazena apenas 700 MB de informação, a compressão utilizada é grande e, é claro, é feita a partir de uma fonte já comprimida, que é o DVD. Com isto, a qualidade final tende a ser prejudicada, e não sobra espaço para os extras e para as trilhas sonoras presentes no DVD. Os usuários também costumam compartilhar arquivos nos formatos VCD e SVCD, porém a questão do espaço é a mesma e a qualidade, no formato VCD, é ainda pior.
A compatibilidade dos arquivos DiVX, que utilizam o MPEG-4, continua limitada aos microcomputadores. É possível conectá-los a Home Theaters utilizando ?video-cards? (placas de vídeo), porém, como dissemos anteriormente, a falta de qualidade do formato é evidente nas telas de maior dimensão. Os DVD players de mesa não lêem este tipo de arquivo e, com toda a certeza, a compatibilidade com arquivos MPEG-4/DiVX sequer é cogitada pelos fabricantes. Pelo menos, os grandes. Boa parte dos fabricantes é ligada aos grandes estúdios de Hollywood, de modo que a compatibilidade seria um grande incentivo a pirataria, que, aliás, já infesta as calçadas dos grandes centros brasileiros, especialmente Rio e São Paulo. Nestes locais, CDs de péssima qualidade são vendidos livremente como ?DVDs? por ambulantes, que raramente sofrem algum tipo de fiscalização.
Ao contrário do que acontece com o MP3, os estúdios não pensam em oferecer, pelo menos por enquanto, ?downloads? legais de filmes via Internet. Contra a pirataria, eles têm um grande trunfo: os filmes em DiVX são muito grandes e só podem ser executados em microcomputadores. Isso dificulta muito a pratica da pirataria. Ao contrário do MP3, que ?circula? com relativa facilidade pela Internet, o DiVX não é viável para a maioria dos usuários por este motivo. Além disso, como não existem players portáteis de DiVX, a execução está limitada aos micros. O DiVX ainda é utilizado por pessoas que desejam assistir seus DVDs em notebooks que não estão equipados com drives de DVD. Assim, eles onvertem seus DVDs para o formato e podem assisti-los em qualquer lugar. Também é bom lembrar que a conversão é extremamente demorada: Muitas horas são necessárias para ?ripar? o filme do DVD, descartar os extras, legendas e trilhas desnecessárias (por motivo de espaço) e, finalmente, comprimir o conteúdo com MPEG-4. E não é qualquer máquina que pode fazer isso: capacidade de processamento e muita memória são essenciais. E lembre-se: você não está autorizado a copiar filmes e distribuí-los por ai. Faça isso apenas com seus próprios vídeos, filmes caseiros e material que você tenha certeza que não é protegido pelas leis de direitos autorais.
O futuro dos filmes digitais via Internet é incerto, principalmente para nós, entusiastas do Home Theater. O enorme espaço ocupado pelos arquivos e as tecnologias de ?video-sob-demanda?, bem como PVRs, DVD graváveis e TV a cabo digital devem oferecer, legitimamente, filmes quando o usuário desejar. Apesar de muitas vezes não oferecerem cópias físicas dos filmes, o que não agrada muitas pessoas, estas tecnologias têm grandes chances de se tornarem bastante populares.
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