O QUE DIZER DA PRECISÃO DE RELÓGIOS ANTIGOS?
Vez por outra, ao navegar pela internet, acabo caindo em algum fórum de relógios antigos e mecânicos... acho impressionante a preocupação que algumas pessoa tem com a precisão dos relógios que possuem... é claro que a precisão extrema é algo bem desejado, mas muito difícil de ser alcançado... vi alguns relatos radicais de pessoas reclamando de relógios que atrasavam ou adiantavam 20 segundos por semana... é... das duas uma, ou essas pessoas são jovens e nunca usaram relógios à corda na época própria, ou só tiveram e tem relógios com excelentes máquinas, pois posso dizer que muitos relógios, mesmo quando novos, tinham lá o seu atraso ou adianto... é que naquela época não existia celular com hora via satélite, observatório, relógio atômico, enfim, não era tão fácil ter esse tipo de checagem , pois o ?ajuste? dos nosso relógios eram feitos com base nas horas ?dadas? pelo rádio ou TV, ou, ainda, pela consulta às demais pessoas... ?que horas são??... hahaha, era assim mesmo.... evidente que havia e há, até hoje, alguns relógios antigo, mesmo de marca desconhecida, com boas máquinas e muito boa precisão... inclusive mantendo-a nos dias atuais, sem nenhum tipo de ajuste ou revisão.
Outra preocupação exagerada é com a reserva de marcha, ou carga... sei que é muito legal tirar um relógio automático do pulso e no dia seguinte ver que ele não ?parou?, mas sei que até mesmo quando certos relógios eram novos, os donos tinha que dar corda de manhã e à noite, e, se fossem automáticos, tinham que dar umas balançadas no bicho, antes de ir dormir... é... isso em se tratando de alguns modelos na época em que forma lançados, imagine exigir coisa melhor agora, quando o relógio já está velho e cansadinho... por outro lado, há antigos relógios á corda e automático com excelente reserva, chegando a ficar mais de 2 dias trabalhando direto, sem carregamento de corda.
Enfim, antes de exigir precisão ?braba? de alguns ?mecânicos? usadinhos, há que se levar em conta vários fatores, a marca e a máquina utilizada, o fabricante do ebauche (calibre/máquina), as aprentes condições e ?quilometragem? da peça, enfim, vários fatores.
Creio que todos sabem, mas, vale lembrar que a ?corda? de um relógio é uma fita metálica enrolada em forma de bobina, que dá ?pressão? no mecanismo e faz o relógio trabalhar, pois bem, se essa fita perdeu um pouco de sua tensão, significa que esse relógio trabalhará por um tempo menor do que quando essa ?mola? era nova... há casos em que chegam a afetar a precisão do relógio, dada a pouca força que exercem.
Importante e curioso ressaltar, nesse momento, que alguns relógios que estavam parados podem não apresentar boa precisão nos primeiros dias que voltarem a ser utilizados, voltando a apresentar bom rendimento depois... isso se dá, por vezes, or conta da corda ter ficado muito tempo ?travada?, enrolada, enfim, ter ficado anos, décadas sem distender e estender... ah, incluam nesse caso, de relógios que melhoram com o uso, os parados, cujo óleo lubrificante engrossa, chegando até a ?rançar?, mas que com calor do pulso e uso freqüente, volta a apresentar bom desempenho.
Temos, também, que considerar o desgaste normal de alguns componentes, que podem influenciar na precisão, em especial aqueles que não são ?protegidos? pelos rubis... vemos muito disso em despertadores de cabeceira.
Outro fator a ser considerado antes de ?xingar? seu relógio, é que são máquinas e sofrem influência até mesmo da temperatura em que trabalham... vejam que existem óleos e óleos... tem o mais que comum número 10, muito bom, mas que não se compara a um óleo suíço, mas que também sofre os efeitos do tempo... vejam só quantos fatores... esse da temperatura (afeta mais os antigões), por exemplo (lembrem-se que existem relógios que exibem em suas máquinas a inscrição de que tem compensação de temperatura), pois é, a temperatura pode interferir no funcionamento, com a dilatação de peças em geral, tensão de mola do balanço (cabelo), afinando ou engrossando o lubrificante, etc, etc, então um relógio pode atrasar ou adiantar, nesse último caso, na maioria das vezes um relógio adianta por excesso de lubrificação, espeiral desregulada ou inadequada.
O estado da mola do balanço, tensão e alinhamento do cabelo, sujeira (microcrosta) nos rubis, tudo pode influenciar na precisão de um relógio, e, também, a posição de uso, por isso não se pode deixar um relógio trabalhando um ou dois dias em cima de uma bancada, em uma mesma posição, e dizer que ele está preciso (lembrem-se que existem muitos calibres que contém inscrições de que são ajustáveis em 3, 4, 5 ou 6 posições... algumas máquinas ganham, por isso, a condição de cronômetros), sendo assim, na minha opinião, o mínimo a se fazer para testar a precisão de um relógio é passar no vibrograph (maquininha para verificar relógio, possui uma fita, parecida bobina de calculadora, que emite um gráfico, tipo eletrocardiograma do relógio), seguido do efetivo uso do relógio por sete dias ininterruptos, pois aí se tem um razoável período de teste/observação com variação de temperatura e, principalmente, variação de posição de uso.
Prezados amigos, as guias que escrevo são frutos de anos de colecionismo e expressam tão somente minha opinião sobre os assuntos abordados, meu ponto de vista, portanto deixo bem claro que não sou nem pretendo ser o dono da verdade, tento apenas contribuir com meus pensamentos e dicas aos parceiros de site, colecionadores e admiradores de relógios antigos.
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