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Doce Primavera
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Atualizado em 01/08/2007

Annette percorria o calçadão de Avenue Fonteille em direção ao Bosque De?La Bonet, com sua graciosidade de sempre, seus olhos característicos, seus lábios singelos e seus longos cabelos loiros que arrebatavam olhares masculinos, sua presença era sempre agradável. Seus pais eram senhores de terras na região, sua família, Neveau, possuíam grande fortuna, propriedades e benfeitorias. Seu pai Deleon, era influente na política o que lhe rendeu cargos públicos, Tesoureiro da cidadela de Borbon por duas vezes e agora exercia a função de Administrador, sendo eleito com expressiva margem de votos. Ele sempre apoiou que annette fosse à Universidade, de tal modo que desde à sua infância havia à moldado para isso, agora annette cursava Direito pela Real Universidade de Borbon. As tardes de primavera eram bem aproveitadas, neste período Anette ligeiramente deixava os livros, vestia um casaco de pele, descia as escadarias do gran Edifício, localizado à duas quadras do Bosque De?La Bonet, percorria pela prace Angeline e alcançava a Avenue Fonteille, ruela com casario antigo de meados do século XVII, era coberta de pequenas pedras quadriculadas dispostas de tal forma a proporcionar um piso uniforme, levemente inclinada para a esquerda onde se localizava dois grandes bueiros por onde se escorriam as águas das chuvas de dezembro, por ali passava o bondinho que levava e trazia pessoas para o centro. Quando estava no bosque anette corria para as margens do lago Blanc para dar comida às aves aquáticas que habitavam ali, era uma rotina de todas as tardes, excetos sábados e domingos, passava horas com a natureza, isto a deixava mais disposta ao ir para casa. Possuía uma vida regada de luxuria, nada lhe faltava, as melhores roupas dos mais famosos estilistas, os mais belos calçados, os mais cheirosos perfumes, tudo lhe era muito acessível. Comumente era chamada para discursar na Academia de Torino, cidade próxima, estes convite partiam de membros da burguesia em envelopes tipografados, com o lastro do brasão de ventura cravado em cera. Com entusiasmo nunca deixava de participar das reuniões de Torino, lá se discutiam assuntos importantes para manutenção dos padrões burgueses e da aplicação do capital, além de temas jurídicos e humanistas. Os representantes da elite burguesa a recebia com toda a atenção, pois é claro que a filha de Deleon Neveau, tinha passe livre e era aguardada por todos nas reuniões, seus pensamentos e seus conselhos jurídicos ajudavam à todos, na formação de uma decisão, o conselho era convocado exatamente de seis em meses, la estavam, estudantes, advogados, médicos, administradores, senhores de terras e senhores de homens. Aos sábados como já era de costume ia para o platô da família, próximo a região de Cadri, Nance, coxeiro da família à 40 anos ia apanha-la pontualmente ao meio dia no gran edificio, dali partiam por entre o casario antigo de Borbon, durante a viagem iam conversando por horas, até chegarem à estrada de ferro que ligava o interior ao porto Haber, sendo o principal meio de escoamento da produção de trufas, frutas e grãos, sempre que chegava Nance conduzia a carruagem rapidamente para evitar colisão com alguma locomotiva passasse por ali, ao atravessar a estrada bifurcava, as terras de Deleon ficavam para a direita por onde seguiam por mais alguns minutos até chegarem a um riacho com uma velha ponte de pedra próxima de um moinho abandonado, onde na infância ela brincara muito. Nance era um velho de aproximadamente sessenta anos de idade, de pele escura sempre trabalhou para Lorde Cesar De Neveau, sua família vivia em suas terras produzindo trigo em um pequeno espaço cedido, no final da colheita uma parte da produção era recolhida para César como soldo pelo uso da propriedade. Desde criança Nance chamava muita a atenção de Lorde César por ser uma criança muito forte, trabalhadora, a cor da pele não influenciava, pois sua avó Lady Hevan De Neveau era de cor escura de origem do Marrocos, com o tempo Nance cresceu e Lorde César resolveu contrata-lo como coxeiro por duzentos Francos, sempre muito educado começou à servi-los com orgulho, a família Neveau o tratava como um parente. E foi ali que Nance construiu sua vida, teve filhos e a pouco netos vigorosos que ajudavam nos campos de trigo. Foi com Nance que Annette aprendeu à cavalgar, em um potro de pelagem branca. Quando estavam chegando ao platô eram avistados de longe e logo Lady Catarinne ia recepciona-la, dava-lhe um abraço apertado e seguiam juntos para o andar de cima onde ficavam os aposentos, enquanto isso Nance levava a carruagem ao seu devido lugar, o quarto de Annete era digno de uma princesa, cheio de almofadas com detalhes dourados, tapetes persas, móveis em madeira de lei, muitos quadros de pintores famosos e uma escultura de um escultor do norte de Nápoles. No banheiro uma pomposa banheira de mármore com adornos importados de Marselle, essências e corantes de Luxemburgo e piso e paredes revestidos de azulejos de Coimbra. Catarinne era filha de imigrantes de Viena que ousaram atravessar a fronteira na busca de sustento durante a grande guerra de Notreval que assolou a região, vieram com toda sua fortuna, compraram propriedades, fizeram amigos e história até encontrarem a família Neveau onde uniram suas terras e fortunas após o casamento de Deleon e Catarinne. Os jantares eram sempre gloriosos, muita massa, carnes, verduras e algumas frutas ou doces de sobremesa, regados a um bom vinho do porto, sentavam-se à mesa rigidamente do mesmo modo, Lorde Deleon na ponta, Lady Catarinne em seu lado direito e Annette em seu lado esquerdo. Ao fim da ceia sentavam confortavelmente nas almofadas de Bhremen no grande salão oval, e passavam alguns momentos conversando, até que chegava a hora de dormir. Nos domingos logo pela manhã Anette despertava para sentir a leve brisa que entrava pela janela, tomava um banho e descia para tomar o café da manhã, após saiam de carruagem até a capela perto dali para rezarem à Saint Clair. Após o almoço, despedia-se e seguia em retorno à Borbon com Nance. (........) PAULO HENRIQUE DE SOUSA

Palavras-chave: Doce | Primavera | Gloriosos | Terras | Fortuna
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