A dúvida sobre o que colecionar, como colecionar e em quanto tempo concluirei minha coleção...Creio que estas dúvidas já devem ter pairado na cabeça de todos os colecionadores.
Todas as vezes que retomava à minhas coleções depois de um tempo de afastamento das mesmas, tinha um desejo enorme de tocar em frente e acabava investindo muito, mesmo sabendo das limitações que muitas das vezes dificultam vc concluir o seu intento.
Hoje eu lhe daria um conselho voltado na minha experiencia: Tenha calma !!!
Mesmo que vc julgue impossível completar sua coleção, pense que o prazer de colecionar está em vc garimpar, procurar e ter a satisfação de encontrar o tão desejado selo. É como uma viagem, o bom da viagem na grande maioria das vezes está no percurso, quando vc chega ao destino, todo a sua expectativa terminou, e daí ?!
Tenho algumas coleções que demoram, se arrastam, mas elas continuam ali do meu lado. Cada selo colocado no espaço vazio é como uma vitória. Já pensou, que ânimo e motivação terei depois de completá-las e guardá-las em "lindos" álbuns ?!...por certo terão como destino um lugar na prateleira de minha estante..apenas isso !
Aproveito para enviar abaixo um poema de Drummond que fala algo parecido com o que tratamos aqui.
Abraços,
Regina Lucena
PRAZER FILATÉLICO
Colecione selos e viaje neles
por Luxemburgos, Índias, Quênia-Ugandas.
Com Pedr'Álvares Cabral e Wandenkolk,
aprenda História do Brasil, Colecione.
Mas sem dinheiro ?
Devaste os envelopes da família.
Remexa nas gavetas. Há barbosas
efigies imperiais à sua espera.
Mortiças cartas guardam peças raras.
Tudo vasculhe. Um dia
arregalado à sua frente há de luzir
em arabescado fundo negro
o diamante, o sonho, a maravilha
chamada olho-de-boí
60.
Troque. Vá trocando, Passe a perna,
se possível. Senão, seja enganado
mas acrescente sua coleção
de postas magiares, moçambiques,
osterreiches, japões, e seu prestigio
há de aumentar: o baita
colecionador da rua principal.
E brigue, boca e braço,
ao lhe negarem esta condição.
Até que chegue o tédio de possuir,
a tentação do fósforo e do vento,
o gosto de perder a coleção
para outra vez, daqui a um mês,
recomeçar, humílimo, menor
colecionador da rua principal.
(Carlos Drummond de Andrade) |