O DVD-Audio, o novo formato de gravação/reprodução
musical derivado do DVD, foi concebido junto com o DVD-Video, nome original
do formato que hoje é desejado em todo o mundo e que aos poucos
vai revolucionando os hábitos dos consumidores. O DVD Forum, formado
pelos principais fabricantes para estudar as especificações
e o impacto do formato, criou uma comissão denominada WG-4 (DVD-Audio
Working Group), encarregada de estabelecer as normas específicas
de áudio. Ao mesmo tempo, gravadoras, músicos e profissionais
de áudio criaram o ISC (International Steering Committee), para
acompanhar os estudos.
Mas, desde o início, todos sabiam
que seria complicado colocar num disco memória suficiente para abrigar
tantas informações de vídeo como se exige de um DVD
- e no mesmo disco acrescentar tantas informações de áudio
que pudessem deixar na poeira o CD. E é exatamente disso que se
trata: com a evolução que o CD vem experimentando (vide o
exemplo HDCD), fica cada vez mais difícil lançar um formato
que o supere em termos de desempenho, confiabilidade e facilidade de operação.
Sony e Philips, que detêm boa parte
das patentes hoje utilizadas, vêm investindo milhões em pesquisas
no formato que batizaram de Super Audio CD (SACD), ou simplesmente Super-CD.
O nome foi escolhido a dedo para ser apresentado como "substituto" do CD.
Do outro lado do muro, um grupo de fabricantes liderados por Pioneer, Toshiba
e Matsushita (Panasonic) decidiu investir pesado no que se convencionou
chamar de DVD-Audio. Seu grande mérito seria dar continuidade à
evolução natural do DVD-Video, com todas as suas qualidades
e, se possível, nenhum dos seus defeitos (o mais comentado destes
é a qualidade apenas razoável da reprodução
musical, que para muitos experts perde do CD).
Na prática, há poucas diferenças
entre DVD-Audio e Super-CD, mas por algum motivo não explicado
a indústria se dividiu - o que prejudica o consumidor e, por conseqüência,
a própria indústria. Repete-se assim o episódio do
lançamento do videocassete, quase 20 anos atrás, quando a
Sony resolveu bancar (sozinha) o formato Betamax e acabou superada pelo
VHS. Estranho é que o DVD Forum foi formado, anos atrás,
justamente para unificar as diversas pesquisas sobre o formato e padronizar
suas especificações.
Como fica o consumidor, diante desse impasse?
Bem, a primeira advertência dos especialistas é que ninguém
deve se entusiasmar demais com as exibições feitas até
agora dos dois formatos. Tudo que se viu até hoje, em feiras e pequenas
convenções, foram protótipos que podem muito bem ser
modificados até seu lançamento comercial. As demonstrações
que vimos do DVD-Audio realmente impressionaram, mas não a ponto
de se pensar no "fim do CD", como alguns previram (esse fim, pelo visto,
está longe).
O segundo aspecto destacado pelos experts
- e aí há consenso entre os fabricantes - é o de que
todo cuidado é pouco no lançamento de mais um formato. Uma
decisão já tomada é que, qualquer que seja ele, terá
que ser compatível com o DVD-Video, ou seja, os novos discos precisarão
tocar nos players atuais - tanto os de mesa como os drives do tipo DVD-ROM.
Os players DVD-Audio deverão também aceitar os CDs que todo
mundo tem em casa - sob risco de condenar a novidade à aposentadoria
precoce.
E quando será o tão aguardado
lançamento? As bolas de cristal da indústria parecem um pouco
embaçadas nesse ponto. Depois das demonstrações feitas
no final de 98 e início de 99, os fabricantes (dos dois lados) resolveram
retomar as discussões. Agora, as previsões mais otimistas
são de que japoneses e americanos poderão comprar seus players
no final do ano. Antes, porém, deverá acontecer mais uma
tentativa de unificar os padrões e concentrar forças num
único formato. Denon e Yamaha, por exemplo, recusam-se a optar por
este ou aquele; lutam para que haja uma padronização. Na
Feira de Tóquio, em outubro de 98, a Denon chegou a exibir um player
dual, que toca os dois tipos de disco. Se não houver acordo entre
os demais fabricantes, pode estar aí a solução.
COMO SABER QUAL É O MELHOR?
DVD-Audio e Super-CD são dois nomes
diferentes para quase a mesma coisa: ambos são sistemas de gravação/reprodução
digital de áudio e pretendem substituir o CD. Os dois tipos de disco
são muito semelhantes aos CDs, só que com memória
de 4.7Gb, ou sete vezes um CD. Com um detalhe: como os DVD-Video, esses
discos poderão ter camada dupla, o que significa dobrar sua capacidade.
Os produtores de software poderão lançar, por exemplo, um
título com duas trilhas de áudio: uma em estéreo na
camada normal e outra, em 6 canais, na segunda camada, que pode ser de
alta densidade.
Graças a sua memória, os
novos discos poderão incluir também milhares de informações
sobre cada música (em texto) e até mesmo imagens (paradas
ou em movimento). Sabe-se, por exemplo, que haverá uma trilha sonora
básica, em estéreo PCM, e diversas opções para
reprodução multicanais, de acordo com a freqüência
de amostragem (sampling frequency) e a velocidade de processamento.
Os melhores DVD players atuais trabalham
na freqüência de 96KHz, velocidade de 24bits (nos CDs, 44.1KHz/16bits).
Com o DVD-Audio, chega-se facilmente a 192KHz, mas os fabricantes querem
deixar aberta a possibilidade de o produtor do software escolher entre
seis freqüências diferentes (também 44.1, 48, 88 ou 176KHz),
em 16, 20 ou 24bits. Seriam, portanto, 18 opções de gravação.
Com uma vantagem adicional: será possível ter freqüências
distintas nos canais frontais e nos traseiros, aumentando incrivelmente
as possibilidades para músicos e engenheiros de gravação.
Já os idealizadores do Super-CD prometem uma freqüência
de amostragem absurda, de 2.8224MHz, ou 64 vezes aquela do CD normal (44.1KHz).
Os tempos de duração de cada
disco também serão bastante ampliados, com a adoção
do formato dual-layer (camada dupla). Os players terão dois feixes
de laser, um para cada camada. Ao lançar um título, a gravadora
poderá optar por uma ou duas camadas, em 2, 3, 4, 5 ou 6 canais;
conforme essa opção, o conteúdo do disco poderá
ser estendido. Logicamente, para cada acréscimo na qualidade perde-se
na memória disponível: uma trilha de 192KHz a 24bits terá
apenas 64 minutos no DVD-Audio.
Essa evolução só está
sendo possível graças aos sistemas de compressão digital
que - a exemplo do que acontece no cinema, com o Dolby Digital e o DTS
- estão revolucionando a indústria musical. Para que se tenha
discos DVD-Audio com pelo menos o mesmo tempo de duração
de um CD (74 minutos), os fabricantes sabem que só será possível
oferecer uma qualidade superior comprimindo o sinal.
O método de compressão escolhido
para o DVD-Audio foi o chamado MLP (Meridian Lossless Packing), desenvolvido
pela empresa inglesa Meridian, famosa por seus processadores e sistemas
de áudio controlados via software de computador. Ao contrário
do DTS e do Dolby Digital, que comprimem o sinal eliminando suas partes
inaudíveis, o MLP preserva integralmente o sinal original.
No Super-CD, optou-se por um processo chamado
DSD (Direct Stream Digital), que segundo Sony e Philips elimina as perdas
das gravações, conseguindo preservar uma quantidade muito
maior de informação no sinal original. No processo atual,
o sinal gravado sofre perdas ao ser convertido e filtrado; o sistema DSD
substituiria filtros e conversores.
* especificações
sobre os formatos DVD-Audio e Super-CD na edição de junho/99
da revista HOME THEATER.
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