Em 1985, a Sony e a Philips se uniram
para lançar sua maravilha digital conhecida como compact disc (CD).
Logo depois, milhões de pessoas no mundo inteiro começaram
a se livrar de suas grandes coleções de LPs de vinil em favor
da "perfeição digital" oferecida por essas novas e brilhantes
maravilhas de 5 polegadas.
Apesar dos preços dos CDs
serem relativamente altos, e as primeiras gravações digitais
e remasterizações terem som pobre, o CD não só
sobreviveu como explodiu. Por que será que os consumidores aceitaram
tão depressa uma mídia que era inferior (e alguns diriam
que ainda é), e por que o DVD-Audio não pode ter a mesma
sorte?
O consumidor médio viu o
CD como uma significativa melhoria em relação ao LP - os
discos eram relativamente imunes ao mau uso, e como não havia contato
físico entre a superfície do disco e o mecanismo de leitura
simplesmente não havia ruídos ou riscos. Outra vantagem do
CD era a conveniência, já que os discos não exigiam
manutenção e podiam ser tocados em pequenos players portáteis
ou de carro. Além disso, os CDs eram mais atraentes visualmente
e tecnologicamente do que aquela invenção de Thomas Edison
que já fazia 100 anos.
Embora os audiófilos recusassem
a inferioridade sônica do CD, a maioria dos consumidores aderiram
aos prazeres da nova mídia. A única desvantagem era que um
belo investimento seria necessário, em software e hardware, para
usufruir do CD. Mesmo assim, aos poucos as pessoas começaram a fazer
o investimento e a migrar suas coleções de gravações
do analógico para o digital. Os consumidores e os fabricantes de
equipamentos estavam felizes, e as gravadoras extasiadas com o CD revitalizando
uma indústria que andava em baixa naqueles anos 80.
Avançando a fita para 1997:
o DVD-Video é uma realidade comercial, com o DVD-Audio no horizonte.
Será que as vantagens do DVD sobre o CD dão aos consumidores
o necessário estímulo para fazer do DVD-Audio um sucesso
comercial? Se o CD tinha diversas vantagens atraentes sobre o LP, será
que o mesmo pode ser dito do DVD-Audio quando comparado ao CD? Quais são
os principais benefícios do DVD?
A maior capacidade de armazenamento de
um disco DVD significa que esse disco tem potencial para conter mais música
do que seu correspondente em CD. Infelizmente, considerando que as gravadoras
raramente chegam sequer perto de utilizar os quase 80 minutos de capacidade
de um CD, pode-se perguntar se elas irão utilizar melhor o DVD.
Se um disco DVD tem potencial para
conter mais música gravada, espera-se que essa maior capacidade
seja usada para armazenar dados digitais com resolução significativamente
maior do que aquela oferecida pelo CD. Se as preces dos audiófilos
forem ouvidas, o DVD-Audio deverá corrigir as muitas falhas sônicas
do padrão 16 bits/44.1KHz que a Sony e a Philips estabeleceram,
com um novo padrão de 24 bits e taxa de amostragem de 96KHz.
Embora a perspectiva de áudio
digital com 24 bit/96kHz seja animadora para o fã de áudio,
a questão é: será que a grande quantidade de consumidores
que ouvem música em sistemas baratos ou aparelhos portáteis
se preocupa com isso? A maioria das pessoas que conheço nessa categoria
estão plenamente satisfeitas com o som dos CDs e não precisam,
ou não querem, mais um formato digital prometendo melhor som.
Outro importante obstáculo
potencial para o sucesso dos discos DVD-Audio pode ser sua incompatibilidade
com os atuais equipamentos de CD. A geração atual de DVD
players admite totalmente a reprodução de CDs do padrão
original, mas ainda não está claro se o disco DVD-Audio será
compatível com os CD players convencionais. Sem esse nível
de compatibilidade, os discos DVD-Audio podem simplesmente mofar nas prateleiras
das lojas, enquanto os consumidores se recusarem a investir em equipamento
para tocá-los. Claro, isso assumindo que os discos estejam mesmo
nas prateleiras! Mas, considerando a enorme base instalada de equipamentos
para reprodução de CD e a falta de espaço para estoques
duplos, será que há estímulo suficiente para os revendedores
estocarem discos DVD-Audio?
A solução para o problema
da compatibilidade está claramente na especificação
de um disco DVD de duas camadas - uma camada contendo dados codificados
de DVD e outra contendo dados de acordo com o padrão CD. Um disco
desses permitiria aos lojistas estocar um único disco que satisfizesse
as exigências tanto dos consumidores de CD como de DVD, e permitiria
também aos consumidores comprar os novos discos sem ter que aposentar
seu equipamento atual. Embora um disco de duas camadas esteja em cogitação
na indústria, ainda não se sabe se os executivos concordam
que a compatibilidade com equipamentos de CD é crucial para o sucesso
do DVD-Audio.
Os audiófilos vêm sofrendo
há tempos por causa da amplitude e da taxa de amostragem inadequadas
do padrão CD, ditadas pela tecnologia dos anos 80. Com uma especificação
apropriada de um "superdisco" DVD-Audio, oferecendo amplitude de 24bits
e amostragem de 96KHz, poderemos ter em breve um disco de áudio
digital que cumpra as promessas feitas por Sony e Philips há mais
de uma década.
Infelizmente, o fato de que o consumidor
médio simplesmente não teria o que fazer com um disco desses
me deixa em dúvida sobre seu sucesso comercial. Essas dúvidas
poderiam ser eliminadas, no entanto, com a especificação
de um disco que ofereça compatibilidade bi-direcional com o atual
padrão CD. Isso permitiria aos revendedores manter um único
estoque de discos para reprodução tanto em equipamento de
CD como de DVD. E permitiria aos consumidores comprar discos compatíveis
tanto com o formato atual como com o futuro.
Se a compatibilidade com os equipamentos
atuais não for parte das especificações do DVD-Audio,
então os discos DVD-Audio poderão simplesmente se transformar
num produto elitizado, um nicho de mercado, produzido apenas por gravadoras
especializadas para consumidores audiófilos. Isso sem dúvida
resultaria numa limitação da oferta de títulos. Só
podemos esperar que os executivos da indústria enxerguem a luz e
finalmente nos dêem uma mídia comercialmente viável
com potencial para uma sonoridade superior. Só podemos esperar para
ver.
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