Os DVD players Hi-End irão forçar a adoção de saídas de
vídeo digital como padrão?
Explorando uma brecha nos padrões definidos pelo DVD Forum, um punhado de
fabricantes de
equipamentos de A/V Hi-End está apresentando ou vendendo DVD players que
permitem a saída digital direta de vídeo para um display de plasma ou projetor
D-ILA ou DLP. Para serem DVD players oficiais, o fabricante tem que pagar uma
licença que permite fabricar o aparelho com este tipo de saída de vídeo. A
existência de saídas digitais de vídeo são violações destas regras, e podem fazer
com que estes fabricantes estejam sujeitos a penas de até cem mil dólares por
unidade vendida.
Estas empresas contornam as regras
adquirindo transportes de DVD OEM de outras companhias e passam a utilizar suas
marcas nos produtos. Como estas empresas não concordaram com os acordos firmados
em relação as saídas digitais, tecnicamente não estariam sujeitas a punição.
Os efeitos da remoção de até quatro etapas de
conversão analógico-digital entre um DVD player (a fonte digital) e uma TV
digital é impressionante. Uma demonstração realizada pela Accurate Imaging
durante a CEDIA deste ano apresentou as vantagens deste tipo de conexão, utilizando
um disco qualquer e um DVD player da marca. A imagem mostrou-se
consideravelmente superior que a obtida por um DVD convencional, que utiliza as
conversões A/D e D/A necessárias aos displays tradicionais.
Os detentores dos direitos autorais encontrados nos DVDs, ou seja, os estúdios
de Hollywood, não estão satisfeitos. Existem atualmente duas tecnologias de
transmissão de vídeo digital sendo intensamente discutidas: DVI e Firewire
(1394). Nenhuma delas é autorizada pelos fabricantes de aparelhos ou estúdios.
Porém, estas empresas parecem não querer esperar pelos padrões de uma conexão
mais simples, ainda que de qualidade muito superior.
(N. do T.: O padrão Firewire foi definido como padrão
para transmissão de áudio digital multicanal (DVD-A) pelo DVD Fórum e também
pelos detentores do SACD.)
O que acontece depois? Os estúdios podem
processar estes fabricantes ou tentar alcançar as empresas que fabricam os
produtos OEM. Eles podem aprender a lição com a DirecTV, por exemplo: ela
ignorou por um longo período os usuários que furtavam seus sinais através da
utilização dos chamados H-Cards, que permitem assistir todo e qualquer canal
via satélite. Então a DirecTV trocou todos os cartões dos usuários pelos modelos
HU, mais difícil de burlar. Alguns ladrões via satélite mais fanáticos
compraram PCs completos para emular os cartões HU de modo que pudessem
continuar roubando os sinais. Mas a maioria estava tão ligada nos canais que
simplesmente passaram a pagar pela assinatura que os abastecesse com os mesmos canais que
antes eram assistidos de graça.
Nenhum entusiasta de A/V racional discorda com a premissa de que os estúdios de
cinema tem o direito de proteger seu material da pirataria crescente. E estes
até concordam que os consumidores devem poder possuir cópias dos DVDs que
compram legitimamente. Os estúdios temem principalmente a cópia de seus filmes
fora do território norte-americano. A pirataria, principalmente, acabará
tornando-se a principal razão para que os padrões de vídeo digital sejam
oficializados por Hollywood e os fabricantes. Estes poderão obter lucros extras
neste período de incremento de vendas de A/V.
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