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Eleição 2006: tecnologia além da urna eletrônica
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Atualizado em 25/09/2008

processo eleitoral no País é totalmente informatizado e atualmente há 430 mil urnas eletrônicas à disposição de 125 milhões de eleitores. A votação é apenas a ponta de um verdadeiro emaranhado de bits e bytes que não pára de funcionar. "É um processo contínuo. Logo após o processo eleitoral, temos reunião de avaliação e analisamos cada etapa do evento", conta o secretário de TI do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Giuseppe Dutra Janino.

Ao todo, o TSE tem 200 funcionários da área de tecnologia e cada um dos 27 TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), em média, 50. Esses profissionais respondem não só pelas urnas eletrônicas - estrelas da eleição -, mas também pelo desenvolvimento de sistemas que verificam o cadastro de eleitores, apuração e divulgação de resultados.

"O trabalho desses profissionais começa na centralização do cadastro eleitoral, que é único e que tem vários processos de depuração para garantir a integridade dos dados; e passa pelo desenvovilmento de sistemas que identificam desde o cadastro eleitoral e fazem a divulgação dos resultados. Temos também um foco bastante imporante na questão da segurança, e na transparência do processo, para garantir a credibilidade junto ao eleitor", explica Janino.

Os funcionários do TSE e dos TREs também são responsáveis pelo desenvolvimento de melhorias nos sistemas com o objetivo de tornar os processos mais ágeis, econômicos e simples. O processo eleitoral também envolve mão-de-obra especializada especificamente para áreas como criptografia e segurança.

Quatro milhões de dados em 5 horas

No dia da votação - considerando o 1º e o 2º turnos -, ao longo das cerca de cinco horas de apuração, são transmitidos em média quatro milhões de dados para o TSE ou para os TREs - estes tribunais consolidam  informações sobre candidados regionais e enviam dados da votação para presidente ao TSE, que junta essas informações.

Cada urna transmite cinco arquivos de 5 kb em média. Ao todo são enviados mais de 21,5 MB ao longo da apuração, o equivalente a cerca de quatro músicas. "O tamanho total dos arquivos é até pequeno, o volume está na quantidade, até porque os arquivos têm tamanho pequeno por uma questão estratégica, prevendo-se que eles possam ser enviados em baixas velocidades", explica o secretário.

Em regiões afastadas de centros urbanos, principalmente no Norte do Brasil, é onde o TSE aplica mais recursos tecnológicos durante a eleição. Em áreas dos estados do Acre, Amazonas, Pará, Roraima e Amapá, por exemplo, a transmissão de dados é via satélite. "O acesso a algumas regiões é difícil e por isso mesmo é lá onde aplicamos mais tecnologia. No interior, é uma cena bastante comum ver um técnico transmitindo dados via satélite com um laptop dentro de uma canoa", conta Janino.

De acordo com o secretário, mesmo vivendo em áreas tão distantes dos grandes centros, esses eleitores não têm dificuldade em utilizar a urna eletrônica. Segundo Janino, a urna foi planejada para que seu uso seja intuitivo. O teclado, por exemplo, tem o mesmo formato do utilizado em telefones públicos. "O analfabeto ou pessoas com baixo nível cultural têm contato com o orelhão e além disso a urna mostra a foto do candidato antes do eleitor confirmar o voto. Isso permite que todas as pessoas possam exercer sua vontade. O índio também vota sem problemas", garante Janino.

Como é a transmissão de dados?

As urnas não têm ligação com outros equipamentos via rede, como forma de garantir a segurança dos dados e a idoneidade dos resultados da votação. Elas têm memória flash onde os dados são armazenados. "A urna é totalmente lacrada fisicamente. Você não consegue acessar a memória flash e se mexer no equipamento enquanto ele estiver fucionando, ele pára", explica o secretário.

Ao fim da votação, cada urna consolida o resultado por seção. Os fiscais do TSE imprimem o boletim de urna, que é afixado à porta da seção eleitoral e gravam o documento em disquete, que é criptografado e assinado digitalmente. O arquivo, então, é transmitido pela reda da justiça eleitoral para o TRE ou TSE e, ao receber os dados, o próprio sistema identifica se eles referem-se a uma urna oficial. "Este é o primeiro dispositivo de segurança do processo de transmissão", afirma Janino.

Depois, o sistema verifica a assinatura digital do arquivo e checa a chave-pública da urna. Em seguida, ele decifra (descriptografa) a informação e analisa o conteúdo para verificar se ele é coerente. "Ele busca alguns indícios que podem indicar fraude, como uma seção eleitoral com 100% de presença", exemplifica o secretário. Só então os resultados começam a ser somados e divulgados. A meta do TSE é que 90% dos votos estejam apurados até a meia-noite do dia da votação.

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Palavras-chave: Eleicao | 2006 | Tecnologia | Alem | Da
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