As baterias recarregáveis de níquel-cádmio (NiCd) e de níquel-metal-Hidreto (NiMH) são as mais comuns usadas em modelismo radiocontrolado. São, na verdade, como gêneros de primeira necessidade. São baratas e extremamente confiáveis. Sem elas, nada seria possível fazer. Cuidar dessas baterias, portanto, é tão importante quanto tê-las. A seguir iremos ilustrar uma seria de informações sobre o funcionamento das baterias, para que possa tomar os devidos cuidados para garantir a longevidade das mesmas.
MICROUSINA ELÉTRICA
Imagine uma microusina hidrelétrica composta por dois baldes d'água, um, cheio, sobre uma mesa, outro, vazio, no chão. Você pode tirar proveito da força da gravidade para fazer a água do balde mais alto escoar para o balde no chão e, na queda, aproveitar o fluxo para fazer girar um dínamo e produzir eletricidade. Ao se esgotar a água, acaba a eletricidade. A menos que você recarregue com mais água o balde sobre a mesa e repita o processo.
Uma bateria é como uma microusina desse tipo, só que sua força motriz não é a gravidade, mas sim as tensões elétricas entre moléculas de substâncias diferentes: umas puxam elétrons, outras empurram, de modo que se estabelece um fluxo de carga. Essa corrente elétrica dura enquanto houver um desequilíbrio eletroquímico, o equivalente à diferença de altitude entre os dois baldes de água.
DESEQUILÍBRIO ELETROQUÍMICO
As baterias de NiCd e NiMH são interessantes porque permitem restabelecer o desequilíbrio eletroquímico entre seus dois constituintes básicos quantas vez se quiser, assim como se pode reencher seguidamente de água o balde mais alto. Entretanto, a química desses apetrechos é caprichosa e cobra impostos à granel. Exige ambiente saudável e temperatura amena e libera calor durante a carga e a descarga, de modo que as células podem se superaquecer e se estragar se não houver ventilação. Em temperatura muito baixa, as células ficam, digamos, com preguiça e adormecem. Há ainda outras frescuras: seus componentes são sólidos, o que torna mais difícil restabelecer o desequilíbrio eletroquímico do qual elas dependem. Líquidos em geral são quimicamente mais promíscuos e aceitam com poucas reclamações que se façam dentro deles arranjos e rearranjos moleculares que permitem e facilitam as idas e vindas de elétrons.
Para se ter uma idéia das dificuldades impostas pelo estado sólido dos componentes de uma bateria, considere um exemplo intermediário. Imagine se a nossa microusina cita acima, em vez de hidrelétrica, fosse ?gosmaelétrica?, ou seja, movida por um fluido não em estado líquido, mas sim pastoso e grudento, como uma gosma viscosa que se solidifica caso permaneça em repouso por algum tempo. Pois o que acontece com as baterias de NiCd e NiMH é mais ou menos isso.
Dificilmente você usa toda a carga disponível em um pack. Sempre sobra pelo menos um pouco de carga ao voltar da pista. Essa parte da carga não consumida corresponde a um certo potencial eletroquímico que tende a se ?solidificar?, ou melhor, a se anular por desuso. Recorrendo à analogia com a hipotética gosma da nossa microusina: solidificada, ela não pode escoar e, portanto, é incapaz de gerar energia.
EFEITO MEMÓRIA
Em outras palavras, se hoje seu pack de NiCd e NiMH tem a capacidade de fornecer energia elétrica em uma quantidade que corresponde, digamos, a um índice igual a 100, mas você só usa o correspondente a 70% desse total, os 30% restantes tendem a se extinguir na prática. Com o tempo, o pack não poderá mais fornecer a energia total que, antes, correspondia à carga máxima. Desse modo, o nosso hipotético índice 100 para a carga máxima indicará efetivamente o que corresponde a apenas 70% ? ou menos! ? do total. Os espertos no assunto chamam isso de ?efeito memória?.
As baterias de NiCd e NiMH ?lembram? que você não usa toda a carga, mas só 60%, 70% ou 80% etc. dela e estabelece por conta própria um outro referencial para o que será a carga máxima. Então, um dia, você pensa que ainda tem meia hora de vôo, mas tem só 15 minutos. E se estrepa! Por isso, se diz que usar com freqüência as baterias de NiCd e NiMH lhes dá mais saúde do que deixá-las guardadas. E é justamente aqui que entram em cena os cicladores.
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* Guia extraido por material fornecido pela Vento Solar Editora Ltda. |