
A razão pela qual praticamente todas as imagens projetadas são mais largas do que altas tem a ver com a configuração dos nossos olhos (lado a lado). Parece perfeitamente natural que os produtores de imagem enquadrem as cenas horizontalmente. No entanto, embora a fotografia já tivesse sido estabelecida bem antes, os formatos de produção de filmes só foram padronizados no início do século 20, quando o formato 35mm era aceito como padrão tanto nos EUA quanto na Europa. As imagens eram enquadradas à razão de 4 para 3 (largura para altura), e esse formato, adotado em 1927 pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Holywood, tornou-se o ?padrão da Academia?. Cada quadro media 0,825? de largura por 0,6? de altura.
Mas, como as imagens de TV adquiriram seu formato? Uma boa forma de expressar a chamada ?relação de aspecto? acabou sendo estabelecer o quociente entre largura e altura. Assim, 4 dividido por 3 = 1,33. Desde que 1,33 passou a ser a relação de aspecto dos filmes, os designers dos primeiros televisores, nos anos 40, imaginaram que se esses aparelhos mantivessem a mesma proporção poderiam reproduzir filmes sem perda no enquadramento. Também é verdade que quando os empresários de televisão decidiram que sua largura de banda não poderia ser maior do que 6MHz e que sua resolução vertical teria que ser de pelo menos 525 linhas, surgiu algo bem próximo de 1,33 dos cálculos relativos ao tamanho da tela. Finalmente, esse formato quase ?quadrado? serviu também para minimizar a desvantagem da TV em relação ao cinema, em termos de largura de banda e de resolução. Considerando que certos detalhes da imagem praticamente despareciam nas tomadas mais largas, os programas de TV tinham que ser filmados como seqüências de múltiplos closes, ou ângulos mais próximos; dessa forma, detalhes dos objetos ainda podiam ser vistos, mesmo com menor resolução.
Notem que a gênesis do 4:3 nada tinha a ver com o prazer visual que as imagens poderiam proporcionar. De fato, nada existe de atraente em imagens 4:3 fora das limitações do tubo de TV. Por isso é que a indústria cinematográfica, que a princípio encarou a TV como ameaça aos seus lucros, apressou-se em desenvolver uma série de formatos largos e panorâmicos, como Cinerama (2.76:1), CinemaScope (2.35:1), 70mm (2.05:1) e o atual Panavision (1.85:1) ? conhecido como ?letterbox?.
Todos esses formatos widescreen são uma aproximação melhor do campo visual do olho humano do que aquela caixa quadrada que chamamos de televisão. Além disso, a melhor resolução dos filmes e o enquadramento mais largo preservam os detalhes da imagem, permitindo aquelas cenas em que dois atores conversam entre si na mesma tela. Essa técnica praticamente não existia na produção de TV.
Apesar dos avanços dos displays que utilizam resolução de computador, sua relação de aspecto permaneceu em 4:3 ? com apenas uma exceção: o formato workstation, que tem proporção de 1.280x1.024, ou 5:4 (1.25:1). Esse formato era mais quadrado que o 4:3 e foi criado originalmente para aplicações de engenharia, como CAD/CAM. Um formato menos retangular como esse 5:4 era considerado melhor para o trabalho de design.
O formato 4:3 foi escolhido para computadores por uma simples razão: a tecnologia de projeção já o utilizava na época. Computadores pessoais vieram cerca de 35 anos depois da televisão, mas o tubo de raios catódicos (CRT) dos monitores era virtualmente idêntico ao dos TVs (as diferenças eram apenas eletrônicas). Em vez de encarar o custo de produzir novos CRTs, os pioneiros da indústria tiveram a sábia idéia de preservar o formato 4:3.
* O autor é diretor da Da-Lite, fabricante de telas de projeção, e consultor da ICIA (International Communications Industry Association)
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