
Enquanto outras empresas oferecem e-mail gratuito, ele cobra. Aparentemente na contramão do mercado, o empresário Aleksander Mandic, um dos precursores bem-sucedidos da Internet brasileira, não tem medo de arriscar. Pelo contrário, seu lema é surpreender.
Há dois anos, a Mandic oferece um sofisticado sistema de e-mail com espaço ilimitado ? o mandic:mail. Pode parecer loucura criar um serviço que é oferecido de graça. A diferença é oferecer, entre outros benefícios, assinatura digital e criptografada, memória ilimitada, duplo antispam, sistema antivírus na entrada e saída das mensagens e ambiente livre de propaganda.
De janeiro de 2002 para cá, o mandic:mail compôs uma carteira de 50 mil clientes. O faturamento médio gira em torno de R$ 500 mil por mês, 50% de contratos com pequenas e médias empresas.
Um BBS no quarto de hóspedes
A história de Mandic se mistura à Internet brasileira. Em outubro de 1990, abriu um negócio no quarto de hóspedes de sua casa, um BBS (Bulletin Board System), sistema de troca de arquivos anterior à Internet. O equipamento se resumia a um micro computador 286, com 60 megabytes de capacidade e uma linha telefônica.
Em 1993, Mandic deixou a Siemens, onde trabalhou por 17 anos, para se dedicar exclusivamente ao BBS, que já rendia US$ 80 por dia, o que lhe garantia um salário de cerca de US$ 2 mil por mês.
Mandic manteve a empresa em casa até 1995, época em que começava o uso comercial da Rede, e transformou seu BBS no primeiro provedor comercial brasileiro, o Mandic.com. Em 1997, o BBS atingiu 95 mil usuários. O faturamento cresceu em proporções vertiginosas, passando de US$ 3 mil para US$ 10 milhões.
Em 1999, Mandic enriqueceu ao vender seu provedor para o grupo argentino Impsat, controlador do O Site. Depois disso, vieram os provedores de acesso gratuito, período no qual Mandic ajudou a criar o iG. Um ano depois, havia uma dezena de portais brigando pela concorrência em massa. UOL, Terra, iG, Globo.com, BOL, AOL.
?Nesta hora voltei a fazer anotações no meu bloquinho: mandic:mail, o melhor serviço de e-mail da Internet?, conta. Por que e-mail? A razão é simples: o e-mail é responsável por 80% do tráfego na Internet.
Entrevista
WNews - Por que investir em aprimoramento de e-mail?
Mandic - O que é bom para mim é bom para os outros. Eu mesmo sentia a necessidade de ter algo mais elaborado. Ninguém aprimorou o serviço de e-mail, que, atualmente, é responsável por 80% do tráfego na Internet.
WNews - Você está antecipando uma tendência?
Mandic - Ainda este ano haverá em torno 766 milhões de usuários conectados à Rede em todo o planeta e o retorno dos pequenos empreendedores em nichos especializados, como o que eu mais uma vez estou criando antes da concorrência.
WNews - O que mais vamos ver pela frente?
Mandic - A Rede vai se tornar cada vez mais eficiente no tráfego de informações remotas, como teletransporte de imagens e transferência de arquivos, por meio de chips implantados em humanos. Vamos assistir à realização de eventos antes restritos ao mundo da ficção.
WNews - Qual o status atual da Internet brasileira?
Mandic - Ela está na adolescência, já está mais estruturada. O conteúdo está bom e o serviço de alguns setores, como bancário e o da Receita Federal, mais precisamente, o de Imposto de Renda. Os outros serviços ainda estão engatinhando.
WNews - O que falta?
Mandic - Falta implementar a cultura da assinatura digital e acabar com o spam. Além disso, o usuário da Internet não tem identidade digital. Não há como identificar quem comete uma infração. Só que esta cultura tem que ser implementada pelo governo.
WNews - O mercado diz que você desapareceu...
Mandic - Quem diz isto está desatualizado. Eu voltei.
WNews - Em 1999, você disse que não voltaria a trabalhar com Internet. O que me diz agora?
Mandic - Foi um momento de agonia. Eu não queria vender a empresa. Mas estar na Internet é um prazer.
WNews - Você se considera um otimista?
Mandic - Sim, caso contrário, eu quebro.